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Pesquisas eleitorais: institutos seguem regras de estatística e critérios científicos para registrar cada momento da corrida eleitoral

Até o dia da votação, pesquisas vão mostrar como está a disputa entre os candidatos

G1 — Brasil · 2026-08-14T00:25:16.000Z

Até o dia da votação, pesquisas vão mostrar como está a disputa entre os candidatos

A partir de domingo (16), começa oficialmente a propaganda eleitoral. Até o dia da votação do primeiro turno, no dia 4 de outubro, pesquisas vão mostrar como está a disputa entre os candidatos. Durante toda a coleta desses dados, os institutos seguem regras de estatística e critérios científicos. Veja na reportagem do Pedro Bassan.

Imagine chegar ao dia da votação sem ter a menor ideia sobre as chances dos candidatos. Sem saber como os eleitores reagiram aos fatos da campanha. Essa falta de informação não combina com a democracia. É por isso que pesquisas e eleições são inseparáveis.

“O eleitor vai se informar pelas propostas dos candidatos, debate, horário eleitoral, e a pesquisa é mais uma dessas fontes de informação”, diz Luciana Chong, diretora do Datafolha.

Assim como as eleições têm regras, as pesquisas também têm. São todas registradas no Tribunal Superior Eleitoral. E a ciência estatística permite reproduzir um pequeno Brasil. Com cerca de 2 mil entrevistas, o retrato de um país inteiro.

“A pesquisa começa muito antes da entrevista. Tem todo um planejamento estatístico que cuida da seleção dos municípios, dos setores censitários, dos bairros”, afirma Felipe Nunes, diretor da Quaest e professor da FGV.

Pesquisas eleitorais: institutos seguem regras de estatística e critérios científicos para registrar cada momento da corrida eleitoral

Jornal Nacional/ Reprodução

Os critérios são rigorosos. Por exemplo: segundo o TSE, o Brasil tem 9 milhões de eleitoras a mais do que eleitores. São 53% de mulheres e 47% de homens. A pesquisa tem que ser o espelho desse percentual - e também das faixas etárias, de escolaridade e de renda dos brasileiros.

Se nós enxergamos o Brasil assim, um instituto de pesquisa enxerga assim. O mapa da Quaest leva em conta também dados das últimas eleições nos municípios e regiões do país. Com base nessa divisão, um sorteio define os municípios e locais que o pesquisador vai visitar. Como no exemplo de uma pesquisa anterior.

“A gente leva em consideração aspectos sociais, econômicos e políticos. Então, não só o padrão de escolaridade, renda e idade do eleitor, mas fundamentalmente seu comportamento eleitoral nas últimas eleições. A construção desse mapa colorido vai mostrando o perfil do conjunto de cidades e do conjunto de bairros que vão nos permitir chegar a essa representatividade e garantir que todo tipo de eleitor e todo tipo de município esteja representado na amostra”, explica Felipe Nunes.

A Quaest e o Datafolha têm metodologias diferentes, que se complementam. O Datafolha faz as entrevistas nas ruas, nos chamados pontos de fluxo.

“São pontos localizados dentro dos bairros, e esse tipo de abordagem permite que seja mais fácil abordar tanto pessoas de classes mais altas, que seria difícil entrar em um condomínio fechado, por exemplo, quanto pessoas de classes mais baixas. Aí o pesquisador faz uma abordagem aleatória dos entrevistados. Ele nunca pode entrevistar quem se oferecer para responder à pesquisa”, conta Luciana Chong.

A Quaest vai de porta em porta, depois de sortear ruas e quarteirões específicos. A pesquisa é feita em um tablet com georreferenciamento, que mostra em tempo real onde está cada pesquisador. O responsável pelo controle de qualidade do instituto explica que o tablet é programado para bloquear entrevistas fora da área determinada:

“Ele não pode fazer a entrevista na rua de cima, ele não pode fazer a entrevista na rua de baixo. Ele necessariamente precisa fazer a entrevista respeitando o sorteio estatístico da amostra, que é dentro desse setor censitário, de acordo com o IBGE, um conjunto de ruas”.

Os dois institutos fazem primeiro a pergunta espontânea, sem apresentar o nome de nenhum candidato.

“Ele pode dizer qualquer nome de qualquer candidato, e o entrevistador tem sempre uma instrução anterior que é para anotar exatamente o que aquele entrevistado disse. É uma das perguntas mais importantes porque reflete muito o engajamento do eleitor com as eleições”, diz Luciana Chong.

Pesquisas eleitorais: institutos seguem regras de estatística e critérios científicos para registrar cada momento da corrida eleitoral

Jornal Nacional/ Reprodução

Depois vem a pergunta estimulada, em que a lista de candidatos e partidos é apresentada ao eleitor. Como essas, de pesquisas anteriores.

“O entrevistador mostra um cartão circular com os nomes de todos os candidatos, e a partir daí o entrevistado vai escolher uma das opções. Não existe uma ordem, justamente para nenhum candidato ter mais chance de ser visto do que o outro”, explica Luciana Chong.

Na pesquisa da Quaest, é o próprio entrevistado quem marca a resposta no tablet.

“O nosso entrevistador não pergunta e ouve a resposta de quem é a opção de intenção de voto do entrevistado. Pelo contrário, nosso entrevistador entrega o tablet para o entrevistado e ele é que marca no tablet qual é a opção de voto que ele deseja, que ele tem intenção de votar”, conta Felipe Nunes.

As entrevistas duram cerca de dez minutos, com perguntas sobre rejeição de candidatos, simulações de segundo turno e outros temas. Com o consentimento dos entrevistados, todas as entrevistas são gravadas.

“A gente escuta, por meio de um instrumento de inteligência artificial, 100% das entrevistas para garantir que o padrão está sendo adequado com aquilo que a gente espera, e 30%, 1/3 de toda a amostra, a gente tem um time de analistas que escuta de fato esses 30%. É esse o time de controle de qualidade que garante que o dado que chega para os analistas processarem a informação é um dado de primeira qualidade”, afirma Felipe Nunes.

“Eu consigo saber se de fato o que o entrevistado respondeu foi o que o pesquisador anotou no tablet”, diz Luciana Chong.

O objetivo é garantir entrevistas absolutamente fiéis à opinião do eleitor naquele momento. Prever o resultado das urnas não é objetivo de nenhuma pesquisa. Toda campanha eleitoral tem momentos mais calmos e mais agitados. As pesquisas vão retratando esse clima. Nas eleições, elas podem medir a velocidade do vento e indicar para onde ele está soprando.

“A pesquisa, na verdade, é um instrumento para explicar o que já aconteceu e não para prever o futuro. O nosso trabalho é ter um diagnóstico correto de como está a temperatura eleitoral naquele momento em que a entrevista é conduzida. Ora, entre a entrevista e a urna, muita coisa pode acontecer”, diz Felipe Nunes.

“É muito importante que as pesquisas sejam divulgadas e que o eleitor tenha acesso a essas informações de qualidade, porque a gente sabe que todos os candidatos, partidos, têm as suas próprias pesquisas, mas as pesquisas divulgadas ajudam o eleitor a decidir seu voto de maneira mais objetiva e democrática”, afirma Luciana Chong.

Nesta sexta-feira (14), o Jornal Nacional e o g1 vão publicar a primeira pesquisa Quaest de intenção de voto presidencial contratada pela Globo e pelo jornal "O Globo" para as eleições 2026.

Ao longo do primeiro turno, Globo e emissoras afiliadas vão publicar 130 pesquisas Quaest e Datafolha com a disputa pelo Senado, governos de todos os estados e do Distrito Federal, e Presidência da República. Com essa cobertura, a Globo reafirma seu compromisso de informar, rodada a rodada, como está a corrida eleitoral.

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