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Um mês antes de matar os 3 filhos, enfermeira americana contou à mãe que pensava em machucar as crianças

A mãe de uma enfermeira americana acusada de matar os três filhos afirmou nesta segunda-feira (17) que a filha relatou, cerca de um mês antes do crime, que tinha pensamentos de machucar as crianças.

G1 — Brasil · 2026-08-17T19:47:03.000Z

A mãe de uma enfermeira americana acusada de matar os três filhos afirmou nesta segunda-feira (17) que a filha relatou, cerca de um mês antes do crime, que tinha pensamentos de machucar as crianças.

Lindsay Clancy, ex-enfermeira de parto e pós-parto, matou os três filhos em 24 de janeiro de 2023, em Plymouth, Massachusetts, e tentou se matar em seguida.

Os promotores afirmam que ela planejou os assassinatos e fez o marido sair de casa ao pedir que ele buscasse comida e fosse a uma farmácia.

A defesa não contesta que ela matou os filhos, mas afirma que Lindsay não deve ser considerada criminalmente responsável, pois sofria de psicose pós-parto.

A mãe, Paula Musgrove, afirmou nesta segunda-feira que a filha era uma mãe dedicada e amorosa, mas começou a apresentar uma piora no estado mental em outubro de 2022, cerca de três meses antes das mortes.

Paula, que vive em Connecticut, contou que costumava ficar com a filha em Massachusetts entre outubro e dezembro de 2022. Em uma mensagem enviada naquele período, Lindsay pediu que a mãe fosse até a casa para ficar com ela.

"Eu estou muito doente. Alguma coisa está errada", escreveu Lindsay, segundo a mensagem apresentada aos jurados.

"Tive uma insônia horrível a noite toda e não sei como vou passar pelo dia. Comecei a tomar o remédio que o médico receitou para ansiedade e acho que isso piorou as coisas. É muito assustador e eu não quero ficar sozinha."

Pensamentos sobre machucar os filhos

Em dezembro de 2022, segundo Paula, Lindsay fez uma revelação ainda mais preocupante. Ela estava na cozinha com a filha e Patrick Clancy, então marido de Lindsay, quando percebeu que a mulher estava nervosa e disse que precisava contar algo.

"Ela nos disse que estava tendo pensamentos de machucar as crianças", afirmou Paula.

A mãe também relatou que Lindsay tinha medo de dormir sozinha, estava cada vez mais paranoica e acreditava que os medicamentos que tomava "estavam destruindo a mente".

Os depoimentos da mãe e da irmã ocorreram na quarta semana do julgamento. A promotoria encerrou a apresentação das testemunhas depois de ouvir dezenas de pessoas.

Segundo o advogado Kevin Reddington, Lindsay sofria de psicose pós-parto, uma doença mental rara associada ao estresse, à privação de sono e às alterações hormonais após o parto.

A defesa também afirma que a ex-enfermeira tinha transtorno bipolar e que antidepressivos receitados após o nascimento do terceiro filho pioraram o quadro.

Tratamento e medicamentos

Ao longo do julgamento, testemunhas relataram que Lindsay buscou tratamento para problemas graves de saúde mental e chegou a se internar voluntariamente em um hospital psiquiátrico.

Também disseram, porém, que ela nem sempre tomava os medicamentos prescritos para insônia, ansiedade e depressão. A ex-enfermeira chegou a dizer que tinha medo de estar viciada em alguns deles.

No contra-interrogatório, a defesa argumentou que Lindsay estava sendo medicada em excesso e que o atendimento foi fragmentado, com médicos que não conversavam entre si nem compartilhavam informações sobre o tratamento.

Apesar de procurar ajuda, a mulher recebeu alta de uma unidade depois de um dia. Em outra, não conseguiu acesso a um nível mais alto de atendimento porque não demonstrou ter um plano para cometer suicídio.

A promotoria também questionou a gravidade da tentativa de suicídio. Para isso, apresentou mensagens e fotos que mostram Lindsay realizando atividades consideradas normais no dia das mortes, como levar os filhos ao médico e brincar com eles na neve.

Os médicos que atenderam a ex-enfermeira afirmaram que nunca viram sinais de mania ou psicose. Eles disseram, porém, que ela falava repetidamente sobre pensamentos suicidas.

Lindsay não prestou depoimento e não é obrigada a fazê-lo. Os jurados, no entanto, viram a mulher chorar em diferentes momentos do julgamento, inclusive quando a promotoria apresentou fotos das autópsias das crianças.

Marido encontrou os filhos mortos

No início do julgamento, Patrick Clancy contou o horror de voltar para casa e encontrar os três filhos mortos.

Durante o depoimento, os promotores reproduziram uma ligação de sete minutos para o serviço de emergência 911, que não foi divulgada ao público. Na gravação, Patrick verifica onde Lindsay está no quintal e depois desce ao porão, onde encontra os filhos.

Ele grita e chora antes de dizer ao atendente: "Ela matou as crianças!"

Patrick também contou que recebeu uma ligação de Lindsay cerca de uma semana depois das mortes. Segundo ele, ela não falou sobre os filhos, mas contou "o que tinha passado".

Ela disse, de acordo com o depoimento, que havia ouvido a voz de um homem dizendo que, se não fizesse aquilo naquele momento, perderia a chance.

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