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Após aviso da polícia, Discord demorou 25 minutos para derrubar live que vitimou menina
G1 — Brasil · 2026-08-15T11:33:02.000Z
Após aviso da polícia, Discord demorou 25 minutos para derrubar live que vitimou menina
A plataforma Discord enviou à Agência Nacional de Proteção de Dados (ANPD), na noite desta sexta-feira (14), os esclarecimentos demandados pela agência após a determinação de suspensão das transmissões ao vivo da plataforma no Brasil.
No documento, o aplicativo afirma que atua continuamente para que o ambiente digital seja seguro e saudável, rechaçando qualquer prática de violência, automutilação ou incitação a atos lesivos".
💻O Discord é uma plataforma de comunicação amplamente utilizada por jogadores de games online e também por adolescentes. A empresa tem sido alvo de críticas e investigações relacionadas a falhas na moderação de conteúdo e na verificação da idade dos usuários.
A empresa tinha até essa sexta-feira (14) para entregar os esclarecimentos demandados pela agência, em resposta à determinação e esclarecendo quais são os mecanismos de proteção de crianças e adolescentes adotados no aplicativo.
🔎A ANPD é uma agência reguladora vinculada ao Ministério da Justiça e Segurança Pública e tem, entre suas atribuições, zelar pela proteção de dados pessoais.
Os argumentos apresentados
No documento entregue às 23h51, minutos antes do fim do prazo, os advogados da empresa citaram os seguintes mecanismos de controle:
Políticas de verificação de idade: a orientação é que "na ausência de verificação conclusiva, a conta seja tratada com as restrições padrão aplicáveis ao público adolescente";
"Central da Família" como solução de controle dos pais, afirmando que a ferramenta permite "monitorar os servidores integrados, a lista de amigos e o tempo de uso dos jovens, além de impor travas para transações financeiras e interações com desconhecidos";
Sobre problemas apontados pela agência e o caso específico de uma adolescente de 13 anos que teria sido induzida a tirar a própria vida na plataforma (entenda mais abaixo), o Discord alegou:
que as transmissões que motivaram a medida ocorreram em um grupo privado e que o Discord agiu rapidamente depois de ser comunicado pela polícia;
Como justificativa para não ter bloqueado as imagens antes, o aplicativo alega que as chamadas de voz e vídeo têm criptografia, o que impede o monitoramento direto do conteúdo ao vivo;
a empresa alega que depende de denúncias de usuários, inteligência artificial e avisos das autoridades;
e pede que a ANPD trate a situação como um caso isolado, sustentando que adotou todas as medidas de emergência cabíveis.
Discord tem até esta sexta (14) para concluir respostas
Na última semana, a primeira-dama Janja da Silva afirmou que era necessário retirar do ar, "imediatamente", a plataforma Discord.
Ela citou o caso de uma menina de 13 anos que teria sido induzida, por um grupo de adolescentes, a cometer suicídio durante uma transmissão na plataforma.
A ação motivou uma operação da Polícia Federal, deflagrada em 4 de agosto. Entre os presos na operação estão cinco adolescentes, de idades entre 13 e 17 anos, e um homem de 18 anos. O chefe do grupo criminoso é um menino de 14 anos, que foi apreendido no Rio.
O Discord prestou esclarecimentos sobre o caso, e alegou no documento que houve a "remoção integral do canal e a suspensão das contas envolvidas em menos de 25 minutos".
A empresa afirmou também que avaliações técnicas preliminares indicam que o ato consumado não foi transmitido pela plataforma, e que repassou dados e registros aos investigadores.
Denúncias contra o Discord aumentaram
Documentos do Ministério da Justiça e Segurança Pública mostram, porém, que o uso do Discord em crimes não é um fenômeno restrito ao episódio que levou à decisão da ANPD.
Segundo documento enviado pelo ministério ao Congresso há cerca de 15 dias, já foram identificadas pelo menos sete operações policiais, entre 2023 e 2026, envolvendo crimes nos quais houve uso da plataforma.
O documento afirma que o Ciberlab, estrutura do Ministério da Justiça voltada à análise de ameaças no ambiente digital, identificou de forma recorrente a utilização de servidores e comunidades do Discord para compartilhamento de conteúdos relacionados a crueldade contra animais, automutilação, incitação ao suicídio, exposição de violência gráfica, disseminação de ideologias extremistas, cyberbullying organizado e coerção psicológica.
O ministério também cita transmissões ilícitas envolvendo vítimas vulneráveis, inclusive menores de idade.
"O CIBERLAB tem identificado, de forma recorrente, a utilização de servidores e comunidades hospedadas na plataforma Discord para compartilhamento e conteúdos relacionados a crueldade contra animais, automutilação, incitação ao suicídio, exposição de violência gráfica, disseminação de ideologias extremistas, cyberbullying organizado, coerção psicológica e transmissões ilícitas envolvendo vítimas vulneráveis, inclusive menores de idade", diz o documento.
O Ministério da Justiça informou ainda que, conforme manifestação da Polícia Federal, existem investigações em andamento envolvendo o uso de plataformas digitais, entre elas o Discord, para a prática de diversos crimes.
Entre os delitos citados estão crimes de ódio, indução à automutilação, exploração sexual, cyberbullying e outras condutas violentas. Segundo o ministério, crianças e adolescentes aparecem com frequência nas investigações tanto como vítimas quanto como autores.
Suspensão das transmissões
A ANPD determinou nesta quarta-feira (12) a suspensão das transmissões ao vivo do Discord em território brasileiro. A decisão é uma medida preventiva e deu à plataforma três dias úteis para cumprir a determinação.
A medida não significa que o Discord está suspenso no Brasil. A decisão atinge apenas a ferramenta de transmissões ao vivo.
Segundo a agência, a suspensão permanecerá até que a plataforma comprove a adoção de medidas efetivas para proteger crianças e adolescentes durante o uso do serviço.