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'Falou que sou dele', relata mulher mantida em cárcere durante quatro dias pelo ex; homem foi solto após audiência

'Falou que sou dele', relata mulher mantida em cárcere durante quatro dias pelo ex

G1 — Brasil · 2026-08-13T11:57:15.000Z

'Falou que sou dele', relata mulher mantida em cárcere durante quatro dias pelo ex

"Ele pisou em cima das minhas costelas. Ele falou que eu não sou de ninguém, que eu sou dele."

O relato é de uma mulher de 48 anos mantida em cárcere privado pelo ex-companheiro por quatro dias, em Campinas (SP). Ela conseguiu fugir na terça-feira (11), depois de fingir que tomou os remédios dados pelo agressor e esperar que ele saísse para trabalhar.

O ex-companheiro, Valter Santana, de 46 anos, foi preso no trabalho. Os dois se separaram há cerca de dois anos, mas, segundo a vítima, ele não aceitava o fim da relação. Na sexta-feira (7), ele teria arrastado a mulher pelos cabelos até a casa dele.

"Ele me pegou à força a noite inteira. Ele tentou me matar, ele tentou me enforcar. Ele puxava pelos cabelos, me dopou, me trancou", contou a mulher, que preferiu não ser identificada.

Na tarde de quarta-feira (12), o Tribunal de Justiça informou que Valter foi solto após passar por audiência de custódia.

Segundo o Ministério Público de São Paulo (MP-SP), a Justiça decidiu pela soltura porque não foram apresentados na audiência o laudo do IML nem o prontuário médico da vítima. O caso continua sendo investigado pela Polícia Civil.

O g1 tenta localizar a defesa de Valter para pedir um posicionamento.

Após fugir, mulher recebeu atendimento em UPA, e médicos acionaram a Guarda Municipal

'Ela estava com muito medo'

Após fugir, a mulher pegou um ônibus e procurou atendimento na Unidade de Pronto Atendimento (UPA) São José. Funcionários da unidade perceberam a gravidade do caso e acionaram a Guarda Municipal (GM).

"Manteve em cárcere privado, acabou abusando sexualmente dela [...] fez ela tomar uns remédios lá, que ela não soube precisar qual era o remédio", relatou o supervisor da GM de Campinas, Tadeu de Paula Pajola.

Segundo ele, a medicação deixou a mulher desorientada, a ponto de ela não saber que dia era. Quando chegou à UPA, apresentava ferimentos graves.

"Ela estava com muito medo, os olhos estavam bem machucados, os dois olhos. Tinha partes do cabelo que tinham sido tiradas, muitas dores no pescoço e no corpo", descreveu Pajola.

Valter é investigado por violência doméstica, lesão corporal dolosa, estupro, cárcere privado e ameaça.

A mulher passou a ser acolhida por um programa da Guarda Municipal e foi encaminhada para um abrigo.

Vítima foi agredida e ameaçada de morte por homem que não aceitava o fim do relacionamento; suspeito foi preso no trabalho.

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