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Aposentada perde R$ 37 milhões em golpe de falsa plataforma de investimentos no RS
G1 — Brasil · 2026-08-13T17:20:11.000Z
Aposentada perde R$ 37 milhões em golpe de falsa plataforma de investimentos no RS
A Polícia Civil estima que pelo menos 140 pessoas possam ter sido vítimas de uma fraude semelhante à que causou prejuízo de R$ 37 milhões a uma aposentada no Rio Grande do Sul. A informação foi divulgada nesta quinta-feira (13), durante a Operação Criptoabate, que investiga uma organização criminosa suspeita de estelionato mediante fraude eletrônica e lavagem de dinheiro.
Segundo a investigação, as possíveis vítimas estão espalhadas pelo Brasil e foram identificadas em ambientes digitais ligados à mesma dinâmica do golpe. A fraude é conhecida internacionalmente como "pig butchering", ou "golpe do abate de porcos".
A operação cumpriu 90 ordens judiciais em três estados. Entre os presos, conforme a polícia, estão três donos de instituições financeiras que operam conversão para criptomoeda. Também foram presos dois estrangeiros. Um deles, segundo a apuração, é dono de uma das instituições financeiras investigadas.
Outra presa é uma gerente de uma instituição financeira tradicional e com grande credibilidade nacional e internacional. De acordo com a Polícia Civil, ela era responsável por facilitar a abertura de contas operadas pelo grupo criminoso. Os suspeitos não tiveram os nomes divulgados.
Essas contas teriam sido usadas para receber e pulverizar, em uma primeira camada, os valores transferidos pela vítima. Depois, segundo a investigação, o dinheiro era distribuído a outras empresas e convertido em criptoativos.
A vítima principal é uma aposentada. Segundo o chefe do Departamento de Crimes Cibernéticos, delegado Eibert Moreira, os R$ 37 milhões perdidos por ela vieram de uma herança.
O delegado afirmou que a mulher gostava de fazer investimentos e tinha perfil agressivo, com preferência por ativos de maior rentabilidade. Ela tinha um corretor de investimentos, que desaconselhava aportes altos em aplicações arriscadas.
Mesmo assim, conforme a polícia, a vítima retirou os recursos que mantinha em uma corretora regular e transferiu o dinheiro para uma plataforma falsa. O golpe foi construído, segundo a polícia, ao longo de seis meses.
A investigação aponta que uma das instituições financeiras investigadas movimentou, em um único dia, R$ 295 milhões em conversão para criptomoeda. A polícia também identificou uma empresa no estado de São Paulo com movimentação atípica de R$ 500 milhões no período investigado. Ao todo, transações suspeitas feitas pelos investigados somam R$ 30 bilhões.
Segundo a Polícia Civil, a Operação Criptoabate faz parte de uma estratégia do Departamento Estadual de Repressão aos Crimes Cibernéticos (DERCC) para responsabilizar todos os integrantes das estruturas usadas em fraudes eletrônicas.
De acordo com a polícia, os investigados se passavam por funcionários de uma empresa identificada como TDASX, que fechou após o início das investigações. O g1 tenta contato com os responsáveis pela TDASX, mas não os havia localizado até a última atualização da reportagem.
A orientação da polícia é desconfiar de promessas de rentabilidade muito acima do mercado, plataformas sem credenciais verificáveis e pedidos de novos depósitos para liberar valores que já teriam sido investidos.
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