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Número de inadimplentes bate recorde em BH
G1 — Brasil · 2026-08-14T07:00:55.000Z
Número de inadimplentes bate recorde em BH
O percentual de famílias que não têm condições de quitar as dívidas bateu recorde em Belo Horizonte.
Segundo pesquisa analisada pelo Núcleo de Estudos Econômicos da Fecomércio MG e aplicada pela Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), 65,3% das famílias da capital mineira estavam com contas atrasadas em julho. Além disso, 31,2% declararam não ter condições de quitar essas dívidas, o maior percentual de toda a série histórica da pesquisa, iniciada em 2014.
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O estudo apontou ainda que, entre as famílias com contas pendentes, 51,2% informaram estar com pagamentos atrasados há mais de 90 dias. De acordo com a Fecomércio, o indicador demonstra o agravamento da inadimplência em BH.
Cartão de crédito é o maior 'vilão'
O cartão de crédito é a principal fonte de endividamento dos consumidores, presente em 96,6% dos casos. Em seguida aparecem os carnês de lojas (33,1%), financiamentos de veículos (9,4%), crédito pessoal (7,9%) e financiamentos habitacionais (6,3%).
A técnica em contabilidade Andreza Bittencourt atrasou o pagamento do cartão de crédito. Ela fez dois empréstimos, mas ainda não conseguiu colocar a vida financeira em ordem.
"Eu não estava esperando por situações que passei. Tive que dar prioridade para essas situações em vez de pagar as coisas, e a dívida virou um bolo", disse.
Consumo fica restrito
Segundo a Fecomércio, o aumento prolongado da inadimplência tende a restringir o consumo, reduzir o acesso ao crédito e impactar negativamente a atividade econômica local.
A estudante Tabata da Silva contou que, quando tem muita conta para pagar, dá prioridade para o que for "mais importante".
"Quando o meu cartão de crédito está alto, eu evito sair para os lugares que eu gosto para me divertir, evito gastar com comida de aplicativo, basicamente. Guardo o dinheiro só para pagar o que for mais importante", falou.
Importância do planejamento financeiro
Gabriela Martins, economista da Fecomércio MG, destacou que a utilização do crédito não é necessariamente ruim – o problema é quando isso acontece sem o planejamento financeiro adequado.
"O endividamento por si só não é ruim, significa que as famílias estão tendo acesso ao crédito e podendo consumir por meio dele. Entretanto, a inadimplência é quando as pessoas não têm condições de quitar seus compromissos financeiros, e aí gera uma série de efeitos negativos para o orçamento familiar", disse.
Segundo ela, é importante que as pessoas tenham consciência do momento financeiro antes de assumirem novos compromissos.
"A gente precisa enxergar todas as contas, fazer planilhas ou usar aplicativos, enxergar qual é o momento financeiro da família, identificar quais são os compromissos e os prazos e pagar sempre as dívidas com maiores juros e, depois, as dívidas com juros menores", explicou.
Dinheiro de caixa
TV Globo/ Reprodução
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