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André Luiz, de 3 anos, foi picado por um escorpião na escola onde estuda, em Igarassu, no Grande Recife
G1 — Brasil · 2026-08-13T21:17:18.000Z
André Luiz, de 3 anos, foi picado por um escorpião na escola onde estuda, em Igarassu, no Grande Recife
No segundo dia da volta às aulas, o pequeno André Luiz, de 3 anos, foi picado na mão por um escorpião na escola onde estuda, em Igarassu, no Grande Recife. Ele está internado na UTI do Pronto-Socorro Cardiológico Universitário de Pernambuco Professor Luiz Tavares (Procape), no Centro da capital (veja vídeo acima).
O acidente aconteceu na terça-feira (11). A mãe de André, Letícia Souza, disse que recebeu uma ligação da escola informando que o menino se queixava de ter sido picado por um "bichinho", mas, até então, não se sabia que era um escorpião. Pouco tempo depois, um novo telefonema informou que a criança estava com muita dor.
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"Com dez minutos, ela ligou e ele estava gritando de chorar. Eu e meu pai chegamos lá e levamos ele para o Hospital de Igarassu. Assim que preencheu a fichinha, ele já saiu vomitando. Depois que parou de vomitar, foi soltando uma baba e ficando pálido, desfalecendo. E aí foi transferido para o Hospital da Restauração, no Recife", contou.
A dor intensa é o principal sintoma associado à picada de escorpião. Depois do acidente, a escola encontrou o animal e informou à mãe que a espécie que picou André foi o escorpião-amarelo. De acordo com a Vigilância Ambiental de Pernambuco, essa é a espécie mais comum no estado (saiba mais abaixo).
"Ele já chegou no Hospital da Restauração apagado. Lá, tomou o soro antiescorpiônico e foi entubado porque a picada lesionou o coração e o pulmão dele. Ele já foi direto para a UTI e, na sexta-feira (7), foi transferido para o Procape porque aqui é o hospital mais qualificado para os casos que afetam o coração e o pulmão", afirmou a mãe.
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Segundo Letícia, o menino já foi extubado, mas segue na UTI. Os exames têm apresentado estabilidade.
"O coração e o ecocardiograma que a gente fez ontem [quarta-feira, 12] está normal, graças a Deus, e ele tirou a sonda do xixi. Agora é esperar ele despertar mais da sedação porque foram muitos dias, para ele ir acordando e conseguir tirar a sonda da alimentação e estar comendo. É aguardar os próximos dias, como a médica disse. É viver um dia de cada vez", disse.
Apesar da melhora apresentada nos últimos dias, a mãe afirmou que o processo de recuperação ainda exige paciência e acompanhamento constante da equipe médica. Segundo ela, a expectativa da família é que André continue evoluindo para deixar a UTI e receber alta hospitalar.
"Eu estou no automático. Quando eu vejo ele daquele jeito, porque ele é uma criança extremamente ativa, às vezes a ficha cai e bate a crise de choro, desespero. Mas eu tenho que manter forte. É aquela coisa de você querer desmoronar e não poder porque ele está só comigo aqui. Então, eu tenho que estar firme todos os dias para dar o melhor para ele", contou.
Mais de 9 mil casos
De acordo com a Secretaria Estadual de Saúde (SES), de janeiro a julho deste ano, foram 9.932 mil atendimentos a vítimas de picadas de escorpião no estado. Durante todo o ano de 2025, 19.591 pessoas receberam atendimento tanto na rede pública quanto nos hospitais particulares de Pernambuco.
Segundo o diretor geral de Vigilância Ambiental de Pernambuco, o biomédico sanitarista Eduardo Bezerra, a espécie que picou André é a mais comum no estado e responde pela maior parte dos acidentes registrados no estado. Segundo ele, há ainda suspeitas da presença de outra espécie, mas, até o momento, ela não foi associada a ocorrências confirmadas.
"Nós temos principalmente o escorpião-amarelo do Nordeste, que é o stigmurus, mas existem suspeitas de que a gente pode ter aqui o escorpião amarelo-puro, que é o serrulatus, mas a gente nunca teve nenhum caso associado a ele", detalhou.
Além da dor intensa, a picada pode provocar outros sintomas em decorrência da reação do organismo principalmente em crianças e idosos, considerados os grupos de maior risco para casos graves.
"Geralmente em decorrência da dor, por ser muito intensa, muitas pessoas têm acionamento de outras reações do sistema nervoso. Então, quando a gente sente muita dor, muitas vezes fica enjoado, vomita, perde o sentido. É muito comum em função desse sintoma principal, que é a dor muito intensa", afirmou.
Em caso de incidente, o especialista orienta que, se possível, o animal deve ser levado para a unidade de saúde, vivo ou morto, desde que isso seja feito com segurança. A identificação da espécie pode ajudar a equipe médica durante a avaliação do paciente.
"Pode levar vivo o morto. Não tem problema nenhum. Inclusive, se você reconhecer, se tiver uma foto, pode levar. Não temos uma variedade de espécies de escorpião, geralmente é uma espécie só. O relato já serve, mas, se você conseguir levá-lo vivo ou morto, obviamente com cuidado, se ele estiver vivo, para você não ser mais uma vítima também. Então, é muito importante ter essa identificação", explicou.
O especialista disse também que o escorpião é um animal que vive em locais quentes, úmidos e com esconderijos, como entulhos, restos de construção e acúmulo de lixo. Segundo ele, nesta época do ano, a mudança entre o período chuvoso e o de estiagem altera o comportamento da espécie.
"Os insetos são muito sujeitos à mudança do ambiente, e a gente está nessa época numa mudança, numa transição do período de chuva para o período de sol e isso faz com que o comportamento dele mude. Então, não é que seja uma época de reprodução, é uma época de mudança de atividade, então ele fica mais ativo", disse.
Escorpião-amarelo que picou o menino André Luiz de três anos
O que fazer?
Segundo Eduardo, a primeira orientação é manter a calma e procurar atendimento médico imediatamente. Quanto mais rápido a vítima for avaliada, maiores são as chances de receber o tratamento adequado, especialmente em crianças, idosos e pessoas com sintomas mais intensos.
"Primeiro, acalmar a vítima porque a dor é muito intensa. Depois, é tentar identificar o animal, porque é muito importante levar. Como a picada do escorpião não necessariamente deixa uma marca tão visível, tão fácil de ser reconhecida, levar o animal favorece que você saiba lá o que vai ser feito, e levar a pessoa imediatamente para a unidade de saúde", disse.
O especialista também alertou que não devem ser utilizados produtos caseiros sobre o local da picada nem medicamentos por conta própria, já que essas práticas podem atrapalhar a avaliação médica e até agravar o quadro.
"Não usar remédio caseiro. A gente tem uma crendice popular onde se usa açúcar, azeite, óleo, qualquer coisa que venha na cabeça do pessoal, então evitar esse tipo de produto é muito importante. Depois, não tentar usar nenhum medicamento porque pode prejudicar na identificação dos sintomas ou outro medicamento subsequente na hora do tratamento e procurar uma unidade de saúde", explicou.
Veja onde procurar ajuda:
Hospital Geral de Areias
📍Avenida Recife, 810, Estância - Recife
ℹ️ Unidade de referência com soro antiescorpiônico
Centro de Informação e Assistência Toxicológica de Pernambuco (CIAtox)
ℹ️ Serviço de teleatendimento 24 horas, com orientações sobre intoxicações por medicamentos, produtos químicos, agrotóxicos ou acidentes com animais peçonhentos e indicação da unidade de saúde mais adequada em Pernambuco.
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