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Imagem aérea do Morro Chapéu Mangueira, na Zona Sul do Rio
G1 — Brasil · 2026-08-18T03:00:45.000Z
Imagem aérea do Morro Chapéu Mangueira, na Zona Sul do Rio
Na opinião de moradores de comunidades, o Rio de Janeiro chega a uma década sem uma política pública contínua de urbanização de favelas, enquanto esses territórios continuam crescendo com dificuldades para acessar serviços básicos. É o que mostra uma pesquisa do Instituto Brasileiro de Análises Sociais e Econômicas (Ibase), que ouviu 10.001 moradores de 18 favelas cariocas.
Segundo o levantamento, 89,9% dos entrevistados percebem que a população aumentou nas comunidades onde vivem, enquanto 81,6% apontam expansão das áreas ocupadas. Ao mesmo tempo, 51,7% dos moradores antigos dizem que obras previstas pelos antigos programas de urbanização não foram concluídas integralmente.
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Pesquisa ouviu 10 mil moradores
A pesquisa "Novos Olhares sobre as Transformações Urbanas nas Favelas" ouviu 10.001 pessoas em 18 favelas do Rio:
Comunidade Agrícola de Higienópolis;
Estrada do Tijuaçu;
Morro da Providência;
Morro dos Cabritos;
Parque João Goulart;
Faz Quem Quer;
Morro da Coroa;
Conjunto Residencial Fernão Cardim.
Escadaria do morro da Providência
A coleta ocorreu em duas etapas, entre 2022 e 2023 e entre 2025 e 2026. Além do levantamento quantitativo, os pesquisadores realizaram rodas de conversa nas comunidades para complementar os dados com relatos dos moradores.
O lançamento do estudo será nesta terça-feira (18), às 17h, no Clube de Engenharia do Rio de Janeiro, na Avenida Rio Branco, 124, 22º andar, no Centro.
Veja os principais números:
89,9% percebem aumento da população nas favelas pesquisadas;
81,6% apontam expansão das áreas ocupadas;
68% das favelas cadastradas no Rio permanecem sem urbanização estruturada;
90% dizem que ainda são necessárias melhorias para garantir o direito à mobilidade;
51,7% afirmam que as obras previstas não foram integralmente concluídas;
49,1% identificam moradores sem acesso ao direito à água;
62,4% identificam moradores sem acesso adequado à saúde;
62,1% apontam crianças sem acesso à educação infantil;
5,6% perceberam melhorias na acessibilidade para pessoas com deficiência ou mobilidade reduzida.
Obras não chegam para todos
Entre os moradores antigos entrevistados, 76,5% avaliam que os programas contribuíram para ampliar direitos, principalmente nas áreas de mobilidade, abastecimento de água, esgotamento sanitário, habitação, iluminação pública e coleta de lixo.
Por outro lado, mais da metade afirma que as ações anunciadas ou acordadas com as comunidades não foram totalmente executadas.
O problema é ainda mais expressivo em algumas das favelas pesquisadas. Em Parque Unidos, 84% dos entrevistados dizem que as intervenções não foram concluídas integralmente. O índice é de 72% no Chapéu Mangueira, 66% na Babilônia, 65,7% no Parque João Goulart e 65% no Morro da Coroa.
Para Rita Corrêa Brandão, diretora executiva do Ibase e coordenadora geral da pesquisa, os dados mostram que a urbanização precisa ser discutida a partir da perspectiva dos direitos dos moradores.
"Quando falamos de água, saneamento, moradia ou mobilidade, não estamos falando apenas de serviços. Estamos falando de direitos", afirma Rita.
Quase metade aponta falta de acesso à água
O abastecimento de água aparece como um dos exemplos da distância entre as melhorias realizadas e o acesso efetivo de toda a população.
Embora 79,6% dos entrevistados reconheçam melhorias no abastecimento promovidas pelos antigos programas, 49,1% afirmam que ainda existem moradores sem acesso ao direito à água.
Além disso, 36,9% dizem que a água não chega diariamente às casas, enquanto 28,9% apontam problemas relacionados à qualidade da água.
A mobilidade também continua sendo um desafio. Nove em cada dez entrevistados afirmam que ainda são necessárias melhorias para garantir esse direito. Apenas 5,6% perceberam avanços na acessibilidade para pessoas com deficiência ou mobilidade reduzida.
A pesquisa também investigou o acesso a outros serviços. Na saúde, 62,4% identificam moradores sem acesso adequado. Na educação infantil, 62,1% afirmam que ainda existem crianças sem acesso a creches ou pré-escolas.
Em algumas comunidades, os índices são ainda maiores: em Parque Conquista e Vila Moretti, 83,4% apontam falta de acesso à educação infantil; no Salgueiro, são 82%; e no Parque João Goulart, 78,4%.
Dados do Sistema de Assentamentos de Baixa Renda (SABREN), do Instituto Pereira Passos (IPP), de 2022, apresentados no estudo, apontam que o Rio tem 1.072 favelas cadastradas. Dessas, 159 são consideradas urbanizadas e 114, parcialmente urbanizadas.
De acordo com os dados apresentados pelo Ibase, cerca de 68% permanecem sem urbanização estruturada
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