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Homem de 380 kg morre à espera de transferência para hospital de alta complexidade no RS

Luciano Borges Costi, conhecido como Bolão

G1 — Brasil · 2026-08-13T15:25:19.000Z

Luciano Borges Costi, conhecido como Bolão

Um homem de 49 anos morreu na quarta-feira (12) aguardando transferência hospitalar no Rio Grande do Sul. Luciano Borges Costi, conhecido como Bolão, estava internado no Hospital Santa Luzia, em Capão da Canoa, no Litoral Norte do estado, desde o dia 25 de julho. Ele tinha obesidade mórbida e pesava aproximadamente 380 quilos.

Uma liminar da Justiça havia determinado a transferência de Luciano para um hospital de alta complexidade. A decisão era do dia 5 e estabelecia prazo de 48 horas para o cumprimento, mas a transferência não ocorreu no período estipulado

Como Luciano era segurado do IPE Saúde, a ação foi movida contra o instituto. O amigo e advogado de Luciano, Márcio Tubino, ingressou com o pedido após a equipe médica demonstrar a necessidade de transferência para um hospital de alta complexidade.

Agora no g1

O IPE informa que buscou por leitos e que "foram realizados contatos com diferentes hospitais, que informaram não dispor de capacidade técnica para receber um paciente com as características clínicas apresentada".

Uma maca chegou a quebrar e o paciente foi colocado em uma cama montada sobre paletes. Conforme o advogado, Luciano teve lesões cutâneas que evoluíram para uma infecção.

Foi só na terça-feira (11) que um leito foi disponibilizado no Hospital de Clínicas de Porto Alegre, mas o paciente corria risco de morte e não pôde ser retirado da casa de saúde. "Quadro clínico havia se agravado, com necessidade de internação em UTI, impossibilitando a transferência naquele momento", diz o IPE.

Torcedor do Internacional, Luciano era integrante da Torcida Organizada Camisa 12. "Luciano Bolão foi uma honra, que Deus lhe receba na morada celestial, obrigado por tudo, sempre ao lado do Internacional e da Camisa 12", escreveu a organizada em uma nota divulgada nesta quinta-feira (13).

O desafio agora é o sepultamento. Para que o corpo possa ser velado, um caixão sob medida está sendo confeccionado e os amigos organizaram uma campanha nas redes sociais para angariar o valor necessário para pagar pelo serviço especial.

Inicialmente, o objetivo era cremá-lo, mas por questões técnicas não será possível. A funerária responsável está organizando o sepultamento em um cemitério com espaço adequado para o caixão adaptado.

Até a última atualização desta reportagem, ainda não tinham sido divulgadas as informações sobre a cerimônia de despedida.

Apesar de inconformado com a perda, o amigo fica com as boas lembranças de Luciano, que costumava ser uma pessoa que animava os que estavam ao seu redor.

"Luciano sempre foi um cara muito humano, muito humano e sempre querendo ajudar todo mundo. O tamanho dele, eu acho que o coração era grande demais. Um cara que sempre procurou ajudar todo mundo, um cara alegre, um cara feliz, a gente tava muito risada com ele", afirma o advogado.

Luciano deixa o irmão, de 47 anos, e a mãe, de 80 anos.

O que diz o IPE Saúde

"O IPE Saúde lamenta profundamente o falecimento do segurado e se solidariza com seus familiares e amigos neste momento de dor. O segurado estava assistido desde o dia 28 de julho pelo Hospital Santa Luzia, credenciado ao IPE Saúde. Portanto, não houve negativa de atendimento ou de cobertura assistencial.

Após tomar conhecimento da necessidade de transferência, o Instituto atuou na busca de leito com capacidade na rede credenciada, independentemente da discussão judicial em andamento. Foram realizados contatos com diferentes hospitais, que informaram não dispor de capacidade técnica para receber um paciente com as características clínicas apresentadas.

Na segunda-feira (10), foi viabilizado um leito no Hospital de Clínicas, com confirmação na manhã de terça-feira (11), como consta na Guia de Autorização do paciente. Entretanto, o quadro clínico havia se agravado, com necessidade de internação em UTI, impossibilitando a transferência naquele momento. No mesmo dia, o IPE Saúde conseguiu a disponibilização de um leito de UTI no Hospital de Clínicas, mas, segundo entendimento do Hospital Santa Luzia, o paciente não apresentava condições clínicas para ser transportado. O IPE Saúde esclarece que não interfere na gestão dos hospitais credenciados, na regulação de leitos, nem no encaminhamento e transporte de pacientes. Essas decisões são de responsabilidade dos estabelecimentos de saúde.

Diante da situação excepcional, o Instituto realizou todos os esforços que estavam ao seu alcance para viabilizar a transferência e o atendimento de maior complexidade, inclusive buscando alternativas na rede credenciada. O IPE Saúde reitera sua solidariedade à família e lamenta profundamente o falecimento do segurado."

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