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Amazonas registra maior número de mortes de crianças indígenas no país, aponta relatório do Cimi

Dom Leonardo Steiner, arcebispo de Manaus e presidente do Cimi, apresenta o relatório.

G1 — Brasil · 2026-08-14T01:22:59.000Z

Dom Leonardo Steiner, arcebispo de Manaus e presidente do Cimi, apresenta o relatório.

Matheus Santos/Rede Amazônica

O Amazonas registrou 306 mortes de bebês e crianças indígenas de até quatro anos em 2025, o maior número entre os estados brasileiros, segundo relatório divulgado nesta quinta-feira (13) pelo Conselho Indigenista Missionário (Cimi). O levantamento aponta que, em todo o país, 1.024 crianças indígenas nessa faixa etária morreram no ano passado. No Amazonas, o número representa quase um terço do total nacional.

O número de mortes de crianças indígenas no país aumentou em relação a 2024, quando foram registrados 922 óbitos. O Amazonas aparece à frente de Roraima, que teve 158 mortes, e Mato Grosso, com 123.

De acordo com o relatório, 586 mortes registradas no país, o equivalente a 57% do total, ocorreram por causas consideradas evitáveis. Entre elas estão gripe e pneumonia, que provocaram 104 mortes; doenças infecciosas intestinais, responsáveis por 85 óbitos; e desnutrição, que causou 32 mortes.

O documento faz parte do Relatório Violência Contra os Povos Indígenas no Brasil – dados de 2025, divulgado em Brasília. A publicação reúne informações sobre diferentes formas de violência e violações contra povos indígenas no país. Os dados foram levantados pelo Cimi a partir de informações de comunidades indígenas, órgãos públicos e veículos de comunicação, além de bases oficiais de saúde.

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Assassinatos e suicídios de indígenas no Amazonas

Além da mortalidade infantil, o Amazonas também apresentou o maior número de suicídios entre indígenas em 2025. Foram 77 casos, segundo o Cimi. O estado ficou à frente de Mato Grosso do Sul, com 42, e Roraima, com 37. No Brasil, foram registrados 215 suicídios de indígenas no ano passado.

O relatório também aponta que o Amazonas teve 47 assassinatos de indígenas em 2025, ficando atrás apenas de Roraima, que registrou 82 casos. No Brasil, foram 258 assassinatos, número 22% maior que o registrado em 2024.

Além dos 258 assassinatos, o relatório contabilizou 38 tentativas de assassinato, 46 casos de racismo e discriminação étnico-cultural, 33 casos de lesão corporal, 25 casos de violência sexual, 27 ameaças, 18 ameaças de morte e 19 casos de abuso de poder. Somadas a outros registros classificados pelo Cimi como violência contra a pessoa, foram 474 ocorrências em 2025.

Conflitos por terra crescem

O Cimi também identificou aumento dos conflitos relacionados aos direitos territoriais. Foram 169 casos em 23 estados, atingindo 143 Terras Indígenas.

Segundo o relatório, dois terços dos territórios afetados tinham alguma pendência de regularização ou ainda aguardavam providências do Estado para o processo de demarcação.

A publicação contabilizou ainda 210 casos de invasão possessória, exploração ilegal de recursos naturais e outros danos ao patrimônio, que atingiram pelo menos 151 Terras Indígenas em 20 estados.

Nesse caso, a maior parte dos territórios atingidos já era regularizada: 88 terras indígenas, ou 58,3% do total.

No total, o capítulo sobre violência contra o patrimônio reúne 1.276 registros: 897 relacionados à omissão e morosidade na regularização de terras, 169 conflitos relativos a direitos territoriais e 210 casos de invasões, exploração ilegal de recursos naturais e outros danos.

Demarcações de terra

Das 1.443 terras e reivindicações territoriais indígenas contabilizadas pelo Cimi no país, 897 ainda dependem de alguma medida administrativa para regularização. Dentro desse grupo, 582 não tiveram nenhuma providência para iniciar o processo de demarcação.

Em 2025, nove Terras Indígenas tiveram relatórios de identificação e delimitação publicados pela Funai, dez receberam portarias declaratórias do Ministério da Justiça, sete foram homologadas e cinco registradas como patrimônio da União, concluindo o processo de regularização fundiária.

O relatório também relaciona o cenário registrado em 2025 às disputas políticas e jurídicas envolvendo os direitos territoriais dos povos indígenas, incluindo a Lei 14.701/2023, conhecida como Lei do Marco Temporal.

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