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COP17 na Mongólia: veja como debate sobre desertificação se conecta à realidade do Sertão de PE
G1 — Brasil · 2026-08-17T20:06:46.000Z
COP17 na Mongólia: veja como debate sobre desertificação se conecta à realidade do Sertão de PE
A abertura da 17ª Conferência das Partes da Convenção das Nações Unidas para o Combate à Desertificação, a COP17, aconteceu nesta segunda-feira (17), em Ulaanbaatar, na capital da Mongólia. O encontro, que segue até 28 de agosto, tem como tema “Restaurando a Terra. Restaurando a Esperança”, colocando no centro das discussões a recuperação das terras degradadas e a construção de soluções para enfrentar a desertificação, a degradação do solo e a seca.
A milhares de quilômetros de Pernambuco, representantes de diferentes países se reúnem em Ulaanbaatar, na capital da Mongólia, para discutir um problema que também faz parte da realidade do Sertão do estado: a desertificação.
Com o início da 17ª Conferência das Partes da Convenção das Nações Unidas para o Combate à Desertificação, a COP17, o g1 Petrolina inicia uma série especial de reportagens para mostrar como os temas debatidos no encontro internacional se conectam com o território, a população e as iniciativas desenvolvidas no Semiárido de Pernambuco.
O ponto de partida é o Núcleo de Desertificação de Cabrobó, uma área que, considerando a delimitação ampliada divulgada em 2023, abrange atualmente sete municípios pernambucanos: Cabrobó, Belém do São Francisco, Parnamirim, Salgueiro, Itacuruba, Floresta e Carnaubeira da Penha.
Ao longo das próximas reportagens, a série vai abordar diferentes aspectos dessa realidade: os efeitos da degradação para quem vive e trabalha no Sertão, a relação entre seca, mudanças climáticas e desertificação, iniciativas de recuperação de áreas degradadas e tecnologias e estratégias que podem contribuir para a conservação da Caatinga e a convivência com as condições do Semiárido.
Jornalista Diana Silva, do g1 Petrolina, vai cobrir a COP 17, na Mongólia
O Núcleo de Desertificação de Cabrobó
Os primeiros levantamentos realizados na década de 1970 apontavam que o Núcleo de Desertificação de Cabrobó era formado por Cabrobó, Itacuruba, Belém de São Francisco e Floresta. Com o passar dos anos, a delimitação da área mudou.
O Plano Estadual de Combate à Desertificação de Pernambuco, de 2009, apresentou como núcleo central apenas Belém do São Francisco, Cabrobó e Floresta. Já em levantamento mais recente, realizado pelo Comitê da Bacia Hidrográfica do São Francisco, foram incorporados Parnamirim, Carnaubeira da Penha e Salgueiro.
Considerando a delimitação ampliada divulgada em 2023, o núcleo passou a abranger sete municípios: Cabrobó, Belém do São Francisco, Itacuruba, Floresta, Carnaubeira da Penha, Salgueiro e Parnamirim.
O município de Cabrobó dá nome ao núcleo por ser a principal referência geográfica da área historicamente identificada nos estudos sobre degradação das terras na região.
O território está inserido no Semiárido pernambucano e reúne áreas onde a conservação da Caatinga, a disponibilidade de água, a produção rural e o uso do solo estão relacionados aos desafios ambientais enfrentados na região.
A desertificação está avançando?
Uma das principais perguntas para compreender a situação atual do núcleo é saber se o processo de degradação continua avançando. Segundo a Agência Estadual de Meio Ambiente de Pernambuco (CPRH), um levantamento preliminar realizado pelo Observatório da Caatinga aponta que o Núcleo de Cabrobó está estabilizado, indicando que não houve avanço do processo de desertificação.
Mapas da Degradação e Vegetação nativa em Cabrobó e municípios do Sertão de PE - 2000/2021
A CPRH, no entanto, informa que outras áreas do estado, principalmente no Agreste, apresentaram redução da cobertura vegetal e estão mais vulneráveis ao processo de desertificação. O dado mostra que o cenário não é uniforme e que diferentes áreas do estado apresentam diferentes níveis de vulnerabilidade.
Uma área ser considerada estabilizada não significa, necessariamente, que esteja recuperada. A conservação e a recuperação da cobertura vegetal continuam sendo estratégias de enfrentamento da degradação ambiental.
No Sertão de Pernambuco, uma das ações de enfrentamento está relacionada à recuperação da cobertura florestal. Por meio de um Termo de Fomento da CPRH com a Fundação Araripe, ações de recuperação da cobertura florestal passaram a ser realizadas em unidades de conservação e em suas respectivas zonas de amortecimento no Semiárido.
O projeto “Reflorestando Unidades de Conservação para Promover a Sociobiodiversidade da Caatinga” tem como metas o plantio de 500 mil mudas, o replantio de 75 mil mudas e uma área plantada de 370 hectares.
As ações estão previstas para sete unidades de conservação da Caatinga:
APA Chapada do Araripe, em Araripina e Bodocó;
Floresta Nacional Negreiros, em Serrita;
Refúgio de Vida Silvestre Serras Catingueiras, em Cabrobó;
Parque Estadual Serra do Areal, em Petrolina;
Estação Ecológica Serra da Canoa, em Floresta;
Parque Estadual Mata da Pimenteira, em Serra Talhada;
Parque Nacional do Catimbau, em Buíque, Ibimirim e Tupanatinga.
No primeiro ciclo hidrológico, concluído em 2025, foram produzidas 234.171 mudas e plantadas 200 mil. O segundo ciclo, em execução em 2026, prevê a produção de 132 mil mudas e o plantio de 88,5 mil.
Já para 2027 está programada a produção de 242,5 mil mudas, no mínimo, com previsão de plantio de 167,5 mil e replantio de 75 mil.
O projeto prevê ainda manutenção e monitoramento durante três anos e dois meses. Entre as áreas contempladas está o Refúgio de Vida Silvestre Serras Catingueiras, que abrange os municípios de Cabrobó e Salgueiro.
A unidade de conservação é uma das duas unidades estaduais atualmente existentes dentro do Núcleo de Desertificação de Cabrobó. A outra é a Estação Ecológica Serra da Canoa, em Floresta. Segundo a CPRH, as unidades de conservação têm papel importante na preservação e recuperação da biodiversidade, especialmente por contribuírem para a manutenção da cobertura florestal.
Dentro da unidade de conservação, o trabalho de recuperação também envolve moradores da própria região. Adão José de Brito, morador da comunidade quilombola Jatobá II, que fica dentro da área do Refúgio de Vida Silvestre Serras Catingueiras, trabalha como viveirista e cuida das mudas até que elas estejam prontas para serem replantadas em áreas que passam por ações de recuperação.
“Eu nasci e me criei aqui. Aqui tinha muita mata. Mas, por conta do desmatamento, derrubaram muita mata para queimar. Aí ficou esse processo. Agora, com essas mudas de plantas, vai melhorar novamente”.
Sobre as mudanças nas chuvas, ele relata uma percepção construída ao longo dos anos em que vive na comunidade.
“Antigamente chovia muito. Não sei se é por conta do desmatamento. Muita gente fala que é por conta do desmatamento, né? Que é onde tem mata, chove. Onde não tem mata, não chove não”, comenta.
Para o CPRH, uma das justificativas do projeto é que a presença da vegetação ajuda na regulação dos microclimas e dos regimes hídricos, na manutenção dos recursos hídricos e na proteção do solo. A cobertura vegetal também contribui para evitar a compactação do solo e processos erosivos que podem agravar a desertificação.
Área de Reflorestamento / Cabrobó - PE
Esta é a primeira de uma série de reportagens que o g1 Petrolina vai produzir durante a COP17. Nas próximas matérias, a cobertura vai avançar sobre diferentes aspectos da desertificação no Semiárido pernambucano.
A série vai acompanhar como a degradação das terras afeta agricultores e comunidades, quais são as diferenças entre seca e desertificação, como as mudanças climáticas podem interferir nesse processo e quais iniciativas estão sendo desenvolvidas para recuperar áreas degradadas.
Também serão mostradas tecnologias e estratégias de convivência com o Semiárido, como o uso eficiente da água, sistemas de produção adaptados às condições da região, conservação da Caatinga e outras iniciativas que podem contribuir para reduzir a vulnerabilidade do território.
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