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Karoline Leavitt: quem é a porta-voz da Casa Branca que pediu demissão do governo Trump

Trump anuncia saída de Karoline Leavitt do cargo de porta-voz da Casa Branca

G1 — Mundo · 2026-08-13T19:21:39.000Z

Trump anuncia saída de Karoline Leavitt do cargo de porta-voz da Casa Branca

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou que Karoline Leavitt deixará o cargo de porta-voz da Casa Branca no fim de agosto. Em uma publicação nas redes sociais, na quarta-feira (12), Trump afirmou que ela vai se dedicar à família.

Leavitt foi nomeada secretária de imprensa da Casa Branca em janeiro de 2025 e se tornou a principal porta-voz de Trump. Ela teve uma rápida ascensão dentro do grupo político do presidente e, aos 27 anos, tornou-se a pessoa mais jovem da história dos Estados Unidos a ocupar o cargo.

Tradicionalmente, cabe ao secretário de imprensa conceder entrevistas a jornalistas que cobrem o governo, responder a perguntas sobre temas específicos e detalhar a agenda presidencial.

Enquanto esteve à frente da Secretaria de Imprensa, Leavitt demonstrou hostilidade em relação a jornalistas de grandes veículos de comunicação que questionavam a atuação de Trump.

A secretária, por exemplo, teve embates frequentes com a jornalista Kaitlan Collins, da CNN, conhecida pela cobertura política nos Estados Unidos. Em um dos episódios, Leavitt acusou a repórter de querer espalhar "narrativas mentirosas" contra o presidente.

Em outro caso, compartilhado pela própria Leavitt nas redes sociais em outubro de 2025, um jornalista do HuffPost perguntou quem havia sugerido Budapeste, na Hungria, como local para um encontro entre Trump e o presidente russo, Vladimir Putin. A secretária respondeu: "Foi sua mãe".

No Brasil, Leavitt ganhou repercussão em novembro de 2025, após a imprensa americana revelar que uma brasileira, mãe de um sobrinho da secretária de imprensa, havia sido detida pelo Serviço de Imigração e Alfândega dos EUA.

Enquanto Leavitt comandou a Secretaria de Imprensa da Casa Branca, o governo passou a escolher quais jornalistas teriam acesso direto ao presidente, abandonando um sistema que durante anos ficou sob responsabilidade de uma entidade independente.

Pelo modelo tradicional, um grupo rotativo de jornalistas era definido por uma associação para garantir que diferentes veículos tivessem acesso ao presidente.

A equipe de Trump também criou um assento de "novas mídias" na sala de coletivas, destinado a podcasts, newsletters e veículos digitais.

As medidas foram elogiadas como uma adaptação às mudanças na imprensa, mas também criticada por abrir espaço para favorecer veículos alinhados ao governo.

"Poucos poderiam ou poderão algum dia se comparar a Karoline", disse Harrison Fields, ex-vice-secretário de imprensa principal de Trump à Reuters.

"Ela não apenas falava Trump fluentemente, como também sabia alimentar a fera da mídia de uma forma astuta, audaciosa e bem-sucedida que, acima de tudo, agradava ao público dela: o presidente."

Origem e ascensão

A secretária de imprensa da Casa Branca, Karoline Leavitt, realiza uma coletiva de imprensa na Casa Branca, em Washington, DC, EUA, em 23 de julho de 2026

De origem humilde, Leavitt se formou em 2019 em política e comunicação por uma faculdade de New Hampshire, após receber uma bolsa esportiva. Ela jogou em um time de softball e foi a primeira da família a concluir um curso superior.

Em 2022, ela disse a um grupo de republicanos que percebeu na faculdade que seu interesse não era o esporte, mas política, serviço público e jornalismo.

Leavitt chegou a trabalhar em uma emissora de TV porque queria ser repórter, mas afirmou depois estar “feliz por não ter seguido esse caminho”, que classificou como “lado sombrio”.

Ela disse ainda que queria participar do processo político e que Trump era uma inspiração.

No primeiro mandato de Trump, Leavitt conseguiu um estágio na Casa Branca e trabalhou no escritório de correspondência, escrevendo cartas em nome do presidente. Mais tarde, procurou a secretária de imprensa do governo, e entrou para a equipe como secretária-adjunta.

Após a derrota de Trump em 2020, Leavitt passou a trabalhar na comunicação da deputada Elise Stefanik, de Nova York, uma das principais defensoras do atual presidente na Câmara.

Em 2022, concorreu a uma vaga na Câmara dos Deputados, mas perdeu. Dois anos depois, tornou-se porta-voz da campanha presidencial de Trump. Após a vitória, foi convidada pelo presidente para assumir a chefia da secretaria de imprensa da Casa Branca.

Mais recentemente, em maio deste ano, Leavitt anunciou o nascimento do segundo filho.

Saída do governo

O presidente dos EUA, Donald Trump, fala com repórteres, enquanto a secretária de imprensa da Casa Branca, Karoline Leavitt, está ao lado dele, enquanto ele parte para viajar para a Pensilvânia, do gramado sul da Casa Branca em Washington

Segundo Trump, a saída de Leavitt ocorre para que ela possa passar mais tempo com os filhos pequenos e a família. Trump disse respeitar a decisão e afirmou que a atual porta-voz continuará próxima ao governo.

"Karoline agora será uma das minhas principais conselheiras externas e uma voz influente dentro do Partido Republicano", escreveu.

O presidente também destacou a atuação de Leavitt na Casa Branca e o papel dela na campanha presidencial de 2024. Segundo Trump, ela foi "uma das melhores secretárias de imprensa da Casa Branca na história do cargo".

Ao anunciar a saída, Trump disse ainda que Leavitt continuará atuando politicamente ao lado do Partido Republicano, especialmente durante as eleições de meio de mandato, previstas para 2026.

Nas redes sociais, circulam teorias de que Leavitt teria decidido deixar o cargo depois de viajar em um avião do governo dos Estados Unidos que teria sido ameaçado pelo Irã ao deixar a Turquia. Trump, por questões de segurança, embarcou secretamente em outro voo.

No entanto, a TV Globo apurou que Leavitt não acompanhou o presidente na viagem. Ela estava nos Estados Unidos enquanto Trump estava na Turquia.

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