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Emissões de metano na Sibéria mais que dobram em uma década, mostra estudo

Incêndio no distrito de Abyysky, na Sibéria, em julho de 2024. Estudo aponta que o avanço das queimadas no leste da região tem contribuído para o aumento das emissões de metano.

G1 — Brasil · 2026-08-18T08:04:56.000Z

Incêndio no distrito de Abyysky, na Sibéria, em julho de 2024. Estudo aponta que o avanço das queimadas no leste da região tem contribuído para o aumento das emissões de metano.

NASA Earth Observatory/Wanmei Liang, com dados Landsat/USGS.

As emissões de metano na Sibéria mais que dobraram em pouco mais de uma década, impulsionadas pelo aumento das temperaturas, pelas mudanças no solo e pelo crescimento dos incêndios florestais.

A conclusão é de um estudo internacional publicado recentemente na revista "Science", que analisou dados de satélites e medições da atmosfera entre 2010 e 2023.

Os pesquisadores calcularam que as emissões de metano da região cresceram, em média, cerca de 5% ao ano nesse período.

Em 2020 e 2021, por exemplo, o volume anual já era mais de duas vezes maior do que o registrado em 2010.

Os fatores por trás desse crescimento variam entre as diferentes áreas da Sibéria. No oeste da região, o aumento das temperaturas no inverno tem antecipado o derretimento da neve.

Com o solo descoberto mais cedo, a superfície aquece por mais tempo e concentra mais umidade, condições que aumentam a liberação de metano em áreas alagadas.

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Já no leste da Sibéria, o mecanismo é outro. Períodos persistentes de tempo quente e seco ressecam o solo e a vegetação e aumentam as condições favoráveis aos incêndios.

O estudo encontrou um crescimento anormal das queimadas e das emissões de metano associadas a elas desde 2019.

A Sibéria concentra cerca de 46% do permafrost do Hemisfério Norte. Esse solo permanece congelado por longos períodos e guarda enormes reservas de carbono.

À medida que ele descongela, parte desse material passa a ser decomposta por microrganismos, que podem liberar metano para a atmosfera.

“O que estamos observando é uma consequência direta do aquecimento do Ártico provocado pelo aumento das concentrações de gases de efeito estufa. À medida que o solo antes congelado começa a descongelar, o carbono armazenado fica disponível para microrganismos, que podem produzir metano ao decompô-lo”, disse Paul Palmer, autor do estudo e diretor científico do Centro Nacional de Observação da Terra da Universidade de Edimburgo (Escócia), em um comunicado.

🌡️ ENTENDA: O metano preocupa porque contribui fortemente para o aquecimento do planeta. Nesse caso, surge ainda o risco de um ciclo de reforço: temperaturas mais altas favorecem novas emissões, e essas emissões acrescentam mais gases de efeito estufa à atmosfera.

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A paisagem sobre o permafrost na Sibéria, região onde o solo permanece congelado por longos períodos e vem sendo afetado pelo aumento das temperaturas.

Segundo as projeções apresentadas no estudo, se a relação observada entre temperatura e emissões continuar nas próximas décadas, a Sibéria poderá liberar até cerca de 25 milhões de toneladas adicionais de metano por ano em 2050 em um cenário de forte aquecimento.

Esse aumento poderia compensar aproximadamente 20% da redução global das emissões humanas de metano necessária para limitar o aquecimento a 1,5°C.

Os próprios autores ressaltam, porém, que ainda há incertezas sobre a dimensão futura desse processo.

“As observações por satélite oferecem a única maneira prática de monitorar as emissões de metano na vasta e em grande parte inacessível paisagem da Sibéria, permitindo acompanhar mudanças que, de outra forma, seriam extremamente difíceis de detectar”, afirmou Palmer.

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