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'Nova Einstein': americana construiu próprio avião na adolescência e agora tenta desvendar dos maiores desafios da ciência

Americana de origem cubana é considerada a nova Einstein

G1 — Mundo · 2026-08-13T08:45:12.000Z

Americana de origem cubana é considerada a nova Einstein

Desde criança, Sabrina Pasterski olha para o céu em busca de respostas. Aos 9 anos, fã de Harry Potter, ela sonhava em ganhar uma vassoura voadora. Aos 12, recebeu dos pais um presente que transformaria sua curiosidade em um projeto científico: um kit para montar um avião monomotor.

Quatro anos depois, aos 16, ela fez seu primeiro voo solo.

A trajetória, que começou em uma escola pública de Chicago, levou Sabrina ao Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT), à Universidade Harvard e a estágios em empresas como Boeing, NASA e Blue Origin. Um de seus primeiros trabalhos publicados também chamou a atenção do astrofísico britânico Stephen Hawking.

Hoje, a física americana é conhecida pelo apelido de “Nova Einstein” e se dedica a uma questão que está entre os grandes desafios da física moderna: como aproximar duas teorias fundamentais para a compreensão do universo — a relatividade e a física quântica.

Paixão de Sabrina Pasterski pelo céu começou na infância

Da paixão por aviões às leis do universo

A paixão de Sabrina pelos ares começou cedo. Quando ganhou o kit para montar um avião, transformou a atividade em uma espécie de projeto para uma feira de ciências. Enquanto construía a aeronave, também gravava vídeos explicando leis da física e citando seus dois grandes ídolos: Isaac Newton e Albert Einstein.

Aos 16 anos, finalmente conseguiu decolar sozinha — e pousou sem problemas.

A experiência ajudou a abrir portas para o MIT, que inicialmente havia negado uma vaga para ela. Depois, Sabrina fez doutorado em Harvard e passou a chamar a atenção de pesquisadores e instituições ligadas à aviação e ao setor espacial.

Apesar do fascínio pelos aviões, o objetivo de Sabrina era outro: entender as leis que regem o universo.

Aos 12, recebeu dos pais um presente que transformaria sua curiosidade em um projeto científico: um kit para montar um avião monomotor

O desafio que Einstein deixou

A teoria da relatividade, formulada por Einstein, mudou a maneira como a humanidade entende espaço e tempo. Em vez de serem grandezas fixas, eles estão relacionados e podem variar dependendo do observador.

A teoria organiza o universo em quatro dimensões: três espaciais — largura, altura e comprimento — e uma temporal. É o chamado espaço-tempo.

“O que o Einstein fala é que a gente também tem que pensar sobre o tempo como uma quarta parte do nosso espaço.”

O problema é que a física moderna também precisa lidar com outro universo de regras: o mundo das partículas microscópicas, descrito pela física quântica.

Essa teoria está por trás do funcionamento de diversas tecnologias presentes no cotidiano, como celulares, computadores e fones de ouvido. Mas juntar a relatividade e a física quântica em uma única descrição é um dos grandes desafios da ciência atual.

A matemática envolvida é tão complexa que, segundo a explicação apresentada no material, nem mesmo os computadores mais modernos seriam capazes de resolver diretamente algumas dessas equações.

É nesse ponto que entra a pesquisa de Sabrina.

A teoria da relatividade, formulada por Einstein, mudou a maneira como a humanidade entende espaço e tempo

O que é o 'holograma celestial'?

Sabrina trabalha com uma ideia chamada holografia celestial.

A proposta é usar uma descrição matemática em duas dimensões para representar processos que acontecem em um universo de quatro dimensões — o espaço-tempo. A ideia é criar uma espécie de novo ponto de vista para problemas extremamente complexos.

É parecido com o princípio de um holograma: a imagem pode parecer tridimensional, embora as informações utilizadas para representá-la estejam organizadas em duas dimensões.

No trabalho de Sabrina, essa representação é feita por meio de uma chamada esfera celeste.

A astrofísica Lia Medeiros, da Universidade de Wisconsin, em Milwaukee, explica que a proposta permite descrever matematicamente fenômenos que ocorrem no espaço-tempo de quatro dimensões usando uma estrutura em duas dimensões.

O projeto é liderado por Sabrina no Instituto Perimeter de Física Teórica, em Waterloo, no Canadá.

Segundo ela, o objetivo é investigar se existe, na fronteira de um sistema gravitacional, outro sistema dinâmico que apresente uma física equivalente e no qual seja possível realizar cálculos.

Por enquanto, trata-se de descrições matemáticas — uma tentativa de encontrar uma maneira mais simples de enxergar problemas extremamente complexos.

Sabrina trabalha com uma ideia chamada holografia celestial

Uma busca que começou olhando para o céu

A história de Sabrina tem uma característica que atravessa sua trajetória: a curiosidade.

A menina que queria uma vassoura voadora, construiu um avião e fez um voo solo aos 16 anos acabou escolhendo investigar questões que estão entre as mais profundas da ciência: como o universo funciona e qual é o nosso lugar nele.

Para Sabrina, esse tipo de busca não pertence a uma pessoa ou a um país.

É parte de uma tentativa humana, que atravessa gerações, de compreender o espaço e o próprio lugar da humanidade no universo.

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