ITATIBA1
Adolescente internado após acidente encontra larvas no curativo em Pronto-Socorro de MT
G1 — Brasil · 2026-08-13T16:44:30.000Z
Adolescente internado após acidente encontra larvas no curativo em Pronto-Socorro de MT
Vanderson Campos de Magalhães, de 17 anos, teve larvas encontradas no curativo do braço enquanto estava internado no Pronto-Socorro de Várzea Grande, na região metropolitana de Cuiabá, segundo a família. A mãe afirma que o adolescente ficou dois dias sem tomar banho e que o curativo não teria sido trocado nesse período.
O g1 entrou em contato com Prefeitura de Várzea Grande , mas não obteve retorno até a última atualização desta reportagem.
Vanderson trabalha com gado e sofreu um acidente de moto em uma fazenda de Nossa Senhora do Livramento, a 42 km de Cuiabá, na manhã de domingo (9). Ele teve fraturas no braço e na perna e foi levado para o Pronto-Socorro de Várzea Grande.
✅ Clique aqui para seguir o canal do g1 MT no WhatsApp
No mesmo dia, o adolescente passou por uma cirurgia. Segundo a família, ele deveria ter tomado banho após o procedimento, mas isso não aconteceu. A mãe afirma que o filho passou a segunda-feira (10) e a terça-feira (11) sem tomar banho.
Na manhã desta quarta-feira (12), Vanderson sentiu algo estranho no braço. A família percebeu que havia larvas saindo do curativo. Segundo a mãe do adolescente, Creonice Campos, o curativo só teria sido trocado por volta das 22h. A família também denuncia problemas de higiene no quarto onde o adolescente está internado.
O que diz o Pronto-Socorro
À TV Centro América, o enfermeiro responsável pelo centro cirúrgico do Pronto-Socorro de Várzea Grande, Hermilton Jorge Sousa Filho, explicou que há uma sequência de procedimentos adotados assim que um paciente com fratura exposta chega à unidade. Segundo ele, o membro afetado é lavado e higienizado antes do primeiro procedimento cirúrgico. Depois, o curativo é mantido nas primeiras 24 horas e só pode ser retirado pelo médico responsável pela avaliação do paciente.
Sobre as larvas encontradas no ferimento, Hermilton afirmou que não as viu inicialmente. Segundo ele, quando o paciente retornou ao centro cirúrgico, o médico identificou a presença das larvas e foram administrados antibióticos e outros medicamentos.
O enfermeiro também explicou que, no momento em que o paciente foi encaminhado novamente ao centro cirúrgico, ele estava atendendo outra pessoa com fratura exposta e em estado grave, o que impediu um atendimento imediato. Na avaliação seguinte, segundo ele, não foram encontradas larvas no curativo. O paciente foi então encaminhado de volta à unidade de origem, onde deve aguardar de sete a 15 dias para reduzir o inchaço e realizar o tratamento com antibióticos antes da cirurgia definitiva.
“Quando o paciente retorna para mim no centro cirúrgico, é feita novamente a lavagem e todo o procedimento de assepsia. Naquele momento, não havia mais larvas. Não temos como afirmar se elas apareceram aqui dentro, antes ou fora da unidade. Uma mosca pode pousar e deixar larvas, e isso pode acontecer em qualquer ambiente, inclusive na enfermaria. O que posso afirmar é que, quando ele retornou ao centro cirúrgico, não havia mais larvas no curativo”, afirmou o enfermeiro.
Ainda conforme a família, a limpeza do pronto-socorro estaria prejudicada por atrasos no pagamento à empresa responsável pelo serviço. Os familiares também relatam que aparelhos de ar-condicionado não estariam funcionando e reclamam da qualidade da alimentação oferecida aos pacientes.
A diretora do Pronto-Socorro de Várzea Grande, Ângela Saboia, afirmou que a unidade passa por uma reorganização dos contratos e pagamentos devido à crise financeira enfrentada pelo município. Segundo ela, a prioridade é garantir a continuidade dos serviços essenciais, como limpeza e manutenção do sistema de ar-condicionado, sem comprometer a qualidade do atendimento aos pacientes.
“Estamos enfrentando uma calamidade financeira no município e reorganizando as compras e os pagamentos aos fornecedores. A prioridade da prefeita é não deixar a qualidade do hospital cair. Estamos conversando com as empresas para garantir a continuidade dos serviços de limpeza, ar-condicionado, assistência e humanização aos pacientes. A higiene do hospital não parou e as empresas já estão restabelecendo os serviços.”
A família percebeu que havia larvas saindo do curativo. Segundo a mãe do adolescente, Creonice Campos, o curativo só teria sido trocado por volta das 22h.