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Allison Roberto da Silva, enfermeiro gestor do Bloco Cirúrgico do HC de Ribeirão Preto, lamentou a morte de Heloísa e Helena nas redes sociais
G1 — Brasil · 2026-08-17T12:44:53.000Z
Allison Roberto da Silva, enfermeiro gestor do Bloco Cirúrgico do HC de Ribeirão Preto, lamentou a morte de Heloísa e Helena nas redes sociais
Um dos enfermeiros que participou da quinta e última cirurgia de separação das gêmeas Heloísa e Helena, que morreram durante o procedimento no Hospital das Clínicas (HC) de Ribeirão Preto (SP), lamentou a morte das meninas nas redes sociais.
Allison Roberto da Silva, enfermeiro gestor do Bloco Cirúrgico do HC e integrante da equipe que participou da operação, afirmou que foram 16 horas de cirurgia e agradeceu aos pais das crianças e aos mais de 50 profissionais envolvidos no processo.
Segundo ele, todos os recursos disponíveis foram utilizados na tentativa de concluir a separação.
“Estou há 20 anos na Enfermagem, destes, 17 no HC, já atendi milhares de crianças e digo de todo o coração, tudo, absolutamente tudo o que a ciência conhece foi feito, todo o processo foi impecável, mas infelizmente não temos controle sobre todas as coisas.”
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O relato foi publicado depois de a mãe das meninas, Claudilene Aparecida dos Santos, também usar as redes sociais para se despedir das filhas. “Filhas, minhas eternas saudades. Mamãe ama vocês duas daí do céu”, escreveu.
Os corpos de Heloísa e Helena foram levados no domingo (16) para São José dos Campos (SP), onde a família mora.
O HC de Ribeirão Preto informou que arcou com os custos do traslado e disponibilizou um carro para transportar o pai das meninas, dois irmãos e uma acompanhante. A Prefeitura de São José dos Campos pagou os custos do jazigo e das urnas. O sepultamento aconteceu no mesmo dia.
As meninas, de 2 anos e 7 meses, nasceram unidas pela cabeça e não resistiram à etapa final da separação, iniciada na manhã de sábado. Segundo o HC, os óbitos foram confirmados após 15 horas de procedimento. O hospital ainda não divulgou o que causou a morte das irmãs.
‘Guerreiras até o final’
Allison trabalha há 17 anos no Hospital das Clínicas de Ribeirão Preto. Como enfermeiro gestor do Bloco Cirúrgico, integrou a equipe responsável pelo procedimento de Heloísa e Helena.
Na publicação, ele homenageou as duas meninas e disse que elas foram exemplo de força durante o tratamento. Ele também agradeceu aos pais pela confiança depositada na equipe durante o processo de separação e aos profissionais que participaram direta e indiretamente do tratamento.
Ao final da mensagem, o enfermeiro disse esperar que os profissionais envolvidos tenham consciência do trabalho realizado durante o tratamento das meninas.
“Helena e Heloísa foram guerreiras até o final e nos deram um exemplo de força, vontade de viver e fé na ciência. Estamos tristes, mas estamos conscientes de que elas receberam o melhor tratamento que poderiam... Que os anjos as coloquem em um bom lugar, Helena e Heloisa, um dia nos encontramos de novo... ❤️”
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Cinco cirurgias em um ano
Heloísa e Helena começaram a passar pelas cirurgias em agosto de 2025. Desde o início, a equipe médica optou por dividir a separação em etapas, para reduzir os riscos e preparar as estruturas compartilhadas pelas meninas.
A primeira cirurgia, em 23 de agosto de 2025, concluiu cerca de 25% da separação planejada. A segunda, em novembro, durou cerca de dez horas. Na terceira, em 28 de fevereiro deste ano, os médicos informaram ter alcançado aproximadamente 75% da separação do cérebro e dos vasos sanguíneos compartilhados.
A quarta etapa, em 21 de março, teve outro objetivo. Os médicos instalaram bolsas expansoras para aumentar a quantidade de pele disponível na cabeça das duas, necessária para fechar os crânios depois da separação definitiva.
Heloísa e Helena, de 2 anos, são gêmeas que nasceram unidas pela cabeça em São José dos Campos (SP) e estão em acompanhamento no HC de Ribeirão Preto (SP).
Terceiro caso no HC de Ribeirão Preto
O caso de Heloísa e Helena é o terceiro de gêmeas craniópagas, como são chamadas as crianças que nascem unidas pela cabeça, conduzido pelo Hospital das Clínicas de Ribeirão Preto, e o primeiro que termina com a morte de pacientes.
O primeiro foi o das irmãs Maria Ysabelle e Maria Ysadora, do Ceará. Elas foram separadas em 2018 depois de dois anos de acompanhamento e planejamento. Em agosto de 2023, o hospital realizou a separação definitiva de Alana e Mariah. A última cirurgia daquele caso durou 25 horas.
Nos três casos, as equipes utilizaram exames de imagem e tecnologias de planejamento para estudar previamente as estruturas compartilhadas entre as crianças.
No caso de Heloísa e Helena, o planejamento durou mais de um ano e incluiu tomografias, ressonâncias magnéticas, projeções de realidade virtual e impressão de modelos em três dimensões para preparar as cinco etapas da separação.
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