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A vida sem Memphis: Corinthians fez mais do que voltar respirando de Rosario

Rosario Central 0 x 0 Corinthians | Melhores momentos | CONMEBOL Libertadores 2026

ge — Futebol · 2026-08-14T10:00:10.000Z

Rosario Central 0 x 0 Corinthians | Melhores momentos | CONMEBOL Libertadores 2026

Antes de mais nada, o Corinthians precisava voltar respirando de Rosario. Não era tarefa simples, pois o Rosario Central é um dos times mais sólidos do futebol argentino e seu fator local é capaz de fazer tremer mesmo as almas mais serenas.

O time de Fernando Diniz, porém, conseguiu ir além da proposta inicial: o empate sem gols deixa a classificação para as quartas da Libertadores brilhando no horizonte de Itaquera. No âmbito esportivo, era tudo que o clube precisava em uma semana marcada pelo atribulado rompimento com Memphis Depay.

O episódio lamentável da noite foram as ofensas racistas dirigidas a Hugo Souza. O goleiro reclamou com o árbitro Andrés Matonte, que fez o sinal de protocolo antirracismo, mas não paralisou o jogo. É uma situação vexatória que se repete com a conivência da Conmebol e compromete o próprio espírito da Libertadores.

Dentro de campo, com a tensão praticamente palpável em cada centímetro do Gigante de Arroyito, canallas e corinthianos se lançaram campo afora para protagonizar um jogo que remetia aos tempos imemoriais da Libertadores -- gritaria na arquibancada, rusgas dentro de campo e até algum futebol. E o resultado foi um duelo que transcorreu de forma trepidante, mesmo sendo tecnicamente pobre.

Copa Libertadores - Rosario Central v Corinthians

No meio desse rebuliço de emoções, o Corinthians teve um desempenho elogiável. Conseguiu aliviar a pressão mantendo alguma posse de bola e inviabilizou a influência de Ángel Di María, o homem que carrega a responsabilidade de colocar a equipe rosarina nos trilhos.

Conforme o astro mundialista era vigiado, o colombiano Campaz ficou sobrecarregado e o centroavante Coppeti praticamente não apareceu. Na verdade, depois da transferência de Alejo Véliz para o Bahia, um par de meses atrás, o comando do ataque é um dos principais gargalos do time bem estruturado por Jorge Almirón.

Com o jogo sob controle, ainda que nervoso, na primeira etapa Hugo fez apenas uma defesa importante, e o Corinthians quase achou um gol precioso após cobrança de falta, com a bola beijando a trave canalla duas vezes no mesmo lance. Após o intervalo, o time argentino conseguiu empurrar o Corinthians para o seu campo. Di María achou mais espaços, e isso é sempre um problema.

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No entanto, a equipe corinthiana teve o irreparável mérito de defender sua área como se fosse a última fatia de terra habitável do planeta. Tanto que o Rosario Central finalizou apenas duas vezes na direção do gol. Tamanho era o empenho alvinegro que nem a expulsão de Allan, que fazia excelente partida, nem a entrada do já veterano ídolo canalla Marco Rubén conseguiram alterar o cenário.

A zaga corinthiana teve uma noite impecável, bem como o incansável Matheuzinho. Na frente, Kaio César era uma usina de vontade para oferecer o necessário desafogo. Seria possível argumentar que o Corinthians praticamente não mostrou produção ofensiva e que o jogo deixou ainda mais evidentes os problemas criativos da equipe.

No entanto, em um cenário tão hostil e exigente, seria muito preciosismo. O Corinthians viajou para Rosario com o objetivo de chegar vivo em Itaquera. E assim o fez -- a arte de jogar futebol podia ficar para a semana que vem.

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