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Rafaell Câmara Roque, de 36 anos, contou ter sido sequestrado e levado para uma comunidade, onde participou de um tribunal do crime do PCC
G1 — Brasil · 2026-08-18T08:20:29.000Z
Rafaell Câmara Roque, de 36 anos, contou ter sido sequestrado e levado para uma comunidade, onde participou de um tribunal do crime do PCC
O advogado Rafaell Câmara Roque, de 36 anos, que foi sequestrado pelo Primeiro Comando da Capital (PCC) e passou por um ‘tribunal do crime’ em Cubatão (SP), afirma ter recebido um "decreto de morte" por parte da facção.
“Como vou viver tranquilamente sabendo disso? A todo tempo eu tenho que ver se tem alguém me seguindo, na porta da minha casa [...] Eu vou precisar morrer para algo mudar?”, disse o advogado, vítima do crime que originou a Operação Patrocínio Fiel.
🔍 A Operação Patrocínio Fiel, realizada pelo Ministério Público (MP) em parceria com a Polícia Militar (PM), prendeu três pessoas e deixou um suspeito morto na última quarta-feira (12). Os mandados foram cumpridos nos estados de São Paulo (SP) e Santa Catarina (SC).
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Roque disse ter sido informado sobre o "decreto de morte" por meio de um telefonema. Segundo ele, a mensagem revelava que a facção iria matá-lo.
Em nota, o Ministério Público de São Paulo (MP-SP) afirmou que as medidas adotadas em relação à segurança do advogado são sigilosas, justamente para garantir sua efetividade (veja o posicionamento completo adiante).
O g1 também entrou em contato com a Secretaria de Segurança Pública de São Paulo (SSP-SP) e com a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), mas não havia obtido retorno até a última atualização desta reportagem.
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Motivação do sequestro
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Roque foi sequestrado após ajuizar uma ação contra uma empresa comandada por Wagner Rodrigues dos Santos, conhecido como Branquinho. O objetivo do grupo era forçar o advogado a abandonar o processo e fornecer o endereço do cliente (e ex-sócio de Wagner) que ele representava.
O profissional explicou que entrou com a ação porque seus clientes teriam sido "expulsos" da empresa por Wagner, com quem tinham relação desde a infância. O suspeito teria prometido pagar um valor referente à parcela dos sócios para que eles deixassem o negócio, o que não aconteceu.
O crime aconteceu em 11 de junho, na Vila Esperança, em Cubatão (SP). Roque foi atraído à comunidade após receber uma ligação de William Nascimento Boaventura (que acabou preso na operação policial), que solicitava a liberação de uma pessoa que havia sido presa.
Rafaell Câmara Roque, de 36 anos, contou ter sido sequestrado e levado para uma comunidade, onde participou de um tribunal do crime do PCC
Arquivo pessoal e Ministério Público
Roque contou que nunca havia conversado com o suspeito William. Em vez de ir a uma delegacia, o profissional foi orientado a encontrar o homem na comunidade. "No trajeto, eu percebi que estava numa fria”, contou.
Ele foi mantido em cárcere das 19h à 1h da madrugada seguinte e, segundo ele, sofreu tortura psicológica de cerca de 30 pessoas que participaram do “tribunal do crime”, algumas delas por videochamada, inclusive Wagner.
Denúncia e impactos
Apesar de ter cedido inicialmente à condição imposta pelos criminosos, Roque procurou o Ministério Público para denunciar o caso. A investigação foi assumida pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco).
Mesmo com o receio de sofrer represálias, o advogado decidiu tornar o caso público. “Aprendi com Martin Luther King que o problema do mundo não é o barulho dos maus, mas o silêncio dos bons. Enquanto a gente não abre a boca, os ratos estão fazendo a festa”, afirmou.
Para o profissional, o grupo agiu com injustiça e cerceou sua liberdade, ultrapassando os limites do próprio discurso. O episódio abalou a saúde mental e a rotina de Roque, que passou a desconfiar de ligações de desconhecidos e viu pessoas próximas se afastarem por medo.
"Eu fiquei quinze dias sem dormir. Eu tenho medo, pânico às vezes. Meu psicológico ficou muito abalado [...] Não sabia que eu ia perder tudo que eu perdi [após entrar com a ação]. Perdi a minha paz, a minha liberdade”, lamentou.
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O que diz o MP-SP
Ainda por meio de nota, o MP-SP informou que assim que foi informado sobre as ameaças, adotou "todas as providências para a apuração do caso e responsabilização dos autores".
De acordo com o órgão, a Operação Patrocínio Fiel "decorreu justamente destas ameaças e foi deflagrada pelo Gaeco para a prisão dos suspeitos de participação nos fatos".