ITATIBA1
Empresário acreano de 32 anos morre durante tratamento de doença rara em São Paulo
G1 — Brasil · 2026-08-15T15:43:18.000Z
Empresário acreano de 32 anos morre durante tratamento de doença rara em São Paulo
O empresário acreano Rafael Brito de Sá, de 32 anos, morreu nessa sexta-feira (14), em São Paulo, enquanto fazia tratamento contra Aplasia Medular Gravíssima, doença rara que faz a medula óssea deixar de produzir adequadamente as células do sangue. A confirmação da morte foi divulgada pela família nas redes sociais.
A condição pode provocar anemia grave, infecções recorrentes e sangramentos e exige diagnóstico precoce e tratamento especializado. De acordo com o Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas do Ministério da Saúde, a incidência estimada no Brasil da doença é de 1,6 caso novo por milhão de habitantes por ano. A frequência, no entanto, varia entre diferentes regiões do mundo. (Entenda mais abaixo)
✅ Clique aqui para seguir o canal do g1 AC no WhatsApp
Rafael passou mal em junho, foi levado para o hospital, os médicos perceberam que as plaquetas estavam muito baixas e iniciaram a investigação. Quando a doença foi descoberta, os médicos tentaram a compartibilidade da médula óssea com a irmã dele, contudo, sem sucesso.
Em julho, Rafael viajou para São Paulo para iniciar a quimioterapia em um hospital especializado na doença e tentar encontrar um doador de médula óssea compartível. Durante o tratamento, o empresário precisou receber transfusões de sangue para dar seguimento aos procedimentos médicos.
Agora no g1
A família atualizava, diariamente, o estado de saúde do empresário por meio de boletim médico, além de rede de orações pedindo sua saúde.
No dia 18 de julho, Rafael foi para Unidade de Terapia Intensiva (UTI) após apresentar uma piora no quadro clínico. Desde então, o empresário seguiu na UTI em tratamento.
Morre aos 70 anos Gilberto Siqueira, engenheiro e ex-secretário de Planejamento do Acre
Morre Amauri Siviero, pesquisador da Embrapa, após tratamento contra câncer no Acre
Fundador de comércio tradicional do Acre, Ney Matos morre aos 74 anos
Sem perder a esperança, instante, a família pedia orações a amigos e conhecidos pela recuperação dele. O g1 apurou que Rafael teve falência múltiplas dos órgãos.
A morte do empresário deixou várias pessoas e autoridades em luto em Rio Branco. Ele recebeu várias homenagens nas redes sociais. Ele era casado e tinha filho de menos de um ano. O corpo deve ser trazido para Rio Branco para velório e enterro.
Rafael Sá era casado e tinha um filho menor de 1 ano
A falha acontece na 'fábrica' das células do sangue
A aplasia medular, também chamada de anemia aplástica, faz parte de um grupo de doenças conhecido como síndromes de falência medular.
Na maioria dos casos adquiridos, o próprio sistema imunológico passa a atacar as células-tronco da medula óssea. São elas que dão origem às células do sangue. Com esse ataque, a produção diminui de forma acentuada e o paciente desenvolve um quadro chamado pancitopenia, caracterizado pela queda simultânea dos glóbulos vermelhos, dos glóbulos brancos e das plaquetas.
Apesar da gravidade, a doença não é contagiosa nem é considerada um tipo de câncer. Ao contrário das leucemias, por exemplo, o problema não está na produção de células anormais, mas na dificuldade da medula em produzir células suficientes para manter o organismo funcionando.
Sintomas entregam o que falta
Os sinais da doença refletem quais componentes do sangue estão em falta.
A redução dos glóbulos vermelhos provoca anemia, com sintomas como cansaço intenso, fraqueza, palidez e falta de ar aos esforços.
Quando caem os glóbulos brancos, o organismo fica mais vulnerável a infecções, que podem evoluir rapidamente.
Já a diminuição das plaquetas aumenta o risco de sangramentos espontâneos, sangramento nas gengivas ou no nariz e manchas roxas pelo corpo.
Como esses sintomas também aparecem em diversas outras doenças, eles não são suficientes para confirmar o diagnóstico.
Causa pode ser desconhecida
Descobrir por que a aplasia medular apareceu nem sempre é possível. Segundo o cirurgião pediátrico e diretor médico da Werfen, Tiago Silva, cerca de metade dos pacientes recebe o diagnóstico de uma forma considerada idiopática, quando nenhum fator consegue explicar o que levou a medula óssea a parar de funcionar.
Nos demais casos, a origem pode ser bastante variada.
A forma mais comum é a autoimune. Nela, explica a hematologista Cláudia Mariana Assato, o próprio sistema imunológico passa a atacar as células-tronco da medula óssea, reduzindo progressivamente sua capacidade de produzir as células do sangue.
A doença também pode estar associada a infecções virais, como hepatites B e C, HIV, parvovírus B19, vírus Epstein-Barr e citomegalovírus. Outras doenças autoimunes, alterações do timo e doenças linfoproliferativas também aparecem entre os fatores relacionados ao quadro.
Como ser um doador de medula óssea
Para se tornar um doador de medula óssea, é preciso ir a um Hemocentro, fazer o cadastro pelo Registro Nacional de Receptores de Medula Óssea (Rereme) e seguir alguns requisitos. Veja abaixo o que é preconizado.
Ter entre 18 e 35 anos de idade para o cadastro inicial (o nome fica ativo até os 60 anos);
Estar em bom estado geral de saúde;
Não ter histórico de câncer, doenças do sangue ou do sistema imunológico;
Não apresentar doenças infecciosas transmissíveis pelo sangue (como HIV ou hepatites ativas).
Em Rio Branco, o Centro de Hematologia e Hemoterapia do Acre (Hemoacre) fica na Avenida Getúlio Vargas, no bairro Bosque.
Reveja os telejornais do Acre