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Brasil ainda não reduz metano de forma contínua; estudo aponta 37 medidas para conter o gás

Gado pasta em campo cultivado com capim sabiá Ribeirão Preto, SP

G1 — Brasil · 2026-08-18T13:00:32.000Z

Gado pasta em campo cultivado com capim sabiá Ribeirão Preto, SP

As emissões de metano no Brasil ainda não apresentaram uma trajetória de queda consistente.

É isso o que aponta um novo estudo divulgado nesta terça-feira (18) pelo Observatório do Clima, rede que reúne organizações da sociedade civil dedicadas à agenda climática.

O material, batizado de SEEG Soluções, traz 37 propostas para tentar reverter esse cenário nos principais setores responsáveis pela poluição do gás no país.

O lançamento ocorre dois meses depois de a ONU cobrar dos governos ações mais rápidas contra o metano, apontado pela entidade como uma das formas mais baratas e eficazes de conter o aquecimento global no curto prazo.

📌 ENTENDA: O metano (CH₄) é um gás de efeito estufa com efeito mais intenso sobre o aquecimento do planeta no curto prazo do que o dióxido de carbono (CO₂). Em um período de 20 anos, seu potencial de aquecimento é cerca de 80 vezes maior.

O Brasil emitiu 21 milhões de toneladas de metano em 2024, com a agropecuária respondendo por cerca de três quartos desse total.

Há cinco anos, durante a COP26, em Glasgow, o país assinou o Compromisso Global de Metano, tratado internacional que prevê reduzir as emissões em 30% até 2030.

Passado esse período, porém, o levantamento indica que o volume emitido pelo país não parou de crescer, o que distancia o Brasil da meta assumida no acordo.

“Temos à disposição um amplo conjunto de soluções para fazer isso, mas o Brasil precisa transformar esse conhecimento em ação coordenada e com escala”, disse David Tsai, coordenador do SEEG, em comunicado.

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O metano é apontado por cientistas como um dos gases de maior impacto na crise climática atual.

Ainda que esteja presente em quantidade bem menor na atmosfera do que o dióxido de carbono, sua vida útil é bem mais curta, o que faz com que ações voltadas a esse gás específico produzam resultados sobre a temperatura do planeta em prazo mais curto do que medidas focadas no CO₂.

É essa combinação de abundância crescente e alto poder de aquecimento no curto prazo que torna o gás um alvo prioritário nas discussões sobre mudanças climáticas, sobretudo entre pesquisadores que defendem ações imediatas para conter os efeitos do aquecimento global nas próximas décadas.

As 37 propostas reunidas no estudo foram organizadas em quatro frentes que concentram a maior parte das emissões brasileiras: agropecuária, resíduos, mudança no uso da terra e florestas, e energia.

As sugestões variam conforme o setor e incluem medidas de planejamento territorial, ampliação de acesso a crédito e financiamento, aperfeiçoamento de normas ambientais, mudanças no manejo de sistemas produtivos e reforço no monitoramento de fontes emissoras.

Segundo o levantamento, essas ações combinadas teriam potencial de acelerar a redução das emissões nos próximos anos, ainda que a magnitude desse efeito dependa da adesão de governos, produtores e municípios às medidas propostas.

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Arte / g1

A agropecuária, maior fonte do gás no país, respondeu por 15,7 milhões de toneladas em 2024 — o equivalente a 75,8% do total nacional —, com a criação de gado concentrando mais de 90% desse volume.

Para esse setor, foram elaboradas 15 recomendações, entre elas o ordenamento territorial, a assistência técnica a produtores rurais, o acesso facilitado a linhas de crédito e mudanças na forma como rebanhos e dejetos animais são geridos ao longo da cadeia produtiva.

Na sequência aparece o setor de resíduos, responsável por 16% das emissões de metano do país em 2024 (3,3 milhões de toneladas), volume que vem majoritariamente de aterros sanitários e lixões.

As propostas para essa área incluem o encerramento de lixões ainda em operação, a ampliação da coleta seletiva e o aproveitamento energético do biogás liberado pelo lixo orgânico em decomposição.

Lixão da cidade de Mongaguá, no litoral de São Paulo, fica na Estrada Taperinha.

A mudança no uso da terra e as florestas, impulsionada principalmente por incêndios em vegetação nativa, respondem por 5,5% do total mapeado.

Nesse caso, as recomendações giram em torno do monitoramento e da prevenção de queimadas, consideradas o principal processo de emissão de metano contabilizado oficialmente nesse setor.

Já o setor de energia fecha a lista com 2,6% das emissões, originadas sobretudo da queima de lenha em residências e da produção de combustíveis fósseis, com propostas voltadas à redução de vazamentos e desperdícios ao longo da cadeia de petróleo, gás e carvão.

"Cada emissão de metano requer uma resposta específica", critica Ingrid Graces, pesquisadora do setor de Energia do Iema (Instituto de Energia e Meio Ambiente), instituto responsável por elaborar as cinco propostas do caderno do SEEG voltadas a esse setor.

"Quem cozinha com lenha porque não tem acesso a outra fonte de energia precisa de política pública. Já as emissões da cadeia de combustíveis fósseis vêm de operação industrial, e ali cabe responsabilizar quem lucra com a atividade".

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