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Funcionária suspeita de desviar cerca R$ 500 mil disse que ganhou o valor no 'tigrinho', diz delegado

Funcionária é suspeita de desviar R$ 1 milhão de supermercado e ostentar vida de luxo

G1 — Brasil · 2026-08-14T17:54:40.000Z

Funcionária é suspeita de desviar R$ 1 milhão de supermercado e ostentar vida de luxo

A funcionária de 22 anos suspeita de desviar cerca de R$ 500 mil de um supermercado de Aparecida de Goiânia chegou a alegar que teria ganhado o valor fazendo apostas, como no "jogo do tigrinho", segundo a Polícia Civil. Ao g1, o delegado Henrique Berocan explicou que ela ostentava uma vida de luxo e era usuária de plataformas de jogos de azar.

Em nota, a defesa da mulher afirmou que ela foi falsamente acusada dos desvios e que a acusação, na verdade, seria de um valor de cerca de R$ 1 mil. A defesa reforçou que vai contestar as acusações ao longo do processo (leia a nota completa ao final do texto).

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A jovem foi presa na segunda-feira (10) suspeita de desviar os valores ao longo de 2 anos. De acordo com o delegado, a funcionária chegou a usar o dinheiro para dar um carro ao marido dela, para que ele trabalhasse como motorista de aplicativo, e não escondia os gastos que seriam incompatíveis com a renda que ela tinha, de cerca de R$ 3 mil por mês.

"Ela não tentou lavar o dinheiro, a gente desconfia que ela comprou imóveis, essas coisas [...]. Ela tentou justificar a origem da renda totalmente incompatível com o salário que ela tem, que é de R$ 3 mil. Ela tinha um iPhone 17 Pro Max, uma tatuagem nas costas de R$ 5 mil", disse o investigador.

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A mulher foi solta pela Justiça após passar por uma audiência de custódia na terça-feira (11), segundo dados do Tribunal de Justiça de Goiás (TJ-GO). De acordo com a polícia, ela não tem passagens criminais e será investigada por furto qualificado.

Ainda segundo o delegado, caso fique comprovado que o marido da suspeita sabia dos desvios, ele também pode responder por receptação, por ter comprado um carro no nome dele com o dinheiro da companheira.

Funcionária de supermercado é suspeita de desviar R$ 500 mil de caixa e levar vida de luxo

Segundo o delegado Henrique, a suspeita trabalhava em uma grande rede de supermercados de Aparecida de Goiânia há cerca de 5 anos, tendo conquistado a confiança do dono do estabelecimento. De acordo com ele, a funcionária também ajudava a cuidar da parte financeira do estabelecimento.

"Ela tinha total acesso ao caixa. Ela era praticamente o financeiro da vítima, não só nessa empresa, mas em outras. O supermercado é um dos maiores da região", afirmou o investigador.

Henrique contou que o dono começou a desconfiar dos desvios e passou a monitorar a suspeita, e descobriu que ela fazia anotações falsas sobre os valores que entravam no comércio, para desviar parte do dinheiro. De acordo com o boletim de ocorrência, em um dos casos, a funcionária chegou a movimentar cerca de R$ 14 mil, sendo R$ 1,6 mil em espécie, mas somente R$ 270 foram depositados.

O delegado acredita que ela possa ter desviado por volta de R$ 500 mil ao longo de 2 anos. O investigador pontuou que a polícia ainda vai tentar recuperar o dinheiro, pedindo o sequestro de bens e valores e a quebra de sigilo bancário.

Nota da defesa

"A defesa da investigada, diante da repercussão pública que vem sendo atribuída ao caso, esclarece que as informações divulgadas não refletem os fatos e sequer correspondem ao que foi efetivamente registrado no procedimento policial. Inicialmente, causa especial surpresa à defesa a divulgação de valores totalmente destoantes daqueles que constaram da própria ocorrência que deu origem à prisão ilegal.

O forjado flagrante fazia referência a suposto desvio de pouco mais de R$ 1 mil, sendo, portanto, absolutamente incompatível com a imputação de desvio milionário que passou a ser publicamente veiculada. A prisão já foi submetida ao Poder Judiciário, que, em audiência de custódia, reconheceu sua ilegalidade e restituiu imediatamente a liberdade da investigada.

A defesa registra, ainda, que houve ingresso na residência da investigada durante o período noturno e sem mandado judicial, circunstância totalmente ilegal. Apesar da medida arbitrária, não foram encontrados na residência valores ou quaisquer outros elementos que confirmassem a narrativa de desvio patrimonial que vem sendo divulgada.

Também preocupa a defesa a dimensão midiática que vem sendo conferida ao episódio, especialmente pela divulgação de informações que extrapolam os próprios elementos que deram origem à ocorrência policial.

A investigação deve transcorrer pelos meios legalmente previstos, com respeito ao devido processo legal, à presunção de inocência e aos direitos fundamentais da investigada, e não por meio de prejulgamentos ou exposição pública desproporcional. A investigada mantém vínculo profissional há mais de cinco anos com a empresa envolvida, e a defesa está igualmente atenta a eventuais repercussões da situação sobre essa relação de trabalho, que deverão observar rigorosamente a legislação aplicável e não podem ser antecipadas ou legitimadas por acusações levianas.

Por respeito à investigação e, sobretudo, para preservar a investigada de exposição ainda maior, a defesa não autoriza a divulgação de seu nome, de sua imagem ou de elementos que violem sua privacidade e, neste momento, não antecipará publicamente outros elementos probatórios, nem teses defensivas.

A defesa confia no esclarecimento dos fatos pelas autoridades competentes e reafirma que as imputações serão firmemente contestadas pelos meios próprios, com a demonstração, no curso da investigação, da realidade dos acontecimentos e da falsidade das acusações."

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