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Líder indígena, esposa e filhos morrem em acidente durante intercâmbio em MS
G1 — Brasil · 2026-08-16T18:10:53.000Z
Líder indígena, esposa e filhos morrem em acidente durante intercâmbio em MS
O caminhoneiro Everton Salin Santin, envolvido no acidente que matou um líder indígena e outras seis pessoas da mesma família, se apresentou à polícia neste sábado (15), em Iguatemi. Acompanhado do advogado Higo dos Santos Ferre, ele prestou depoimento e foi liberado.
Segundo a polícia, Everton não foi preso porque não estava em situação de flagrante e não havia mandado de prisão contra ele. A investigação continua, e o delegado responsável pode pedir a prisão preventiva do motorista caso identifique elementos que justifiquem a medida. O g1 entrou em contato com a defesa, mas não havia recebido retorno até a última atualização desta reportagem.
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O acidente aconteceu na MS-180, entre Iguatemi e Japorã, na noite de sexta-feira (14). Segundo a polícia, o semirreboque carregado com milho se desprendeu do caminhão e atingiu o carro em que as vítimas estavam.
Em depoimento, Everton disse que passou por Iguatemi entre 19h30 e 20h e seguiu em direção a Japorã. Cerca de 700 metros depois da ponte entre os dois municípios, ele afirmou ter percebido que o caminhão ficou mais leve durante uma subida.
Segundo o motorista, ele seguiu até uma rotatória próxima a uma escola, fez o retorno e voltou em direção a Iguatemi. No caminho, encontrou o semirreboque que havia se desprendido do caminhão.
Ainda conforme o depoimento, havia várias pessoas no local retirando a carga de milho, além de carros parados às margens da rodovia. O caminhoneiro disse que se aproximou de um bombeiro, que teria pedido para que ele retirasse o caminhão do local.
Ele afirmou que não conseguiu explicar que era o responsável pelo semirreboque e levou o caminhão para outro ponto. Segundo o relato, algumas pessoas começaram a bater na porta do veículo, e ele deixou o local por medo.
O motorista contou que retornou para Mundo Novo, deixou o caminhão estacionado em uma rua e foi a pé até um hotel. Ele disse ainda que avisou o proprietário do veículo sobre o ocorrido.
Não prestou socorro
Questionado sobre as vítimas, Everton afirmou que não sabia que havia pessoas mortas no acidente quando esteve no local. Segundo ele, era possível ver apenas o semirreboque tombado e o fogo, mas não o carro atingido.
O caminhoneiro declarou que só soube das mortes na manhã seguinte, após receber mensagens no celular. Ele também afirmou que, depois de perceber que havia perdido o semirreboque, voltou ao local, mas não foi informado sobre as vítimas.
Durante o depoimento, Everton afirmou que o semirreboque se soltou sem que o mecanismo de destravamento fosse acionado e sem causar danos aparentes ao restante do conjunto. Segundo ele, apenas as mangueiras ficaram arrastando no chão.
A polícia informou que adotou medidas para preservar o local do acidente, realizar perícias, remover e identificar as vítimas e reunir informações para esclarecer a dinâmica da batida e verificar eventual responsabilidade criminal.
À polícia, o motorista afirmou que trabalha como caminhoneiro há 14 anos e está na atual empresa há cerca de 15 dias. Segundo ele, não faz uso de álcool, tabaco ou drogas.
O motorista se comprometeu a apresentar à Delegacia de Polícia de Iguatemi o caminhão e o disco do tacógrafo, equipamento que registra informações sobre o deslocamento do veículo.
Dinâmica do acidente
De acordo com informações preliminares do Batalhão de Polícia Militar Rodoviária (BPMRv), o semirreboque teria se desprendido do caminhão durante o trajeto e atingido o carro ocupado pelo grupo, que seguia no sentido contrário.
Com a força da batida, o carro pegou fogo, e todos os ocupantes morreram. Os corpos foram encaminhados ao Instituto de Medicina e Odontologia Legal (IMOL) de Dourados e transferidos para Naviraí. Ainda não há previsão para liberação.
As vítimas foram identificadas como Laudiceia Benites, de 30 anos; Tiago Honorio dos Santos, de 34; Cleonice Honorio dos Santos, de 42; Ileo Benites, de 30; Genilson Euzebio Karay Mirim, de 32; Tadeu Hiago Werá Mirim Benites dos Santos, de 14; e Luna Benites Santos, de 7 anos. Tadeu e Luna eram filhos de Laudiceia e Tiago.
Segundo o relato apresentado à polícia, o grupo visitava aldeias da região para participar de um intercâmbio. As vítimas haviam passado pela Aldeia Porto Lindo e seguiam para a Aldeia Cerrito, em Eldorado.
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Registro do ritual
Um vídeo mostra as sete vítimas reunidas durante um ritual de reza.
Segundo Onésio Dias, capitão da Aldeia Porto Lindo, os jovens que participavam do intercâmbio também eram rezadores.
A passagem pela aldeia fazia parte de um projeto de intercâmbio cultural realizado pelo grupo em diferentes comunidades indígenas de Mato Grosso do Sul.
Segundo Rogério Dias, irmão de Onésio, os participantes percorriam as aldeias para trocar experiências e levavam e recebiam sementes durante as visitas.
"Ele vem para intercâmbio, tem um projeto que ele faz sempre em todas as aldeias. Ele anda em todas as aldeias, leva semente e traz semente, faz aquele intercâmbio, troca de experiência", relatou.
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Acidente é investigado
A investigação continua após a apresentação do motorista. A eventual prisão preventiva dependerá da análise do delegado responsável pelo caso e da existência de elementos que justifiquem o pedido à Justiça.