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Ruas estão 'sumindo' no Complexo do Alemão para impedir vigília de drones; veja imagens

Ruas estão 'sumindo' no Complexo do Alemão para impedir vigília de drones

G1 — Brasil · 2026-08-17T22:44:29.000Z

Ruas estão 'sumindo' no Complexo do Alemão para impedir vigília de drones

Imagens aéreas obtidas pelo RJ2 mostram que ruas e vielas do Complexo do Alemão, na Zona Norte do Rio, estão sendo cobertas por estruturas para dificultar o monitoramento feito por drones.

O levantamento é da inteligência da Coordenadoria de Recursos Especiais (Core), da Polícia Civil. Os agentes compararam imagens de satélite feitas em novembro de 2025 com registros aéreos produzidos em fevereiro de 2026.

Em apenas 84 dias, a paisagem mudou.

Em alguns pontos, ruas que antes apareciam nas imagens de cima ficaram escondidas por telhados. Em um dos locais analisados, uma área que funcionava como estacionamento ganhou uma cobertura de alvenaria. Em outro, uma laje passou a ter uma piscina.

As estruturas ficam em uma região central do Complexo do Alemão, apontada pela polícia como de difícil acesso por terra e pelo ar. Segundo os investigadores, é também uma área onde estaria escondida a cúpula do Comando Vermelho.

Ruas do Alemão no início da investigação

A polícia suspeita que os telhados tenham sido construídos para impedir ataques com explosivos lançados por drones de facções rivais. As estruturas também dificultam o trabalho de monitoramento policial.

“Eu acredito que o emprego principal desses telhados que vêm sendo colocados em algumas comunidades seja evitar o lançamento de artefatos explosivos por facções rivais. Mas, obviamente, isso traz um prejuízo muito grande para o monitoramento feito pela polícia, por exemplo”, afirmou Marcos Motta, coordenador da Coordenadoria de Operações com Aeronaves Não Tripuladas (Coant).

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Ruas do Alemão durante a investigação

No Rebu, em Senador Camará, na Zona Oeste, uma rua às margens da linha do trem também está quase toda coberta. Em abril, a Polícia Civil e a Prefeitura de Niterói destruíram parte de uma estrutura semelhante construída em uma comunidade da cidade.

Drones viraram arma do crime organizado

O crime organizado também passou a usar drones para monitorar territórios, acompanhar a movimentação da polícia e atacar grupos rivais.

Segundo a Polícia Civil, 18 ocorrências de bombas lançadas por drones estão sendo investigadas atualmente. A corporação suspeita que o número seja maior.

“Hoje o drone não é usado só pela facção. Qualquer criminoso vai fazer o emprego desse drone porque ele traz uma vantagem estratégica, ele ganha olhos no céu”, disse Motta.

Ruas estão 'sumindo' no Complexo do Alemão para impedir vigília de drones

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Registros do Disque-Denúncia mostram o crescimento das denúncias envolvendo drones com explosivos. O primeiro relato de um equipamento equipado com uma granada foi feito em 2023. Em 2024, foram quatro registros.

Em 2025, foram 73 denúncias envolvendo traficantes e outras 14 relacionadas a milicianos.

Criminosos usam equipamentos antidrones

Para evitar o monitoramento, criminosos também passaram a usar equipamentos capazes de detectar e interferir no funcionamento dos drones.

Imagens exibidas pelo Fantástico mostram um homem identificando um drone e acionando uma chamada “bazuca antidrone”. O equipamento interfere na comunicação e na navegação da aeronave.

Com a interferência, o operador perdeu o controle do drone. O equipamento só não caiu porque o sistema de segurança foi acionado e fez o aparelho retornar automaticamente ao ponto de partida.

O homem que operava a “bazuca” foi identificado pela polícia como Hyrval Cassiano da Silva, conhecido como Bochecha Rosa.

Há cerca de um mês, a Polícia Civil criou a Coordenadoria de Operações com Aeronaves Não Tripuladas. O departamento investiga o uso de drones por criminosos no estado.

Além dos ataques e do monitoramento, a polícia já identificou o uso dos equipamentos para transportar drogas para dentro de presídios.

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