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Roraima lidera assassinatos de indígenas no Brasil, aponta relatório do Cimi

Cômodo da casa em que casal de indígenas foi assassinado e tiros em 2025 em Roraima

G1 — Brasil · 2026-08-13T20:49:38.000Z

Cômodo da casa em que casal de indígenas foi assassinado e tiros em 2025 em Roraima

Caíque Rodrigues/g1 RR/Arquivo

Roraima teve alta no número de mortes de indígenas em um ano e registrou 82 assassinatos em 2025, o maior número entre os estados brasileiros. O dado consta no relatório Violência contra os Povos Indígenas no Brasil, divulgado nesta quinta-feira (13) pelo Conselho Indigenista Missionário (Cimi), em Brasília.

O número representa parte dos 258 assassinatos de indígenas registrados no Brasil em 2025. Em 2024, foram contabilizados 211 casos no país. Desses, 57 ocorreram em Roraima, 25 a menos que no ano passado.

O g1 procurou o governo federal sobre as medidas adotadas para reduzir as mortes e a violência contra indígenas em Roraima, mas não recebeu resposta até a última atualização.

Os dados sobre os assassinatos foram compilados pelo Cimi a partir de informações do Sistema de Informação sobre Mortalidade (SIM), das secretarias estaduais de Saúde e da Secretaria Especial de Atenção à Saúde Indígena (Sesai), obtidas por meio da Lei de Acesso à Informação e de bases públicas.

🏹 O Cimi é órgão ligado à Igreja Católica e grupo atua na defesa dos direitos, da cultura e dos territórios dos povos indígenas.

Casos citados pelo relatório

Entre os casos de assassinatos de indígenas em Roraima detalhados pelo Cimi no relatório de 2025 estão:

Itaci Yanomami, de 25 anos: foi assassinado em 28 de novembro de 2025, durante um conflito com garimpeiros na região da Taboca, dentro da Terra Indígena Yanomami. O jovem foi vítima de um confronto com invasores armados na região.

Adolescente Yanomami, de 16 anos: morreu em dezembro de 2025 durante um confronto entre indígenas das comunidades Maloca Paapiu e Catrimani, na região do Alto Catrimani. O Cimi cita que os conflitos internos se tornaram mais letais com a distribuição de armas de fogo no território associada à presença do garimpo ilegal.

Casal Warao: os indígenas venezuelanos Yerferson de Jesus Montilla Matos e Myiela Perez Cardona foram assassinados a tiros em 8 de janeiro de 2025, no abrigo Pintolândia, em Boa Vista. O casal foi morto dentro do próprio barraco de lona, diante dos sete filhos. À época, um bebê de 4 meses, filho deles, também foi baleado.

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Atrás de Roraima no número de indígenas assassinados no país estão Amazonas, com 47 casos, e Mato Grosso do Sul, com 37.

Mortes de crianças indígenas

O relatório também mostra que Roraima registrou aumento no número de mortes de crianças indígenas de até quatro anos pelo segundo ano seguido, e permaneceu na segunda posição nacional, atrás apenas do Amazonas.

Em 2025, foram 158 mortes de crianças indígenas de até quatro anos em Roraima. Em 2024, foram 139 mortes. O aumento foi de 19 óbitos, ou 13,7%, em um ano. No Amazonas, foram registrados 306 mortes no ano passado.

Segundo o relatório do Cimi, parte das mortes de crianças indígenas ocorreu por causas consideradas evitáveis, como gripe, pneumonia, doenças infecciosas intestinais e desnutrição.

O levantamento é publicado anualmente pelo Cimi, organismo vinculado à Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB).

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