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Sequestro, fuga ao Paraguai e rastreador: entenda como bebê de MS foi encontrada
G1 — Brasil · 2026-08-14T13:33:51.000Z
Sequestro, fuga ao Paraguai e rastreador: entenda como bebê de MS foi encontrada
O sequestro da bebê Ayla Emanuelly, resgatada no Paraguai três dias após o sumiço, foi planejado por Suzilaine da Graça Costa antes mesmo do nascimento da criança. A informação foi divulgada pela Polícia Civil em entrevista coletiva nesta sexta-feira (14).
A investigação concluiu que a mãe da bebê, uma adolescente de 17 anos, foi dopada e mantida em cárcere privado no dia do crime. Além de Suzilaine, foram presos e indiciados por sequestro o marido dela, Alex Melo de Abreu, e um amigo que ajudou na ação. O g1 não encontrou as defesas dos suspeitos até a última atualização desta reportagem.
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Após uma avaliação psicossocial, a Justiça autorizou o retorno da recém-nascida para a mãe. Ayla foi entregue à família nesta quinta-feira (13), sete dias após
ter sido sequestrada.
Gravidez falsa e ensaio fotográfico como isca
Mulher foi presa suspeita de sequestro em Campo Grande.
Polícia do Paraguai/Reprodução
Conforme a delegada Anne Karine, da Delegacia Especializada de Proteção à Criança e ao Adolescente (Depca), Suzilaine fingiu estar grávida para a própria família e se aproximou da mãe de Ayla ainda durante a gestação.
"A suspeita disse que estava grávida. Ela disse que tinha feito uma curetagem na Santa Casa, mas a gente acredita que ela nunca esteve grávida. Ela falava tanto que estava grávida, para todos".
Ayla tinha menos de um mês de vida quando foi levada, em 6 de agosto, em Campo Grande. A recém-nascida foi encontrada na madrugada de domingo (9), em Pedro Juan Caballero, no Paraguai, após mais de 48 horas de buscas em uma operação conjunta entre policiais dos dois países.
Segundo a polícia, o plano para ficar com a recém-nascida começou ainda durante a gravidez da adolescente. A delegada explicou que a suspeita inventou a gravidez para os familiares e passou a sustentar a mentira. Nesse período, ela entrou em grupos de WhatsApp de compra, venda e doação de enxovais.
"Ela realmente planejou esse sequestro porque tinha o intuito de ter uma filha. Ela buscou outras gestantes que dariam à luz na mesma época da Ayla, só que ela queria uma menina. Então, ela buscou, ela arquitetou tudo isso durante um bom tempo para conseguir", explicou a delegada.
Nesses grupos, Suzilaine conheceu a mãe de Ayla. A adolescente procurava doações de roupas e itens para a filha que ia nascer. Conforme o inquérito, as duas passaram a conversar e a suspeita conquistou a confiança da jovem. A polícia acredita que Suzilaine esperou o nascimento de Ayla para colocar o plano em prática. A mulher chegou a oferecer um ensaio fotográfico como isca para a mãe da bebê.
Mulher induziu mãe ao cativeiro
Após o nascimento de Ayla, a adolescente foi atraída a uma casa com a promessa de receber R$ 100 para cuidar de outro bebê. Ela foi acompanhada da irmã, de 12 anos, e da filha recém-nascida.
No imóvel, a jovem foi dopada e mantida em cárcere privado, momento em que a criança foi levada. Em depoimento, a mãe de Ayla relatou que Suzilaine ofereceu água para ela e para a irmã. A adolescente disse que não dormiu, mas a irmã de 12 anos adormeceu e só acordou por volta das 20h.
A jovem também contou que foi ameaçada para entregar a filha. Segundo ela, a suspeita afirmou que, se houvesse recusa, ela e a irmã seriam "jogadas em um buraco".
Para a delegada Anne Karine, a retirada de Ayla não foi uma ação improvisada, mas sim o desfecho de um plano arquitetado antes mesmo do parto.
Fuga para o Paraguai
Logo após o crime, Suzilaine fugiu com a bebê para o Paraguai. Segundo a polícia, ela e o marido pretendiam morar no país vizinho.
A recém-nascida foi localizada na madrugada de domingo (9) em uma casa em Pedro Juan Caballero, cidade paraguaia que faz fronteira com o Brasil. Suzilaine e o marido, Alex Melo de Abreu, estavam no local e foram presos.
Os policiais encontraram a menina após mais de 48 horas de buscas. O rastreamento de celulares e o cruzamento de dados permitiram que a equipe descobrisse a fuga para o Paraguai e localizasse o imóvel.
A operação mobilizou forças de segurança dos dois países por meio do Comando Bipartite, que reúne policiais brasileiros e paraguaios. Agentes da unidade antissequestro do Paraguai também participaram da ação.
O caso marcou o primeiro acionamento do Amber Alert Brasil em Mato Grosso do Sul. O mecanismo é usado para ampliar a divulgação de informações sobre crianças e adolescentes desaparecidos em situação de risco.
Polícia descarta venda da bebê
A Polícia Civil descartou a hipótese de venda da bebê. A investigação confirmou que Suzilaine pretendia criar a criança como se fosse sua filha, tese reforçada pela falsa gravidez que ela sustentava.
Três pessoas foram presas durante a investigação. Além de Alex e Suzilaine, encontrados com Ayla no Paraguai, um homem foi detido em Campo Grande. Segundo a polícia, ele teria alugado o imóvel usado durante o crime.
Alex também era foragido da Justiça do Amazonas. Ele foi condenado a 11 anos e seis meses de prisão, em regime fechado, por homicídio e, segundo as autoridades paraguaias, usava uma identidade falsa.
Em nota enviada anteriormente ao g1, a defesa do homem preso em Campo Grande afirmou que pretende demonstrar que ele não tem relação direta com os fatos investigados.