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Raposa-do-campo é resgatada após ser atropelada em rodovia de Sorocaba
G1 — Brasil · 2026-08-17T20:46:02.000Z
Raposa-do-campo é resgatada após ser atropelada em rodovia de Sorocaba
Uma raposa-do-campo (Lycalopex vetulus) foi resgatada após ser atropelada na Rodovia Senador José Ermírio de Moraes (SP-75), em Sorocaba (SP). Até esta segunda-feira (17), o animal ainda estava passando por tratamentos no Núcleo da Floresta, em São Roque (SP), para recuperar o movimento das pernas.
O canídeo, um macho adulto, foi apelidado de "Manguinho". Segundo o biólogo Rafael Mana, que atua no Cras, ele teve fraturas na vértebra e nas costelas. Uma equipe veterinária acompanha o animal e realiza tratamentos para restabelecer sua capacidade de locomoção.
"Ele está reagindo bem. Agora está mais tranquilo, sendo acompanhado integralmente pela equipe veterinária. Lesões medulares são sempre complexas e a situação ainda é bastante delicada, mas estamos otimistas", explica.
Raposa-do-campo é resgatada em Sorocaba (SP)
Núcleo da Floresta
Sem centro de reabilitação próximo, moradores de Sorocaba arcam com resgates de animais silvestres
Falta de atendimento, medo e desinformação ameaçam animais silvestres na região de Sorocaba
Sobre a espécie
De acordo com Rafael, a raposa-do-campo costuma ser frequentemente confundida com o cachorro-do-mato devido às semelhanças entre as espécies.
O animal prefere campos abertos e vive em áreas de cerrado, apresentando alta capacidade de sobrevivência nesse tipo de habitat, segundo o profissional.
“É um animal que sofre com queimadas, com o desmatamento e com conflitos em áreas de criação de animais domésticos. No entanto, um dos maiores problemas para a espécie é o contato com animais domésticos dentro de áreas preservadas”, diz.
De acordo com o biólogo, esse contato faz com que as raposas contraiam doenças como cinomose, parvovirose e sarna. Ele explica que as enfermidades provocam um declínio populacional significativo, já que a espécie não possui anticorpos para combatê-las.
“Além disso, a raposa-do-campo também pode hibridizar naturalmente com o cachorro-do-mato. Encontramos animais híbridos na nossa região, o que representa mais um problema sério para a conservação da espécie. Por isso, ela é considerada ameaçada de extinção”, .
Raposa-do-campo atropelada em Sorocaba (SP) passa por tratamentos em São Roque (SP)
Núcleo da Floresta
Sem centros de reabilitação
O interior de São Paulo abriga uma grande variedade de animais silvestres que se adaptaram à urbanização e passaram a conviver diariamente com moradores de diferentes municípios. Esse contato cada vez mais próximo faz com que seja comum encontrar animais feridos ou em situação de risco.
Segundo a veterinária Paula Prata, de Sorocaba, mesmo quando a população presta os primeiros cuidados, o centro de triagem mais próximo da região é o Núcleo da Floresta, localizado em São Roque, a cerca de 43 quilômetros de distância.
De acordo com Paula, a falta de estruturas adequadas dificulta o encaminhamento dos animais resgatados e faz com que muitos moradores acabem assumindo os cuidados por conta própria, incluindo gastos financeiros.
"Há anos se fala na criação de Cetas na região, mas o projeto não avançou. Se até para cães e gatos já é difícil obter suporte, para animais silvestres e não convencionais a dificuldade é ainda maior. Além disso, são animais endêmicos e em grande quantidade, o que faz com que, muitas vezes, não haja interesse do poder público em investir na manutenção dessas espécies", finaliza.
Núcleo da Floresta resgata raposa-do-campo atropelada em Sorocaba (SP)
Núcleo da Floresta
Paula trabalha na área de animais exóticos e silvestres há sete anos
Paula Nochelli Prata
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