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Alan Santos está de malas prontas para deixar o Flamengo. Na última semana, o clube rubro-negro acertou a sua transferência para o Benfica, de Portugal. Mas o atacante não é um daqueles jogadores que deixam o ex-clube chateados por falta…
ge — Futebol · 2026-08-17T19:13:27.000Z
Alan Santos está de malas prontas para deixar o Flamengo. Na última semana, o clube rubro-negro acertou a sua transferência para o Benfica, de Portugal. Mas o atacante não é um daqueles jogadores que deixam o ex-clube chateados por falta de oportunidades. Pelo contrário. No caso de Alan, a palavra “gratidão” aparece diversas vezes — tanto quando fala do Flamengo quanto ao relembrar a importância de seus familiares em sua trajetória.
Aos 36 do 2º tempo - Gol do Flamengo! Alan Santos desconta para o rubro-negro
Estou no caminho do bem graças à família e ao Flamengo.
A frase é impactante e ajuda a ilustrar um pouco do que foi a infância do jovem de 19 anos. Criado no Tabajaras, comunidade na Zona Sul do Rio de Janeiro, ele teve na atenção da mãe, Maria, do pai, Reginaldo, e do empresário, Vinicius, o norte para não se desviar do caminho correto. Caso contrário, como ele mesmo diz, poderia ter se tornado "só mais um contador de histórias".
— Meu pai pensou fora da bolha. Dentro da favela, vejo muita gente que só quer jogar bola em campeonato de comunidade. Eu ia ficar como muitos, joguei ali, fiz tal coisa ali. Jogo bola no Flamengo e pronto. Seria só mais um contador de história. Nunca imaginaria ir pra Europa. Vou aproveitar as melhores oportunidades para dar o meu melhor. E se Deus quiser estar lá em 2030, na Copa do Mundo.
Mesmo com pouca idade, Alan conta que já se sente um exemplo para os jovens de sua comunidade. Ao mesmo tempo, procura transmitir a eles os mesmos conselhos que recebeu do pai, Reginaldo José, quando decidiu seguir o caminho do futebol.
— Ele foi um cara que sempre me ajudou bastante. Ele falava: "eu não estou te obrigando, estou aqui para te apoiar. Vou te dar os conselhos. Se você quiser mesmo, você vai. Quem tem que fazer a sua vida é você". Eu sempre corri atrás. Agora, é uma pressão e um privilégio (ser exemplo para os mais jovens). Da onde que eu sou, ser referência para outras pessoas, um menorzinho que me acompanha, consigo dar orientações do que fazer. É algo que construí ao longo do tempo.
Alan Santos no Tabajaras
Durante a entrevista, Alan relembra uma situação curiosa de sua infância: chegou a ser dispensado do Vasco porque não conseguia comparecer a todos os treinos. Aos 10 ou 11 anos, dependia do irmão para levá-lo às atividades, mas, quando ele conseguiu um emprego, deixou de ter condições de acompanhá-lo. A dispensa acabou tirando uma boa oportunidade, mas também se transformou em combustível para os clássicos contra o rival.
— No Vasco, fiz uma avaliação, passei e fiquei lá por um tempinho. Mas, como eu era menor, tinha 10, 11 anos, era meu irmão que me levava. Depois, ele arrumou um trabalho e não pôde mais me levar sempre. Disseram que, se eu faltasse mais um dia, não era para aparecer mais. Então, eu saí. Agora, serve de motivação. Jogar clássico é muito bom. Jogo grande é para quem é especial, para quem gosta mesmo.
Alan Santos na infância
A chegada ao Flamengo também aconteceu de maneira curiosa. Meses depois, enquanto defendia o Boavista, Alan enfrentou o Palmeiras em um torneio de base e marcou três gols. A atuação chamou a atenção do clube rubro-negro, que decidiu contratá-lo.
Neste ano, o atacante participou da intertemporada do Flamengo em Portugal durante a pausa para a Copa do Mundo e chegou a ser relacionado uma vez por Leonardo Jardim para uma partida da equipe principal. Além disso, entrou em campo em três jogos do Campeonato Carioca.
A transferência para o Benfica não terá custos para o clube português. O Flamengo, porém, manterá 50% dos direitos econômicos do jovem, de olho em uma eventual venda futura.
— (No dia que soube da transferência) Eu tinha ido pro treino no Ninho do Urubu. Ia ter amistoso contra o Madureira. Entrei, amassei, dei uma assistência. Tomei meu banho e me chamaram numa sala. O gerente da base falou que o Benfica estava interessado. Eu disse que queria ir para a Europa. Aceitei. O Flamengo também estava explicando. Avisei meu pai e minha mãe e todos ficaram contentes.
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