ITATIBA1

Por que projeto de exploração de petróleo na Foz do Amazonas é controverso?

Ainda não está claro se a exploração comercial de petróleo na Foz do Amazonas é viáve

G1 — Brasil · 2026-08-18T13:15:34.000Z

Ainda não está claro se a exploração comercial de petróleo na Foz do Amazonas é viáve

A Petrobras afirmou nesta segunda-feira (17/8) ter encontrado petróleo na bacia da Foz do Rio Amazonas, em águas "ultraprofundas" na costa do Amapá.

O achado, que ainda não significa que a exploração seria economicamente viável ali, ocorreu no poço Morpho, a cerca de 175 km da costa.

De acordo com a empresa, as buscas por petróleo na área continuarão.

"Nosso otimismo em relação à margem equatorial brasileira se confirma hoje", comemorou a presidente da Petrobras, Magda Chambriard, em nota à imprensa.

Lula visita navio-sonda em Oiapoque e defende petróleo na Foz do Rio Amazonas

A prospecção — fase de pesquisa, em que ainda não há produção de petróleo — na região é uma prioridade para a Petrobras desde antes do mandato atual de Luiz Inácio Lula da Silva (PT), mas o petista endossa o objetivo, mesmo que o plano tenha opositores dentro do próprio governo.

🔴 Diversas organizações ambientais já se colocaram contra os planos de exploração na área, considerada ecologicamente sensível. Eventuais impactos da exploração de petróleo ali são desconhecidos e esta seria uma aposta em uma fonte energética altamente poluente, eles dizem.

Em entrevista à BBC News Brasil em setembro de 2025, Lula afirmou que nenhum país "está preparado para ter uma transição energética capaz de abdicar do combustível fóssil".

A Petrobras argumenta que uma possível exploração ali "permitirá contribuir com o atendimento à demanda crescente por energia" e seria "realizada com investimentos tecnológicos que garantem segurança operacional e cuidado ambiental".

Para a empresa, a Margem Equatorial, uma faixa que vai do Amapá ao Rio Grande do Norte, é a "provável nova fronteira energética do Brasil".

A Petrobras recebeu autorização do Instituto Brasileiro de Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) para sondar petróleo na bacia da Foz do Amazonas em outubro do ano passado — às vésperas da conferência ambiental COP30, realizada em Belém em novembro.

Mas essa autorização por parte do Ibama levou alguns anos, tendo sido rejeitada anteriormente.

Outra preocupação é com o impacto da exploração na área para comunidades que ali vivem, como de indígenas e quilombolas.

A líder indígena Luene Karipuna, membro da Articulação dos Povos e Organizações Indígenas do Amapá e Norte do Pará (APOIANP), afirmou durante a COP30 que três terras indígenas, onde vivem quatro povos, já estavam sofrendo com a perspectiva da prospecção e exploração de petróleo no Amapá.

"Somos excluídos como se não existíssemos. Há sobrevoos sobre nosso território, pressão constante, e o impacto mais doloroso é quando empresas tentam dividir as lideranças. Nenhuma compensação paga o que já fizeram", afirmou Karipuna.

"É a porta de entrada para explorar toda a Margem Equatorial, e essa é uma conta que não pode ser paga pelos povos indígenas."

Conforme mostrou a BBC News Brasil no início do ano, o município de Oiapoque, o mais próximo da bacia da Foz do Amazonas, já está passando por ocupação desordenada e especulação imobiliária devido à perspectiva de exploração do petróleo.

Leia no Itatiba1 →