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A fruta 'prima' do mamão que se come do caule à raiz e vira sobremesa e até prato salgado

Ana Maria Braga conhece o doce de jaracatiá

G1 — Brasil · 2026-08-15T09:00:39.000Z

Ana Maria Braga conhece o doce de jaracatiá

Pouco conhecido em outras partes do Brasil, mas tradicional em Mato Grosso do Sul, o jaracatiá é um fruto da mesma família do mamão que pode ser usado em doces, sorvetes, geleias e até receitas salgadas. Além do fruto, partes da planta também são aproveitadas na culinária do Cerrado e do Pantanal. Veja o vídeo acima.

Encontrado em diferentes regiões do país, o jaracatiá também tem importância para a conservação da biodiversidade e para o uso sustentável dos recursos naturais.

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Em Mato Grosso do Sul, três espécies são encontradas:

Dependendo da espécie, o fruto, a medula do caule e até uma estrutura subterrânea da planta podem ser aproveitados em diferentes preparos.

Entre as receitas estão doces, rapaduras, geleias e sorvetes. Em Bonito, por exemplo, são comercializados doces e sorvetes feitos com a medula do caule do jaracatiá. Já em Corumbá, a espécie mais conhecida é a Jacaratia corumbensis, de sabor doce e usada principalmente no preparo de sobremesas.

Bombom de Jaracatiá

Jaracatiá Bombons do Cerrado/Redes sociais

Onde o jaracatiá é encontrado?

Dados do projeto de extensão “Valorização de Plantas Alimentícias do Pantanal e do Cerrado”, da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS), indicam que existem sete espécies de jaracatiá distribuídas entre o México e o norte da Argentina.

Segundo o boletim informativo da UFMS, as espécies de jaracatiá têm distribuição diferente conforme o ambiente.

A Jacaratia corumbensis ocorre principalmente em áreas de clima seco, como a Caatinga e o Chaco (Pantanal). A espécie também é encontrada em estados do Centro-Oeste e do Nordeste, além de Minas Gerais e Tocantins;

Já a Jacaratia heptaphylla e a Jacaratia spinosa são encontradas principalmente em áreas de Mata Atlântica;

A Jacaratia heptaphylla ocorre no Sudeste, na Bahia e em Mato Grosso do Sul;

Já a Jacaratia spinosa também tem distribuição mais ampla e está presente em boa parte do território brasileiro.

Um dos idealizadores do boletim é Thomáz da Silva Guerreiro Botelho, doutor em Ensino de Ciências pelo Programa de Pós-Graduação em Ensino de Ciências da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS). Ele explica que o jaracatiá é um recurso natural que deve ser utilizado de maneira responsável.

"Temos que pensar também em novas estratégias de cultivo consciente e na valorização dessa espécie em áreas de restauração, reconhecendo-o como algo valioso, garantindo que futuras gerações também possam desfrutar de seus benefícios, seja para alimentação, medicina ou cultura. Conservar o jaracatiá e proteger a biodiversidade e os saberes tradicionais que o cercam".

Como são as flores e os frutos?

O especialista explica que as flores femininas e masculinas nascem em plantas diferentes. Por isso, o jaracatiá depende de polinizadores para produzir frutos. As flores são pequenas e podem ser brancas, cremes ou esverdeadas. Elas se abrem no início da noite e podem ser polinizadas por até três dias.

As flores são pequenas e podem ser brancas, cremes ou esverdeadas. Elas se abrem no início da noite e podem ser polinizadas por até três dias.

Durante a noite, a polinização é feita principalmente por mariposas. Ao longo do dia, as borboletas também participam desse processo.

Quando amadurecem, os frutos ficam alaranjados. O jaracatiá pode ser consumido fresco ou usado em diferentes preparos culinários.

Jaracatiá, também conhecido como "mamão bravo".

Segurança alimentar e nutricional

Segundo o projeto de extensão, os frutos das três espécies de jaracatiá são doces. Quando bem maduros, podem ser consumidos ao natural ou usados em preparos cozidos e assados.

No caso da Jacaratia spinosa, os frutos têm alto teor de água, baixo valor calórico e baixos teores de lipídios e carboidratos.

Além disso, os teores de fibras e de alguns minerais, como cálcio, magnésio e potássio, são pelo menos duas vezes maiores que os encontrados no mamão comum (Carica papaya). O fruto também possui compostos bioativos e antioxidantes.

A medula do caule da Jacaratia spinosa é rica em açúcares solúveis e aminoácidos. Já o xilopódio — estrutura subterrânea semelhante a uma raiz — da Jacaratia corumbensis é rico em proteína solúvel.

Época de produção

A Jacaratia corumbensis frutifica de agosto a março, com frutos maduros a partir de novembro. Já a Jacaratia heptaphylla frutifica de março a maio.

Já a Jacaratia spinosa pode frutificar por quatro a seis meses, entre novembro e junho, dependendo da região do estado. Os frutos começam a amadurecer entre dezembro e janeiro.

Os frutos devem ser colhidos quase maduros, pois estragam com facilidade quando estão totalmente maduros. Após a colheita, devem ser higienizados e mantidos sob refrigeração.

A medula do caule da Jacaratia heptaphylla é usada no preparo de geleias e marmeladas. Em Bonito, são comercializados sorvetes e doces feitos com a medula do caule.

Em Corumbá, a espécie mais conhecida é a Jacaratia corumbensis, de sabor doce e normalmente usada no preparo de sobremesas.

O doutor em Ensino de Ciências pelo Programa de Pós-Graduação em Ensino de Ciências da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS), Thomáz da Silva Guerreiro Botelho, ensinou a receita abaixo em entrevista à universidade.

Doce de jaracatiá em calda

Caule verde de jaracatiá. Nesta receita, Thomáz usou o caule de Jacaratia corumbensis, popularmente conhecido como mamão-bravo.

Água para lavagem e cozimento.

Ingredientes da calda

1 litro de água;

1 kg de açúcar para cada kg de pedaços ou massa ralada;

Cravo-da-índia e canela em pau a gosto (opcionais).

Modo de preparo: medula do caule

Com uma faca, retire a casca verde do caule e use apenas a parte interna, branca e macia, chamada de medula. Use luvas para retirar a casca, pois o látex (“leite”) atrapalha o manuseio.

Corte a medula em cubos pequenos ou rale em tiras finas. Depois, é imprescindível retirar o “leite”. Para isso, lave bem os pedaços ou tiras em água corrente e deixe de molho por uma hora.

Descarte a água do molho, escorra em uma peneira e lave bem até que toda a espuma saia. Coloque a medula em uma panela com bastante água e deixe ferver por 10 a 15 minutos para remover o “leite”.

Repita o processo, trocando a água uma ou duas vezes, até que os pedaços fiquem claros e sem amargor.

Modo de preparo: calda

Misture o açúcar e a água em uma panela limpa. Leve ao fogo médio. Se quiser, acrescente o cravo e a canela para aromatizar o doce.

Mexa até a calda ficar transparente.

Modo de preparo: doce

Adicione os pedaços ou as tiras cozidas à calda;

Cozinhe em fogo baixo, mexendo por vezes, até que fiquem transparentes e a calda atinja uma textura mais consistente ou cremosa. O processo leva de 40 a 60 minutos.

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