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Mãe reencontra bebê sequestrada no MS após sete dias de angústia: ‘Estou muito feliz’

Mulher é presa suspeita de sequestrar bebê para 'salvar' casamento.

G1 — Brasil · 2026-08-17T10:14:14.000Z

Mulher é presa suspeita de sequestrar bebê para 'salvar' casamento.

Foram sete dias de angústia até que a família de Raquele, de 17 anos, pudesse reencontrar a pequena Ayla. Segundo a polícia, a adolescente foi atraída para uma armadilha por uma mulher que havia conhecido em um grupo de doação de roupas e fraldas no WhatsApp.

A mulher se apresentava como Carol e dizia ter um bebê. Depois de ganhar a confiança da adolescente, teria oferecido a ela um trabalho como babá, por R$ 100.

“Eu pensei comigo que eu ia conseguir comprar as coisinhas da neném, ajudar minha avó também”, contou Raquele.

O encontro aconteceu em 6 de agosto. A adolescente foi até o endereço acompanhada da irmã de 12 anos. Segundo o relato, a mulher aparentava agir normalmente, ofereceu água às duas e, depois, chamou Raquele para conhecer outra parte da casa.

Ao entrar em uma segunda construção no fundo do imóvel, a adolescente encontrou um homem. Segundo ela, ele tentou fazê-la desmaiar. Raquele fingiu ter perdido a consciência e, ainda assim, foi amarrada.

A polícia afirma que a mulher não morava no imóvel. Ela teria alugado a casa do inquilino que estava no local com o objetivo de realizar o sequestro.

Segundo Raquele, os criminosos disseram que o sequestro estaria relacionado a uma suposta dívida do pai da bebê. Ela também foi ameaçada.

“Eles falaram que se eu chamasse a polícia, depois ia matar alguém da minha família”, relatou.

Mãe reencontra bebê sequestrada no MS após sete dias de angústia: ‘Estou muito feliz’

Mentiras para despistar a família

Enquanto Raquele e a irmã estavam desaparecidas, a tia da adolescente tentou entrar em contato com a mulher que havia oferecido o suposto emprego.

A suspeita afirmou que as duas já tinham ido embora e que haviam chamado um carro por aplicativo. Depois, apresentou outra versão: disse que Raquele teria ido para a casa do pai da bebê.

As duas adolescentes foram deixadas de olhos vendados em um terreno próximo à casa.

Quando voltaram para casa, a família decidiu contar à polícia o que realmente havia acontecido. A tia também enviou uma nova mensagem para a suspeita:

“Entrega a neném, pelo amor de Deus.”

A polícia descobriu que não existia nenhuma mulher chamada Carol. Os investigadores identificaram a suspeita como Suzilaine da Graça Costa.

Suzilaine da Graça Costa

Filha da suspeita ajudou a polícia

De acordo com a investigação, a própria filha de Susilaine acabou dando uma das primeiras pistas sobre o paradeiro da bebê.

Ela chegou do trabalho e encontrou a mãe com a criança. Ao questionar o motivo de o bebê estar na casa, Susilaine teria respondido que era filha de uma amiga que ela estava ajudando.

A filha viu as notícias sobre o sequestro e passou a desconfiar que a criança pudesse ser a bebê procurada.

Segundo a polícia, ela questionou novamente a mãe e pediu que a criança fosse retirada da casa.

A suspeita então teria trocado a roupa da bebê, colocado um body azul, trocado o bebê-conforto e chamado um motorista de aplicativo. Em seguida, deixou Campo Grande em direção à fronteira com o Paraguai.

Os investigadores acompanharam o deslocamento e identificaram que ela passava por cidades em direção a Pedro Juan Caballero.

A polícia brasileira entrou em contato com as autoridades paraguaias.

Bebê foi encontrada no Paraguai

Susilaine atravessou para Pedro Juan Caballero, cidade paraguaia próxima a Ponta Porã, em Mato Grosso do Sul. Segundo a polícia, ela passou por uma região onde não havia posto de fronteira.

As autoridades paraguaias localizaram a casa para onde a mulher havia ido, em um bairro residencial. Susilaine e o companheiro tinham alugado o imóvel havia cerca de três meses.

Depois da confirmação de que a bebê estava no local, foi solicitado um mandado de busca. Quinze policiais paraguaios participaram da operação que terminou com o resgate de Ayla.

O companheiro de Susilaine, Alex Melo de Abreu, também foi preso. Segundo as autoridades, ele apresentou documentação falsa e era foragido da Justiça brasileira, com condenação por homicídio.

Em depoimento, Alex afirmou que acreditava ser pai da criança e que chegou a comprar roupas e outros itens para o bebê.

Polícia diz que sequestro tinha outro objetivo

As investigações apontam que o plano teria sido arquitetado por Susilaine e não teria como objetivo obter dinheiro.

Segundo a polícia, ela teria sequestrado Ayla para sustentar uma mentira de gravidez e tentar salvar o relacionamento com o companheiro.

A investigação aponta que os dois haviam rompido o relacionamento e reataram depois que Susilaine disse que estava grávida. O sonho do companheiro, segundo os investigadores, era ter uma menina.

Antes do sequestro, Susilaine teria monitorado outra mulher que também daria à luz próximo da data do nascimento de Ayla. O bebê, porém, seria um menino.

A polícia afirma ainda que a suspeita criou personagens e versões falsas para dificultar a investigação.

“O único depoimento que não coincidiu com os outros foi o dela. [Ela] continuou trazendo personagens na história, pessoas que não existiram, para dificultar toda a nossa linha de raciocínio”, afirmou um investigador.

O casal está preso. O inquilino do imóvel usado como cativeiro também foi preso. Em nota, o advogado dele afirmou que o cliente apenas emprestou o imóvel e não tinha relação com o crime.

As defesas de Alex e Susilaine não foram localizadas. Em depoimento, Susilaine negou ter forjado uma gravidez e roubado a criança.

Para Raquele e a família, depois de sete dias de buscas, o que importa agora é cuidar de Ayla.

“Estou muito feliz, porque recuperei minha bebê”, disse a mãe.

'Estou muito feliz, porque recuperei minha bebê': o reencontro entre mãe e bebê sequestrada no MS

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