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Polícia cumpre mandados em operação contra jogos de azar em MT e SP
G1 — Brasil · 2026-08-18T16:56:33.000Z
Polícia cumpre mandados em operação contra jogos de azar em MT e SP
A Polícia Civil de Mato Grosso investiga a conexão entre a Operação Engodo Digital, que tem como alvo a influenciadora digital e capa de revista masculina Natiele Aparecida, com a Operação Narco Fluxo, deflagrada pela Polícia Federal em abril deste ano, que resultou na prisão dos cantores MC Ryan SP e MC Poze do Rodo. As investigações apuram o envolvimento de esquemas criminosos com plataformas de apostas não autorizadas e showbusiness digital.
O elo entre os dois casos começou a ser investigado após a polícia identificar indícios de que empresas às quais a modelo de Mato Grosso tinha ligação também estavam vinculadas aos demais investigados em abril. Segundo a polícia, Natiele teria recebido cerca de R$ 100 mil de uma empresa ligada a MC Poze do Rodo e MC Ryan SP para divulgar o “Jogo do Tigrinho” nas redes sociais.
O g1 entrou em contato com Natiele, mas não obteve retorno até a última atualização desta reportagem. Menos de um mês após a prisão, MC Poze do Rodo e MC Ryan SP foram soltos.
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A Operação Engodo Digital foi deflagrada nesta terça-feira (18) e investiga 10 pessoas e oito empresas por suspeita de movimentar mais de R$ 28 milhões em plataformas de apostas não autorizadas, além de envolvimento com exploração de jogos de azar, captação ilegal de apostas, lavagem de dinheiro, sonegação fiscal e organização criminosa, com atuação em Sorriso (MT).
Além das buscas e bloqueios, a Justiça determinou medidas cautelares contra os investigados. Entre elas estão a proibição de contato entre os envolvidos, o recolhimento dos passaportes de três pessoas e a obrigação de comparecimento mensal ao fórum. Também foi determinada a proibição de uso das redes sociais para divulgação de jogos de azar.
Já a operação da PF investigou uma organização suspeita de lavagem de dinheiro e movimentação de mais de R$ 1,6 bilhão. Segundo as investigações, o esquema teria utilizado atividades ligadas ao setor audiovisual e ao showbusiness digital, além de jogos de azar e rifas pela internet, para movimentar e ocultar valores.
À época, além dos cantores MC Ryan SP e MC Poze do Rodo, a ação resultou na prisão dos influenciadores Raphael Sousa Oliveira, responsável pela página Choquei, e Chrys Dias, entre outros investigados. Segundo a PF, os envolvidos utilizavam mecanismos para ocultar e dissimular valores, incluindo operações financeiras de alto valor, transporte de dinheiro em espécie e transações com criptoativos.
Da esqueda à direita: MC Poze do Rodo, Natiele Aparecida e MC Ryan SP
De acordo com o delegado Eugênio Rudy, responsável pela investigação, a conexão entre os esquemas surgiu durante a análise das empresas e das movimentações financeiras investigadas em Mato Grosso.
“Durante a investigação, a gente fez uma conexão com a Operação Narco Fluxo da Polícia Federal, que aconteceu em São Paulo", explicou.
A empresa e seu proprietário, segundo a polícia, também foram alvo de medidas judiciais na Operação Engodo Digital.
Operação Engodo Digital
Segundo o delegado, o valor de R$ 28 milhões foi identificado a partir do cruzamento de informações obtidas durante a investigação.
“Esse grupo divulgava pelas redes sociais e atraía as vítimas para os jogos. E, com o fruto dos jogos, nós chegamos à conclusão, de acordo com os dados do Coaf (Conselho de Controle de Atividades Financeiras) e da Receita Federal, de que chegou a R$ 28 milhões de créditos e débitos, entrou e saiu da conta”, afirmou.
Segundo ele, parte dos valores teria sido movimentada por meio da criação e utilização de empresas para tentar ocultar a origem do dinheiro.
“A partir daí, esse grupo criava empresas com o objetivo de dar licitude ao dinheiro espúrio. Espúrio por quê? Porque os jogos são ilegais”, disse.
Ao todo, são cumpridas 56 ordens judiciais, incluindo mandados de busca e apreensão, bloqueio de valores e de contas em redes sociais, sequestro de bens, quebra de sigilo telemático e outras medidas determinadas pela Justiça. Além dos alvos em Mato Grosso, dois investigados possuem endereços no estado de São Paulo.