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Operação Auditus: médico legista é afastado por suspeita de fraude de R$ 4 milhões na Saúde de MS

Médico legista cumpria função em Jardim

G1 — Brasil · 2026-08-13T18:13:15.000Z

Médico legista cumpria função em Jardim

Prefeitura de Jardim

O médico legista Robson Roosevelt Ferreira Aguilar, d

a Polícia Científica de Mato Grosso do Sul, foi afastado de suas funções em Jardim após a deflagração da Operação Auditus. A ação investiga um esquema de fraude em contratos de serviços médicos na Prefeitura de Nioaque.

A segunda fase da operação foi deflagrada nesta quinta-feira (13) pelo Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPMS), com o cumprimento de cinco mandados de prisão e 12 de busca e apreensão nos municípios de Nioaque, Bonito, Jardim, Bela Vista e Guia Lopes da Laguna.

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Nesta quinta-feira (13), a Polícia Científica de Mato Grosso do Sul confirmou o afastamento do médico. Em nota, a instituição esclareceu que a prisão não tem qualquer relação com as atividades desenvolvidas pelo profissional no âmbito da perícia oficial.

A entidade informou também que a Corregedoria da Polícia Civil — à qual o servidor é vinculado — instaurou um Processo Administrativo Disciplinar (PAD) para apurar os fatos na esfera administrativa e acompanhar os desdobramentos das medidas adotadas pelo Grupo Especial de Combate à Corrupção (Gecoc).

Segundo o MPMS, a investigação identificou uma organização formada por agentes públicos e empresários que teriam fraudado licitações, simulado exames e consultas, além de desviar recursos dos cofres públicos. O prejuízo estimado aos cofres públicos já ultrapassa R$ 4 milhões.

As apurações tiveram início após suspeitas de irregularidades na contratação de uma empresa especializada para a prestação de consultas, exames e procedimentos médicos no município.

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Gastos saltaram 1.713%

De acordo com o Ministério Público, os gastos da Prefeitura de Nioaque com esses serviços registraram um aumento de 1.713% entre 2022 e 2025 — período em que, segundo os investigadores, ocorreram as contratações fraudulentas.

O MPMS aponta ainda que 83% das consultas e exames pagos pelo município sequer foram realizados. Para justificar os repasses financeiros, o grupo utilizava documentação falsificada.

O esquema funcionava por meio do direcionamento de licitações, registro de atendimentos fantasma e pagamento de propina a agentes públicos.

Investigação começou em 2025

A primeira fase da Operação Auditus foi deflagrada em 1º de julho de 2025, com o cumprimento de 10 mandados de busca e apreensão em Nioaque, Bonito e Jardim.

Na ocasião, o MPMS apurava suspeitas de fraudes em licitações e na execução de contratos médicos cujo dano inicial estimado era superior a R$ 3 milhões, referentes ao período entre 2019 e 2024.

Após a análise do material apreendido na primeira etapa e a realização de novas diligências, os investigadores constataram que o esquema era ainda maior e continuava ativo.

Além dos desvios já identificados, o MPMS apurou que o grupo tentava expandir o modelo de fraude para outras prefeituras de Mato Grosso do Sul.

Operação mira grupo suspeito de fraudar R$ 4 milhões em serviços médicos em Nioaque

Por que a operação se chama Auditus?

O nome da operação vem do latim e significa "audição". Segundo o Ministério Público, a fraude começou com a simulação de exames auditivos — incluindo o "teste da orelhinha", voltado para recém-nascidos.

Os investigadores apontam que procedimentos não realizados eram faturados e cobrados do município para viabilizar o desvio de verbas. Posteriormente, a prática foi expandida para outros tipos de exames, consultas e procedimentos médicos.

A ação é coordenada pelo Grupo Especial de Combate à Corrupção (Gecoc), pelo Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado (Gaeco) e pela 1ª Promotoria de Justiça de Nioaque.

Confira a nota da Polícia Científica na íntegra:

"A Polícia Científica de Mato Grosso do Sul informa que o médico legista Robson Roosevelt Ferreira Aguilar, lotado em Jardim, foi afastado de suas funções em razão dos fatos que são objeto da Operação Auditus, deflagrada nesta quinta-feira (13) pelo Grupo Especial de Combate à Corrupção (Gecoc), do Ministério Público de Mato Grosso do Sul.

A instituição informa ainda que a prisão não tem qualquer relação com as atividades desenvolvidas pelo médico no âmbito da Polícia Científica e que a Corregedoria da Polícia Civil, à qual ele está vinculado, já instaurou Processo Administrativo Disciplinar (PAD) para apurar, no âmbito administrativo, os fatos relacionados ao servidor, bem como acompanha o desdobramento das medidas adotadas pelo Gecoc.

A Polícia Científica ressalta que não compactua com qualquer forma de desvio de conduta, irregularidade ou transgressão disciplinar e que eventuais atos individuais que contrariem a legislação, os princípios da administração pública e os deveres funcionais serão apurados com rigor.

A instituição reafirma seu compromisso com a legalidade, a ética, a transparência e a integridade na atuação dos profissionais responsáveis pela atividade pericial oficial no Estado. A Polícia Científica também manifesta seu respeito e sua disposição em colaborar com os órgãos de controle e investigação competentes, dentro de suas atribuições legais."

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