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Lula diz que Brasil não vai ficar 'chorando' por exportações que não irão aos EUA e que diálogo não teve reciprocidade

Lula sobre tarifaço: "Vamos estar na mesa de negociação com as nossas propostas"

G1 — Política · 2026-07-22T19:09:47.000Z

Lula sobre tarifaço: "Vamos estar na mesa de negociação com as nossas propostas"

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou nesta quarta-feira (22) que o Brasil não encontrou reciprocidade nos diálogos que teve com os Estados Unidos para tratar das tarifas e que o país não vai deixar de tentar negociar com o governo norte-americano.

"Ninguém vai ganhar do Brasil mentindo. Nós estamos na mesa de negociação, já mandamos vários documentos e propostas, eu pessoalmente fui aos Estados Unidos, ficamos 3 horas discutindo negociação [...] a gente nunca encontrou reciprocidade na conversa. Isso vai aumentar o nosso antagonismo aos EUA? Não, não vai, porque a gente não vai sair da mesa de negociação. Eles que digam que não vão negociar, porque estamos lá sentado na mesa, faznedo proposta toda vez e fazendo eles provarem que eles tinham alguma razão em taxar o Brasil".

O presidente afirmou ainda que "não tem veto de negociação" e que não vai ficar "chorando" produtos que o Brasil não vende para os Estados Unidos.

"E vamos ficar na mesa de negociação. Se quiserem participar, participem. Se quiserem mandar email, tweet, que mandem, nós vamos estar na mesa de negociação com as nossas propostas para tudo. Não tem veto de negociação. Não vamos ficar chorando produtos que a gente não vendeu para eles, porque nós vamos procurar outros compradores".

A fala foi durante cerimônia no Palácio do Planalto para sancionar e anunciar medidas de socorro a empresas afetadas pelo tarifaço imposto pelos Estados Unidos.

Lula discursa durante assinatura do Brasil Soberano III

O governo anunciou a liberação de R$ 18,5 bilhões em crédito para empresas afetadas pelas tarifas adicionais de 25% aplicadas a produtos brasileiros vendidos no mercado americano e também aquelas impactadas pela guerra no Oriente Médio.

O financiamento será destinado às empresas que:

são afetadas por tarifas comerciais dos EUA, como setores de aço, alumínio, automotivo, madeira, máquinas, entre outros;

são de setores industriais estratégicos, por exemplo: fertilizantes, farmacêutico, têxtil, minerais críticos, entre outros;

setores que tiveram exportações para o Golfo Pérsico afetados.

O presidente também sancionou uma lei que liberou R$ 15 bilhões, o "Brasil Soberano 2", em recursos para linhas de crédito do Plano Brasil Soberano, ampliando assim o programa criado no ano passado para responder ao primeiro tarifaço dos Estados Unidos. A lei deriva de uma medida provisória (MP) de março de 2026.

Outras medidas continuam em estudo e podem ser colocadas em prática na medida em que as empresas perceberem dificuldades na vazão dos produtos tarifados, como adiantou o blog da Ana Flor.

O anúncio ocorre um dia após o governo federal iniciar uma rodada de reuniões com representantes dos setores mais afetados pelo "tarifaço" dos Estados Unidos.

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