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Gêmeas unidas pela cabeça apresentaram instabilidade hemodinâmica antes de morrerem, diz HC

Gêmeas que nasceram unidas pela cabeça morrem em cirurgia final de separação em SP

G1 — Brasil · 2026-08-18T13:48:38.000Z

Gêmeas que nasceram unidas pela cabeça morrem em cirurgia final de separação em SP

As gêmeas siamesas Heloísa e Helena, de 2 anos e 7 meses, que morreram durante a cirurgia final de separação no Hospital das Clínicas (HC) de Ribeirão Preto (SP), tiveram instabilidade hemodinânica e instabilidade da pressão arterial durante o procedimento.

A informação foi divulgada nesta terça-feira (18), durante coletiva de imprensa da equipe médica responsável pelo caso. Segundo os profissionais, uma das meninas apresentou hipotensão enquanto a outra apresentou hipertensão.

De acordo com o cirurgião plástico Jayme Farina Júnior, um dos coordenadores da equipe, várias instabilidades foram revertidas ao longo das 15 horas de procedimento.

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"Durante a separação, foi havendo uma instabilidade que foi a todo tempo sendo revertida, mas essa instabilidade se agravou no momento da separação, que foi por volta das 23h. A Helena apresentou uma parada e toda equipe fez o esforço necessário, todos os recursos foram utilizados, mas, infelizmente, não se reverteu. Logo em seguida, aconteceu com a Heloisa".

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Segundo o Hospital das Clínicas, as meninas chegaram a ser separadas completamente, mas Helena apresentou uma parada cardiorrespiratória, seguida de Heloísa.

"Com os corpos já separados, a capacidade de resposta das meninas foi diminuindo, culminando com a parada cardíaca da Helena às 23h12. Foram iniciadas manobras de ressuscitação imediatamente e declarado o óbito às 23h37, após 25 minutos sem resposta. Na outra mesa, Heloísa sofreu parada cardíacas às 23h26 e também não respondeu durante 25 minutos de tentativa de ressuscitação, tendo o óbito declarado às 23h51".

Até a última cirurgia, aproximadamente 75% do cérebro e dos vasos sanguíneos compartilhados já tinham sido separados.

"Na quinta cirurgia foram sendo desligados os outros 25%. Como essa união é complexa para os organismos das crianças, que já é um organismo mais frágil, na hora que faz aquela ligação final, o organismo sente".

As mortes das meninas foram confirmadas na manhã de domingo (16). Elas foram enterradas em São José dos Campos (SP), onde a família vivia.

Cinco cirurgias em um ano

Heloísa e Helena começaram a passar pelas cirurgias em agosto de 2025. Desde o início, a equipe médica optou por dividir a separação em etapas, para reduzir os riscos e preparar as estruturas compartilhadas pelas meninas.

A primeira cirurgia, em 23 de agosto de 2025, concluiu cerca de 25% da separação planejada. A segunda, em novembro, durou cerca de dez horas.

Na terceira, em 28 de fevereiro deste ano, os médicos informaram ter alcançado aproximadamente 75% da separação do cérebro e dos vasos sanguíneos compartilhados.

A quarta etapa, em 21 de março, teve outro objetivo. Os médicos instalaram bolsas expansoras para aumentar a quantidade de pele disponível na cabeça das duas, necessária para fechar os crânios depois da separação definitiva.

Heloísa e Helena, de 2 anos, são gêmeas que nasceram unidas pela cabeça em São José dos Campos (SP) e estão em acompanhamento no HC de Ribeirão Preto (SP).

Terceiro caso no HC de Ribeirão Preto

O caso de Heloísa e Helena é o terceiro de gêmeas craniópagas, como são chamadas as crianças que nascem unidas pela cabeça, conduzido pelo Hospital das Clínicas de Ribeirão Preto, e o primeiro que termina com a morte de pacientes.

O primeiro foi o das irmãs Maria Ysabelle e Maria Ysadora, do Ceará. Elas foram separadas em 2018 depois de dois anos de acompanhamento e planejamento. Em agosto de 2023, o hospital realizou a separação definitiva de Alana e Mariah. A última cirurgia daquele caso durou 25 horas.

Nos três casos, as equipes utilizaram exames de imagem e tecnologias de planejamento para estudar previamente as estruturas compartilhadas entre as crianças.

No caso de Heloísa e Helena, o planejamento durou mais de um ano e incluiu tomografias, ressonâncias magnéticas, projeções de realidade virtual e impressão de modelos em três dimensões para preparar as cinco etapas da separação.

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