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Adultos de 35 a 59 anos concentram atendimentos por alcoolismo na região de Campinas; casos crescem 50,5%

Atendimentos por alcoolismo sobem 50,5% na região de Campinas

G1 — Campinas e Região · 2026-07-22T16:08:48.000Z

Atendimentos por alcoolismo sobem 50,5% na região de Campinas

Adultos entre 35 e 59 anos concentraram a maior parte dos atendimentos por transtornos mentais e comportamentais relacionados ao consumo de álcool na região de Campinas (SP) em 2025.

Segundo dados da Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo, obtidos via Lei de Acesso à Informação (LAI), quase 1,7 mil atendimentos foram registrados nessa faixa etária.

O grupo de 40 a 44 anos lidera o ranking, com 390 atendimentos, seguido por pessoas de 50 a 54 anos (356), 45 a 49 anos (348), 35 a 39 anos (323) e 55 a 59 anos (236).

Além da concentração entre adultos de meia-idade, os dados mostram que jovens e idosos foram os grupos que registraram os maiores aumentos proporcionais nos atendimentos entre 2024 e 2025. Entre pessoas de 20 a 24 anos, os registros passaram de 86 para 199, alta de 131%. Já na faixa de 70 a 74 anos, os atendimentos saltaram de 31 para 80, crescimento de 158%.

No total, os atendimentos por transtornos mentais e comportamentais relacionados ao uso de álcool cresceram 50,5% na área do Departamento Regional de Saúde (DRS) de Campinas, passando de 1.966 em 2024 para 2.959 em 2025. Apenas entre janeiro e março de 2026, já foram contabilizados 724 atendimentos.

Jovens começaram a beber ainda na adolescência

Imagem de arquivo mostra copo com bebida alcoólica

Os números refletem histórias marcadas pelo início precoce do consumo de álcool. Um paciente, que preferiu não se identificar, conta que começou a beber aos 12 anos, em busca de aceitação entre os amigos.

"O primeiro contato que eu tive com o álcool foi com 12 anos de idade. Mas, para ser aceito entre grupo de amigos, eu fui ficando frequente. Cheguei a um ponto em que já não era mais diversão. O álcool para mim virou uma necessidade."

Segundo ele, o alcoolismo provocou mudanças no comportamento, conflitos familiares e problemas de saúde que permanecem até hoje.

"As primeiras pessoas que sofreram foram meus familiares. Hoje tenho hipertensão, gordura no fígado e pedra na vesícula por conta do álcool. O alcoolismo é uma doença."

Outro homem, que também não quis revelar a identidade, relata que começou a consumir álcool aos 16 anos. Introvertido, acreditava que a bebida o ajudaria a socializar.

"Eu sempre fui uma criança muito introvertida. Via as pessoas que bebiam mais extrovertidas e fui percebendo que deixei de ter noção sobre mim mesmo."

Com o tempo, segundo ele, o consumo evoluiu para o uso de outras drogas. "Comecei a usar cocaína e drogas sintéticas. Depois percebi que estava fora de controle e tomei a decisão de iniciar o tratamento e passar pelo processo de recuperação."

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Embora a maior concentração de atendimentos esteja entre adultos de meia-idade, praticamente todas as faixas etárias registraram crescimento entre 2024 e 2025. Houve alta de 61% entre adolescentes de 15 a 19 anos e de 67% entre pessoas de 65 a 69 anos.

Além disso, os dados do primeiro trimestre de 2026 indicam uma leve mudança no perfil dos atendimentos. A faixa de 45 a 49 anos aparece na liderança, com 108 registros, seguida por pessoas de 35 a 39 anos (86), 50 a 54 anos (82) e 40 a 44 anos (81).

Pela primeira vez, adultos de 30 a 34 anos figuram entre os grupos com maior número de atendimentos, empatados com a faixa de 55 a 59 anos, ambas com 66 casos.

Para o psicólogo Éverson Guimarães, o crescimento dos atendimentos reforça a necessidade de tratar o alcoolismo como um problema de saúde pública e investir em ações de prevenção. "Não tratar o álcool como algo inofensivo, como algo que deve pertencer ao dia a dia das pessoas. É preciso conscientizar e divulgar os prejuízos causados pelo consumo, principalmente entre os jovens."

Segundo o especialista, o impacto da dependência vai muito além da saúde física. "Temos pessoas com vínculos familiares totalmente fragilizados, que perderam contato com filhos, precisaram se afastar do cônjuge e tiveram a própria saúde comprometida. Essa conscientização social precisa ser muito mais ampla."

Os atendimentos por transtornos mentais e comportamentais relacionados ao uso de álcool na região de Campinas tiveram a seguinte evolução:

2026 (janeiro a março): 724

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