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Vigilantes são acusados de 'caçar' e torturar moradores em situação de rua no ES; polícia fala em dezenas de vítimas

Polícia explica como grupo de segurança privada 'caçavam' moradores em situação de rua

G1 — Brasil · 2026-08-13T20:02:19.000Z

Polícia explica como grupo de segurança privada 'caçavam' moradores em situação de rua

Funcionários de uma empresa de segurança privada foram denunciados à Justiça por sequestrar, torturar e matar um morador em situação de rua na Grande Vitória, no Espírito Santo.

De acordo com a investigação, o grupo fez outras vítimas e tinha como alvo pessoas apontadas como autoras de pequenos furtos em condomínios e estabelecimentos onde os suspeitos prestavam serviço.

A organização criminosa foi identificada após a morte de Marcos Vinícius Lopes Rodrigues. Em março, ele foi sequestrado, espancado por horas e levado até uma área de eucalipto no município vizinho da Serra, onde foi assassinado e enterrado.

Nove pessoas foram denunciadas à Justiça por participação no crime. Do total, oito estão presas e um dos suspeitos segue foragido.

Em coletiva na manhã desta quinta-feira (13), o delegado-geral da Polícia Civil do Espírito Santo, Jordano Bruno, afirmou que o grupo cometeu dezenas de sessões de tortura.

“É algo nos dias de hoje, em plena região metropolitana da Grande Vitória, é quase inimaginável. Algo tão perverso e desumano, uma barbárie que estava sendo cometida com pessoas em situação de rua, de extrema vulnerabilidade. Lamentavelmente, inacreditavelmente, são dezenas de pessoas que passaram por tortura praticada por esses indivíduos”.

Marcos Vinícius, homem em situação de rua, foi abordado por seguranças particulares na Praia do Suá, em Vitória, no Espírito Santo

Grupo atuava há pelo menos dois anos, diz polícia

O inquérito da Polícia Civil confirmou que o grupo foi responsável por ao menos três casos de tortura na Grande Vitória, incluindo o que resultou na morte de Marcos Vinícius.

Ainda segundo as investigações, os suspeitos atuavam há pelo menos dois anos na região da Praia do Suá e Enseada do Suá, em Vitória.

As diligências apontaram que os rondistas usavam grupos em aplicativos de mensagens para enviar as imagens e combinar as próximas ações criminosas.

O alvo eram pessoas em situação de rua que eram vistas próximas a condomínios que contratavam a empresa de segurança. Durante as sessões de tortura, as “punições” eram aplicadas de acordo com o nível de “perturbação” causado pela vítima.

“Esses indivíduos, que realizavam essas rondas, contratados por condomínios, estavam utilizando desta função para poder fazer com que essas pessoas [em situação de rua] desaparecessem dos locais em que eles circulavam. Ao longo da investigação ficou bem caracterizado que eles basicamente sequestraram essas pessoas e espancaram elas. Em um dos casos, esse espancamento foi uma forma de execução”, completou.

Grupo de vigilantes é acusado de torturar e matar um homem em situação de rua no Espírito Santo.

Investigação teve início após morte de morador em situação de rua

A investigação começou em abril deste ano, após a mãe de Marcos Vinicius Lopes Rodrigues, de 35 anos, registrar o desaparecimento do morador em situação de rua.

“Uma mãe, que sentia falta do seu filho, nos procurou para relatar que não o encontrava mais. Ele residia embaixo da Terceira Ponte, em um desses dias ela não encontrou o seu filho e trouxe essa situação para a delegacia”, contou o delegado Tarcísio Ottoni, titular da Delegacia Especializada de Pessoas Desaparecidas.

Vigilantes de empresa de segurança são presos por torturar, matar e esconder corpo de homem em situação de rua no ES

Mais dois vigilantes são presos por torturar, matar e esconder corpo de homem em situação de rua no ES

Após a denúncia, investigações apontaram que o morador foi alvo do grupo duas vezes. Na primeira vez, no dia 8 de março, câmeras de segurança registraram o momento em que a vítima foi parada na rua, sequestrada e levada para a região da Terceira Ponte, onde foi espancada. Durante a tortura, ele teve os dentes arrancados com um alicate.

Vigilantes de empresa de segurança são presos por torturar, matar e esconder corpo de homem em situação de rua no Espírito Santo

Dias depois, em 17 de março, Marcos Vinícius foi capturado pela segunda vez. A motivação, segundo a polícia, teria sido o fato de ele ter invadido o local onde funcionava a empresa de segurança em que os criminosos trabalhavam.

Na ocasião, a vítima foi levada até a região da Lagoa Juara, na Serra, e, em seguida, ao novo contorno de Jacaraípe, onde ocorreu a execução.

A polícia acredita que Marcos Vinícius tenha sido submetido a pelo menos três horas de tortura antes de morrer, possivelmente por espancamento e sufocamento.

Marcos Vinícius com ferimentos causados pelo mesmo grupo uma semana antes de ser morto.

Denunciados à Justiça

Ao todo, nove pessoas foram denunciadas à Justiça por participação no crime. Do total, oito estão presas e um dos suspeitos segue foragido.

Duas prisões ocorreram em 21 de abril, durante a primeira fase da Operação Invisíveis. Em maio, outros dois vigilantes foram detidos na segunda fase da operação.

Veja quem são os réus:

Gabriel dos Santos Amaral, de 29 anos (preso);

Lucas Miguel Oliveira dos Santos, 28 anos (foragido);

Paulo Henrique Esteves Silva, 30 anos (preso);

Rafael de Souza Silva, de 33 anos (preso);

Saimon Sales Cesar, de 30 anos (preso);

Thiago Gonçalves, de 24 anos (preso);

Ralson Amancio Chagas, de 42 anos (preso);

Celso Henrique de Azevedo, de 25 anos (preso).

Coordenador de videomonitoramento

Gabriel Fittipaldi, 22 anos (preso).

Oito homens foram presos por envolvimento na morte de um morador em situação de rua no Espírito Santo.

A defesa dos réus não foi localizada até a última atualização desta reportagem. A empresa onde os réus trabalhavam e os síndicos que contrataram o serviço foram ouvidos pela polícia e negaram participação no crime, afirmando não saber da conduta dos investigados.

"Nenhuma empresa de segurança está legitimada a fazer extração, retirada, expulsão de pessoas em situação de rua, independente da situação. Tem os órgãos, têm os assistentes sociais, tem a polícia, tem o estado para prestar serviço. Não é função de rondista, não é função de empresa de vigilância encostar ou fazer qualquer tipo de atitude em relação a ninguém, inclusive os moradores de situação de rua", destacou o delegado Jordano Bruno.

A Polícia Civil, agora, atua para identificar as vítimas registradas em outros vídeos gravados pelos suspeitos e esclarecer os outros crimes cometidos pelo grupo.

Lucas Miguel Oliveira dos Santos, de28 anos, é considerado foragido

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