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Peixes têm 'impressão digital' que revela de onde vieram, mostra estudo; entenda

Conservação Internacional/Átila Ximenes

G1 — Brasil · 2026-08-14T06:00:47.000Z

Conservação Internacional/Átila Ximenes

Peixes também têm impressão digital. É o que mostrou uma pesquisa da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), feita com a tainha brasileira.

Os pesquisadores analisaram pequenas moléculas presentes no músculo da tainha para identificar de onde o peixe veio. A combinação dessas substâncias funciona como uma "impressão digital química".

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O estudo conseguiu diferenciar tainhas capturadas em três locais do Brasil. Os pesquisadores encontraram diferenças na composição dos músculos relacionadas ao ambiente em que os peixes vivem, à quantidade de sal na água, à alimentação e ao funcionamento do organismo.

Os cientistas também identificaram 23 compostos químicos naturais no músculo das tainhas. Essas substâncias ajudam a mostrar como o organismo dos peixes funciona, incluindo informações sobre gasto de energia, atividade muscular, alimentação e adaptação ao ambiente.

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Para fazer a análise, os pesquisadores usaram uma técnica semelhante a um "raio-X químico": a Ressonância Magnética Nuclear de Hidrogênio. O método permite mapear a posição dos átomos de hidrogênio presentes nas moléculas.

A técnica foi associada à metabolômica, que permite analisar pequenas moléculas produzidas pelo organismo durante as reações químicas do dia a dia.

O estudo foi desenvolvido pelos pesquisadores Fabíola Fogaça, da Embrapa Agroindústria de Alimentos (RJ), e Luiz Colnago, da Embrapa Instrumentação (SP).

Fabíola Fogaça inserindo a tainha no "raio x químico"

Uso na prática

A descoberta pode ajudar o setor pesqueiro e a criação de mecanismos para certificar a origem dos pescados.

Segundo os cientistas, a tecnologia pode auxiliar a combater fraudes no mercado de pescados, como a substituição de uma espécie por outra e a falsificação da origem do produto.

Além disso, a impressão digital química pode ser usada de base técnica para o pedido de Indicação Geográfica (IG), na modalidade Denominação de Origem, da tainha da Lagoa de Araruama.

A Lagoa de Araruama fica no Rio de Janeiro e é considerada a maior lagoa com concentração de sais permanente do mundo. A água tem salinidade média de 52%, mais alta que a do mar. Essa característica influencia diretamente o metabolismo das tainhas que vivem na região.

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