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Cientistas monitoram formação de 'Super El Niño' e alertam para impactos no Brasil
G1 — Brasil · 2026-08-17T14:34:33.000Z
Cientistas monitoram formação de 'Super El Niño' e alertam para impactos no Brasil
Um super El Niño está se formando no Oceano Pacífico e pode se tornar um dos mais intensos já registrados. Em um planeta que já está mais quente por causa das mudanças climáticas, a combinação preocupa cientistas pelos possíveis efeitos sobre o clima no Brasil e no mundo.
Super El Niño pode intensificar chuvas, tempestades e enchentes no Brasil; entenda
Previsões indicam mais de 90% de chance de que o fenômeno seja muito forte. Um dos maiores especialistas no assunto define o cenário como um “monstro El Niño” se aproximando. O fenômeno deve atingir o pico em dezembro, mas seus efeitos podem continuar no primeiro semestre de 2027.
No Brasil, uma das principais preocupações é o aumento das temperaturas. Há alta probabilidade de que os termômetros fiquem acima da média em todo o país, com possibilidade de ondas de calor intensas e duradouras.
Esses episódios podem atingir principalmente pessoas mais vulneráveis, como idosos, doentes e moradores de áreas com condições precárias de habitação. As ondas de calor são consideradas pelos pesquisadores uma ameaça silenciosa, justamente porque seus efeitos podem ser graves sem que exista um evento visível, como uma enchente ou um deslizamento.
Amazônia pode enfrentar mais seca e incêndios
Outro alerta está relacionado à Amazônia. Em Roraima, o risco de seca e fogo é apontado para este ano. No restante da região, a previsão é de um período de chuvas mais curto no ano que vem, seguido por uma fase mais seca.
A combinação pode favorecer a ocorrência de incêndios. Durante o último El Niño, o fogo bateu recorde na Amazônia e contribuiu para agravar o aquecimento do planeta.
Mas o fogo não surge sozinho. A ocorrência de incêndios depende de uma fonte de ignição. Por isso, os pesquisadores destacam que ações de prevenção e o combate rápido a novos focos podem evitar que a devastação se repita.
O cenário preocupa porque o aquecimento global também interfere no fenômeno natural. Com o planeta mais quente, os efeitos de um El Niño forte podem se somar às condições já extremas observadas em diferentes regiões.
Como o El Niño altera o clima
O El Niño ocorre quando há mudanças nos ventos e no comportamento da temperatura das águas do Oceano Pacífico. Em condições normais, os ventos alísios empurram a água quente em direção ao oeste do oceano.
Durante o fenômeno, esses ventos enfraquecem e podem até mudar de direção. A água quente se desloca em direção à América do Sul, aumentando a evaporação e modificando a formação das tempestades.
Essas tempestades podem atingir as camadas mais altas da atmosfera. As ondas provocadas por esse movimento se espalham e alteram a circulação atmosférica, fazendo com que os efeitos do El Niño sejam sentidos a milhares de quilômetros de distância.
É por isso que o fenômeno pode provocar, ao mesmo tempo, secas em determinadas regiões e chuvas intensas em outras.
O risco de novos eventos extremos
No Sul do Brasil, por exemplo, existe preocupação com a possibilidade de novas chuvas intensas. A região ainda carrega as marcas das enchentes e dos deslizamentos de 2024.
No Rio Grande do Sul, pesquisadores mapearam mais de 17 mil deslizamentos depois das chuvas daquele ano. Inundações e deslizamentos mataram 185 pessoas no estado, metade delas na zona rural.
Agora, cientistas trabalham para aumentar a capacidade de antecipar esses eventos. Sensores instalados no solo conseguem identificar pequenas alterações na inclinação do terreno. Quando o equipamento detecta movimento, pode enviar um alerta por SMS para a Defesa Civil e os bombeiros.
A ideia é ganhar tempo. Quanto mais precisa for a informação sobre o local onde existe risco, maior é a possibilidade de a população reagir antes que o desastre aconteça.
Um clima mais difícil de prever
O super El Niño também representa um desafio para os próprios cientistas. O aquecimento global mudou as condições climáticas do planeta, e os padrões observados no passado já não são suficientes para explicar completamente o comportamento atual.
Por isso, modelos matemáticos usados nas previsões precisam ser atualizados.
O Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) já dobrou a capacidade do supercomputador utilizado para processar previsões e pretende triplicá-la nos próximos três anos.
Ainda não é possível determinar com precisão quando e onde cada impacto ocorrerá. Mas, conforme o fenômeno avançar, as previsões devem ficar mais detalhadas.
O que já está claro, segundo os pesquisadores, é que o próximo período pode exigir atenção redobrada para calor extremo, seca, incêndios, chuvas intensas e deslizamentos.
Em um planeta cada vez mais quente, a ciência tenta transformar sinais do clima em tempo para agir — e evitar que eventos extremos se transformem novamente em tragédias.
Super El Niño pode estar entre os mais intensos já registrados