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Ação cumpre 43 mandatos e mira organização criminosa; R$ 8 milhões são bloqueados
G1 — Brasil · 2026-08-13T20:15:04.000Z
Ação cumpre 43 mandatos e mira organização criminosa; R$ 8 milhões são bloqueados
A organização criminosa ligada ao Comando Vermelho (CV) investigada no Amazonas por tráfico interestadual de drogas usou centros comerciais, imóveis, embarcações e empresas de fachada para lavar dinheiro ilícito em Manaus, segundo a Polícia Federal (PF). O grupo movimentou mais de R$ 35 milhões e investiu parte do dinheiro em bens e empreendimentos na capital amazonense.
A informação foi divulgada nesta quinta-feira (13), durante a Operação La Máquina, deflagrada pela PF e pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), do Ministério Público do Amazonas (MPAM). A ação mira integrantes da organização suspeita de transportar drogas da Amazônia para outras regiões do país.
Segundo a PF, depois de obter dinheiro com o tráfico de drogas, o grupo adotava diferentes estratégias para dificultar a identificação da origem dos recursos.
Entre as práticas investigadas estão o uso de empresas de fachada, depósitos e transferências fracionadas, além da movimentação de dinheiro por terceiros. Os integrantes também teriam comprado bens em nome de pessoas que não seriam os verdadeiros proprietários.
A organização também investiu em diferentes setores. Os investigadores identificaram a aquisição de imóveis, veículos, embarcações, centros comerciais e outros empreendimentos em Manaus.
Dois centros comerciais foram identificados pela investigação como parte dos bens ligados aos suspeitos. Eles ficam nos bairros Novo Aleixo, Zona Norte de Manaus, e Tancredo Neves, na Zona Leste da capital.
A Justiça determinou o sequestro desses bens e de 31 veículos, avaliados em cerca de R$ 3 milhões, além do bloqueio de aproximadamente R$ 7,7 milhões em ativos financeiros.
Segundo a PF, os mais de R$ 35 milhões movimentados pelo grupo passaram por pessoas físicas e empresas ligadas aos investigados. Os valores eram considerados incompatíveis com as atividades econômicas declaradas por eles.
Armas e dinheiro apreendidos em Manaus durante a Operação La Máquina
Aviões eram usados para transportar drogas
A investigação apontou que o grupo mantinha uma estrutura para transportar drogas a partir da região amazônica para outros estados.
Para isso, eram utilizados aviões de pequeno porte, pistas clandestinas e pilotos. A organização também contava com pessoas responsáveis pelo financiamento, contratação e pilotagem das aeronaves, além da manutenção e do abastecimento.
Depois de chegar aos destinos, os entorpecentes eram armazenados e distribuídos com o uso dos modais fluvial e terrestre.
A PF identificou ainda indícios de que pelo menos uma aeronave teve a identificação adulterada. Os investigadores também apontaram a aquisição e o financiamento de aviões para ampliar a estrutura usada no transporte das drogas.
Durante as investigações, a PF realizou uma interceptação aérea na região de Tefé, no interior do Amazonas.
Os investigadores também identificaram o desaparecimento de uma aeronave durante um voo nas proximidades da fronteira com a Venezuela. Segundo a PF, as circunstâncias eram compatíveis com um possível acidente aeronáutico.
Operação La Máquina
Segundo a PF, a Operação La Máquina busca desarticular a estrutura logística e financeira da organização criminosa ligada ao Comando Vermelho no Amazonas.
Mais de 100 policiais federais participaram da ação, que visou o cumprimento de 13 mandados de prisão preventiva, 26 de busca e apreensão e quatro medidas cautelares. Até a última atualização desta reportagem, 10 pessoas haviam sido presas.
Entre os presos está Wellisson dos Santos Albarado, apontado pelas investigações como chefe do núcleo logístico da organização criminosa no Amazonas. Segundo a Polícia Federal, ele passava a maior parte do tempo no Rio de Janeiro, de onde enviava ordens e coordenava atividades do grupo no estado.
O g1 entrou em contato com a defesa de Wellisson dos Santos Albarado, que informou que só vai se pronunciar sobre o caso após ter acesso ao inquérito.
O nome da operação faz referência à expressão usada pelos investigados nas comunicações interceptadas para designar as aeronaves utilizadas no transporte das drogas. O termo aparecia em conversas relacionadas aos chamados "fretes" de entorpecentes.
Chefe de núcleo logístico do CV no Amazonas, Wellisson dos Santos Albarado, é preso em operação que investiga tráfico com aviões adulterados