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Eleições ao Senado: Lula foca em governabilidade e Flávio em enfrentamento ao STF; veja candidatos e estratégias

A eleição para o Senado em 2026 ganhou protagonismo inédito nas campanhas do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e do senador Flávio Bolsonaro (PL), que lideram as pesquisas para o Palácio do Planalto.

G1 — Política · 2026-08-16T03:00:18.000Z

A eleição para o Senado em 2026 ganhou protagonismo inédito nas campanhas do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e do senador Flávio Bolsonaro (PL), que lideram as pesquisas para o Palácio do Planalto.

Neste ano, o Senado renovará dois terços dos seus integrantes, ou seja, 54 das 81 vagas estarão em disputa nas urnas.

🎯O Senado possui poderes exclusivos. Cabe à Casa legislativa processar e julgar o presidente da República e ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) por crimes de responsabilidade, além de aprovar, após sabatina, a escolha de autoridades, como o presidente do Banco Central.

Para Lula, o desafio é impedir que a direita consolide uma maioria de 41 senadores, o que tornaria esse grupo político favorito a ocupar a presidência da Casa em 2027, um quadro prejudicial à governabilidade em um eventual novo mandato.

Do lado de Flávio, o objetivo é ampliar o número de cadeiras da direita bolsonarista e fortalecer a postura de enfrentamento ao STF.

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Candidatos apoiados por Lula e Flávio Bolsonaro

Após embates, Lula reforça estratégia para o Senado

Durante seu terceiro mandato, Lula compôs com o Centrão e teve em Rodrigo Pacheco (PSB-MG) e Davi Alcolumbre (União-AP), na maioria das vezes, aliados decisivos para avançar suas propostas na Casa e no Congresso.

Presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP).

Ricardo Stuckert / PR

Apesar disso, a dependência do governo das articulações de Alcolumbre custou caro ao governo. Ao escolher o advogado-geral da União, Jorge Messias, para o Supremo Tribunal Federal (STF) em detrimento de Pacheco, candidato de Alcolumbre, Lula teve sua maior derrota.

Enquanto durou o rompimento com Alcolumbre, encerrado nas últimas semanas, Lula viu suas pautas pararem na gaveta do presidente do Senado, como as PECs do fim da escala 6x1 e da Segurança.

Além da governabilidade, Lula já externou preocupação com uma ofensiva bolsonarista para pedir o impeachment de ministros do STF. Em 2025, o presidente destacou a importância de ter maioria no Senado “senão vão 'avacalhar' o STF”.

Por isso, Lula liderou uma articulação dentro do PT para que o partido renunciasse a algumas candidaturas aos governos estaduais para apoiar quadros mais competitivos de outros partidos, com um nome da legenda como candidato ao Senado na chapa.

Foi o caso do Rio Grande do Sul, onde o diretório estadual do PT tinha escolhido Edegar Pretto para concorrer ao governo, mas Lula intercedeu para que o partido apoiasse o nome de Juliana Brizola (PDT) na corrida pelo Palácio Piratini, com Pretto como vice e o ex-ministro Paulo Pimenta (PT) concorrendo a uma das vagas no Senado.

Para reforçar seus palanques para o Senado, Lula também apostou em quadros que ocuparam ministérios em seu governo.

Em São Paulo, o petista tem como candidatas duas ex-ministras: Simone Tebet (PSB), que comandou o Planejamento, e Marina Silva (Rede), que esteve à frente do Meio Ambiente. Já no Paraná, Lula terá como candidata Gleisi Hoffmann, ex-ministra da Secretaria de Relações Institucionais.

Além delas, Lula tem o ex-ministro da Casa Civil, Rui Costa (PT), liderando as pesquisas de intenção de voto para o Senado na Bahia. O ex-ministro da Agricultura, Carlos Fávaro (PSD), concorre para renovar o mandato pelo Mato Grosso.

O ex-ministro do Esporte, André Fufuca (PP), é candidato ao Senado no Maranhão, mas não integra o palanque do presidente Lula, que conta com a senadora Eliziane Gama (PT).

O estado é um dos locais onde o presidente conta com o apoio de candidatos fora de seu palanque oficial. Além de Eliziane e Fufuca, o senador Weverton Rocha (PDT) e a ex-senadora Roseana Sarney (MDB) também apoiam Lula.

Flávio mira maioria e comando do Senado

Se eleito, Flávio Bolsonaro quer garantir uma ampla maioria para colocar um senador bolsonarista na presidência da Casa.

O senador e candidato à Presidência da República Flávio Bolsonaro

Em 2023, a oposição lançou Rogério Marinho (PL-RN) à presidência do Senado. A derrota por 49 votos a 32 deixou o partido sem nenhum espaço na Mesa Diretora e nas comissões permanentes.

Após se reunir com os candidatos que apoia para o Senado na terça-feira (11), Flávio destacou a importância de ter uma maioria e defendeu o impeachment do ministro Alexandre de Moraes, do STF.

“O presidente da República indica o ministro do Supremo. O próximo indicará quatro. Quem tira é o Senado. Como a gente está aqui com os candidatos ao Senado, vocês são a favor de impeachment do Alexandre de Moraes?”, conclamou Flávio sendo seguido de gritos de “sim” e “com certeza”.

Além das investidas contra o STF, Flávio destacou a importância de uma maioria sólida no Senado para aprovar mudanças na Constituição Federal que necessitam de quórum qualificado, ou seja, o apoio de 49 dos 81 senadores.

“Nós vamos ter nessas eleições, vai ser um Senado ainda mais de centro-direita. Eu vou precisar muito de todos os senadores que estão aqui para mexer na Constituição Federal. Nós vamos reduzir a maioridade penal”, afirmou.

Para garantir essa maioria, Flávio aposta em eleger aliados para as duas vagas em disputa em muitos estados. É o caso, por exemplo, de Santa Catarina, onde seu irmão, Carlos Bolsonaro (PL), e a deputada federal Carol de Toni (PL) lideram as pesquisas para o Senado.

No Paraná, Flávio aposta no antipetismo para eleger Deltan Dallagnol (Novo) e Filipe Barros (PL). Como procurador da República, Dallagnol comandou a força-tarefa da Operação Lava Jato.

Apesar dos atritos recentes, Flávio aposta que sua madrasta, Michelle Bolsonaro (PL), terá uma votação expressiva no Distrito Federal e ajudará a impulsionar a candidatura de Bia Kicis (PL) na tentativa de as duas candidatas do partido.

Enquanto Lula enfrenta o desafio de frear a ascensão bolsonarista no Senado apostando em quadros experientes, Flávio busca consolidar uma ampla maioria para garantir o comando de um dos Poderes, independentemente do resultado na eleição presidencial.

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