ITATIBA1

Como uma visita a uma ilha reacendeu tensões entre Rússia e Japão

Vladimir Putin faz 1ª visita estatal às Ilhas Curilhas

G1 — Mundo · 2026-08-14T06:00:38.000Z

Vladimir Putin faz 1ª visita estatal às Ilhas Curilhas

Rússia e Japão trocaram duras críticas nesta quinta-feira (13) após o presidente russo, Vladimir Putin, visitar pela primeira vez uma das ilhas disputadas pelos dois países no Pacífico Norte desde 2010.

✅ Siga o canal de notícias internacionais do g1 no WhatsApp

Putin foi a Iturup, uma das quatro ilhas que a Rússia controla desde o fim da Segunda Guerra Mundial, mas que são reivindicadas pelo Japão. Tóquio considera o território parte dos chamados Territórios do Norte, enquanto Moscou o inclui nas Curilhas do Sul.

Durante a visita, Putin foi a uma escola, visitou uma unidade de processamento de pescado e chegou a provar caviar. Em um vídeo divulgado pelo Kremlin, o presidente russo brincou sobre o clima da região: "Parece um resort".

O presidente russo Vladimir Putin conversa com representantes de agências de notícias internacionais durante o Fórum Econômico Internacional de São Petersburgo, na Rússia.

A primeira-ministra japonesa, Sanae Takaichi, reagiu à viagem e classificou a visita como "absolutamente inaceitável". "Fere os sentimentos do povo japonês", declarou.

O ministro das Relações Exteriores do Japão, Toshimitsu Motegi, também convocou o embaixador russo em Tóquio, Nikolai Nozdrev, para apresentar um "enérgico protesto".

A Rússia rejeitou as críticas. A porta-voz do Ministério das Relações Exteriores russo, Maria Zakharova, classificou as declarações japonesas como "juridicamente infundadas" e acusou Tóquio de manter uma "política antirrussa que beira a hostilidade".

"Tóquio volta a estar obcecada por discursos revisionistas", acrescentou.

Mapa mostra onde ficam as Ilhas Curilhas, disputadas entre o Japão e a Rússia.

Dhara Pereira/Arte g1

A disputa pelas ilhas impede Rússia e Japão de assinarem um tratado de paz que encerre formalmente as hostilidades da Segunda Guerra Mundial.

As quatro ilhas, Iturup, Kunashir, Shikotan e Habomai, foram ocupadas pela União Soviética em 1945, nos últimos dias da guerra. Cerca de 20 mil russos vivem atualmente na região.

O Japão reivindica as ilhas com base em um tratado assinado em 1855, que estabeleceu a fronteira entre os dois países.

A Rússia, por outro lado, argumenta que as Curilhas foram destinadas à União Soviética durante a Conferência de Yalta, em fevereiro de 1945.

As relações entre os dois países pioraram ainda mais depois da invasão russa da Ucrânia, em 2022. O Japão aderiu às sanções ocidentais contra a Rússia e, pela primeira vez desde 2003, passou a classificar as ilhas do sul das Curilhas como território "ocupado ilegalmente".

Na quarta-feira (12), Putin criticou as sanções japonesas e afirmou que a Rússia não representa uma ameaça para o Japão.

"O Japão identificou a Rússia como uma grande fonte de ameaças. Gostaria de ressaltar que não estamos ameaçando o Japão", disse.

Navio japonês navega entre ilhas do Japão e da Rússia. Ao fundo, uma das ilhas Curilas, território disputado entre os dois países.

Issei Kato/File Photo/Reuters

A visita de Putin ocorre em meio ao aumento da tensão militar no entorno do Japão.

Um dia antes de viajar a Iturup, o presidente russo esteve na ilha de Sacalina, onde a Marinha russa realizava exercícios militares. Segundo a imprensa estatal russa, Putin também participou de uma reunião sobre a "garantia da segurança das fronteiras orientais da Rússia".

Putin também estreitou a cooperação militar com a China. Forças navais e aéreas dos dois países realizam exercícios conjuntos em áreas próximas ao Japão, levando aeronaves japonesas a decolar em estado de alerta centenas de vezes por ano.

A Coreia do Norte, que neste mês criticou o reforço militar japonês, também apoia a Rússia na guerra contra a Ucrânia com o envio de soldados e munições.

A ONU pediu que os dois países ajam com "moderação". Segundo o porta-voz do secretário-geral António Guterres, a disputa é uma questão bilateral entre Estados-membros, e Rússia e Japão devem evitar ações que possam aumentar as tensões.

*Com informações da AFP.

VÍDEOS: agora no g1

Agora no g1

Leia no Itatiba1 →