ITATIBA1
Quem é a PM presa por envolvimento na morte de policial encontrado carbonizado no CE
G1 — Brasil · 2026-08-17T16:00:05.000Z
Quem é a PM presa por envolvimento na morte de policial encontrado carbonizado no CE
O policial militar encontrado morto e carbonizado em um carro em Itaitinga, na Região Metropolitana de Fortaleza, é o soldado Raphael Sampaio da Silva, de 27 anos.
O crime aconteceu no dia 11 de agosto, após o agente sair do serviço acompanhado da colega de equipe Júlia Natália Girão Gomes, que está presa por suspeita de envolvimento no homicídio. O marido de Júlia, Antoneudo Ribeiro Lima Júnior, também foi preso.
✅ Clique e siga o canal do g1 Ceará no WhatsApp
Soldado Raphael Sampaio da Silva, de 27 anos, encontrado carbonizado dentro de um carro, estava na Polícia Militar desde junho de 2022.
Raphael ingressou na Polícia Militar do Ceará em junho de 2022. Ele estava lotado na 2ª Companhia do 16º Batalhão de Polícia Militar (2ºCia/16ºBPM). Antes disso, ele fez parte da 3ª Companhia, do mesmo batalhão.
O soldado era casado e pai de dois filhos. No entanto, segundo uma tia, ele mantinha um relacionamento extraconjugal com a policial presa por suspeita de participar do crime.
Em depoimento à polícia, outro militar que também trabalhou com Raphael confirmou que ele tinha se relacionado com outras mulheres fora do casamento.
PM e marido presos, relação extraconjugal e carro apreendido: o que se sabe sobre caso de soldado encontrado carbonizado
Como PM presa passou de vítima de sequestro a principal suspeita da morte de soldado carbonizado na Grande Fortaleza
Como o crime aconteceu
Polícia localizou o corpo do policial Raphael Sampaio da Silva após receber uma denúncia de um carro em chamas abandonado no Bairro Ancuri, em Fortaleza.
A dinâmica exata do crime não foi revelada, porém, de acordo com a perícia inicial, Raphael foi baleado a depois teve o corpo carbonizado, após colocarem fogo no veículo. O automóvel foi abandonado no bairro Ancuri, em Itatinga.
O corpo do agente foi localizado após uma testemunha avistar o carro em chamas e acionar as forças de segurança. O Corpo de Bombeiros foi ao local, apagou o incêndio no carro e identificou que havia um corpo no interior do automóvel, posteriormente identificado como o de Raphael.
Aos investigadores, Júlia disse que saiu do expediente às 2h da madrugada da terça-feira com o soldado Raphael, pois pediu uma carona a ele. Em determinado local, que ela não lembra qual, os dois teriam sido abordados por criminosos, que teriam matado o soldado e arrancado, pelos cabelos, a policial de dentro do carro.
Júlia afirmou que foi amarrada e colocada no porta-malas de outro veículo. No entanto, a policial não soube dar detalhes sobre os supostos criminosos que a amarraram e mataram Raphael.
Ao ser encontrada, Júlia "aparentava estar muito abalada e perguntando constantemente como estava o SD [soldado] Raphael", conforme um termo de depoimento do responsável pela investigação em que o g1 teve acesso.
Em novo depoimento, Júlia se recusou a responder algumas perguntas dos investigadores, disse que não lembrava de fatos importantes do crime, argumentou que só falaria na presença de um advogado e também usou o direito de ficar em silêncio.
Infográfico: PM é encontrado carbonizado dentro de carro no Ceará
De vítima a suspeita
Júlia Natália Girão Gomes, Raphael Sampaio da Silva e Antoneudo Ribeiro Lima Júnior
As declarações de Júlia, no entanto, foram confrontadas por imagens de câmeras de segurança que a polícia teve acesso.
Em uma delas, a policial apareceu deixando a filha na escola na companhia do marido. Em outro momento, ela foi gravada na oficina do companheiro.
Os registros foram feitos entre 7h e 8h52 de terça-feira, período em que Júlia disse ter ficado amarrada no matagal. Além disso, nas duas ocasiões, ela estava usando o mesmo vestido, diferente da farda da corporação, com a qual ela tinha saído do serviço.
Os vídeos também mostraram contradições no depoimento de Antoneudo Ribeiro, marido de Júlia, que inicialmente disse a polícia que a última vez que viu a esposa foi às 16h do dia 10 de agosto, quando ela saiu de casa para ir ao serviço.
A Justiça decretou a prisão preventiva de Júlia e a prisão temporária de Antoneudo durante audiências de custódia realizadas na última quinta-feira (13), por suspeita de participação do casal na morte do soldado.
Júlia Natália ingressou na Polícia Militar por meio do concurso público realizado em 2021, tendo sido convocada em 2022. Ela é suspeita de fazer parte de um esquema que vendia contas falsas para motoristas em aplicativos de transporte. Ela responde por estelionato, lavagem ou ocultação de bens e integrar organização criminosa.
O marido dela, Antoneudo, é apontado como o articulador da fraude, enquanto a mulher atuava como colaboradora, cedendo dados pessoais, além de instrumentos financeiros e de comunicação, para viabilizar as atividades criminosas do grupo.
Em setembro de 2025, Antoneudo foi capturado por vender os perfis falsos nos apps de transporte e passou 5 meses preso. Ele responde por estelionato, falsa identidade, lavagem ou ocultação de bens, direitos e valores, integrar organização criminosa, receptação e posse irregular de arma de fogo de uso permitido.
Qual a motivação do crime?
Até o momento, não há uma motivação apresentada oficialmente. A família de Raphael Sampaio acha que uma suposta relação extraconjugal dele com Júlia isso pode ter relação com o assassinato.
No decorrer das apurações sobre o caso, um carro foi apreendido por suspeita de ter sido usado na morte do agente.
A Delegacia de Homicídios contra Agentes de Segurança Pública (DHASP/DHPP) segue com as investigações para esclarecer as circunstâncias e a motivação da morte do soldado.
Carro é incendiado em Fortaleza.