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Caso Lucas Lopes: advogado foi morto em intervalo de 3 minutos, diz polícia

Suspeito de envolvimento em morte de advogado é preso pela Polícia Civil em Mogi Mirim

G1 — Campinas e Região · 2026-08-17T16:24:17.000Z

Suspeito de envolvimento em morte de advogado é preso pela Polícia Civil em Mogi Mirim

O advogado Lucas Silva Lopes, de 30 anos, foi morto em um intervalo de cerca de três minutos, de acordo com a Polícia Civil. A informação foi revelada nesta segunda-feira (17) pelo delegado Fábio Chrysostomo, responsável pelo caso em Mogi Mirim (SP).

Imagens analisadas pelos investigadores mostram que o carro de Lucas entrou às 3h05 na estrada de terra onde o corpo foi localizado e saiu às 3h08. A perícia apontou que o advogado foi morto no local.

“Por volta das 3h, o carro do Lucas foi visto entrando na estrada de terra onde o corpo dele foi localizado. Segundo a perícia, a morte aconteceu no local. Na verdade, 3h05 o carro entrou nessa estrada e, às 3h08, já saiu. Então, durante três minutos, a conduta foi realizada no local”, disse o delegado.

Lucas foi encontrado morto em 2 de agosto, em uma estrada de terra na zona rural de Mogi Mirim. Ele estava nu, em posição fetal, com ferimentos no rosto e um tecido amarrado ao pescoço e ao corpo.

Leonardo Jhonatan Olivera, de 32 anos, foi preso na sexta-feira (14), quando ia buscar o filho na escola. Ele confessou o crime, conforme informou a Polícia Civil.

A motivação do assassinato continua sob sigilo. A investigação também identificou um segundo suspeito de participação no crime, mas a Polícia Civil não divulgou a identidade ou detalhes sobre a atuação dele no assassinato.

O g1 tenta localizar a defesa de Leonardo.

Suspeito de matar advogado Lucas Lopes, de 30 anos, escondeu o rosto ao chegar na delegacia

Carro incendiado e celular descartado

Depois de deixar a estrada onde Lucas foi morto, Leonardo seguiu com o carro da vítima até um posto de combustíveis e encheu o tanque. A forma de pagamento chamou a atenção da polícia.

“O pagamento foi de forma suspeita, porque ele não abre muito o vidro, ele passa o cartão por cima do vidro. O frentista tem até uma certa dificuldade em alcançar o cartão ali para efetuar o pagamento”, disse o delegado.

Na sequência, ele teria feito um caminho mais longo até o local onde o veículo foi encontrado queimado. Segundo o delegado, o objetivo era evitar radares, bases policiais e a própria delegacia.

O carro foi incendiado. De acordo com Chrysostomo, a perícia apontou que quem ateou fogo sabia o que estava fazendo, já que os vidros foram deixados abertos.

“O suspeito ateou fogo ao carro. E vale ressaltar que, segundo o perito, ele falou que a pessoa sabia o que estava fazendo, porque ele deixou os vidros abertos. Os vidros foram encontrados derretidos dentro da porta, inclusive”, afirmou Chrysostomo.

Ainda de acordo com a Polícia Civil, Leonardo também confessou ter descartado o celular de Lucas em um rio. A investigação continua para esclarecer a motivação do crime e a participação do segundo suspeito já identificado pela polícia.

Corpo de Lucas Silva Lopes, de 30 anos, foi encontrado com sinais de violência em estrada de terra de Mogi Mirim

Lucas e Leonardo já se conheciam

Segundo o delegado, Lucas e Leonardo mantinham contato havia algum tempo, e o advogado já tinha ido outras vezes a Mogi Mirim para encontrar o suspeito.

A relação entre os dois já havia sido registrada pela polícia. No ano passado, Lucas fez um boletim de ocorrência contra Leonardo por estelionato, mas decidiu não prosseguir com a representação.

"A gente pegou um áudio do Lucas para o Leonardo demonstrando que ‘eu não vou dar continuidade, não quero fazer’, mas já informando o suspeito de que haveria um boletim de ocorrência contra ele”, detalhou Chrysostomo.

Luta pelos direitos de PCDs

Lucas tinha paralisia cerebral e era conhecido pela atuação na defesa dos direitos das pessoas com deficiência. Mestre em direitos humanos pela Universidade de São Paulo (USP), ele também fazia doutorado na instituição e sonhava em se tornar promotor de Justiça.

Inscrito na subseção da OAB Campinas desde 2020, Lucas fazia parte das comissões de Direitos Humanos e dos Direitos das Pessoas com Deficiência.

Além da advocacia, Lucas trabalhou na Ambev e foi paciente e diretor-secretário da Casa da Criança Paralítica (CCP) entre 2023 e o início de 2026. Ele também participava do projeto de Extensão de Natação Paralímpica da Unicamp.

O advogado Lucas Silva Lopes, de 30 anos, foi encontrado morto em uma estrada de terra em Mogi Mirim no domingo (2).

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