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Depois de começo irregular, Royal briga por vaga de titular
ge — Futebol · 2026-08-18T16:58:43.000Z
Depois de começo irregular, Royal briga por vaga de titular
Bastaram poucos minutos ao lado de Emerson Royal para que o lateral chamasse atenção pelo estilo. Tênis coloridos, bermuda de basquete e muita personalidade. O bom humor também aparece nas conversas: faz questão de destacar seu perfume preferido e até dá dicas de moda. O sorriso é reflexo do momento que vive — está em boa fase no Flamengo e animado para o duelo desta quarta-feira, contra o Cruzeiro, no Maracanã, pelo jogo de volta das oitavas de final da Conmebol Libertadores.
Nem sempre, porém, foi assim, principalmente nos primeiros meses de Flamengo. Royal conta que precisou trabalhar para transformar as críticas em combustível para reagir. Em entrevista ao ge, relembrou a infância em São Paulo para explicar a volta por cima que vem construindo no clube rubro-negro. Para ele, as cobranças servem de motivação em um ambiente marcado pela alta competitividade.
De onde eu saí, saí maduro. Minha vida não foi fácil. Já vivi tiroteio, sem ter o que comer, na favela. Não tive oportunidade. Consegui sair e buscar uma vida melhor para a minha família. Isso já é uma vitória. Falar, todo mundo fala. Se até o Neymar é questionado, por que eu não seria? O que vem de fora não vai me atingir.
— Costumo dizer que ninguém pega no pé de quem não tem potencial. Se pegam no meu pé, é sinal de que posso jogar mais e evoluir. É isso que procuro tirar de positivo. Acredito que o momento mais complicado em termos de críticas foi no Flamengo, mas procurei manter a cabeça no lugar. Para sair dessa fase, só havia um caminho: o trabalho. E foi exatamente o que eu fiz.
Emerson Royal em entrevista no Ninho do Urubu
Hoje, Emerson Royal veste o rubro-negro. No passado, porém, também defendeu o preto e branco. Nos dois casos, há um rival em comum: o Cruzeiro. Adversário do Flamengo nas oitavas de final da Conmebol Libertadores, o clube mineiro também foi o principal rival do lateral-direito quando ele defendia o Atlético-MG. Agora, espera que essa ligação e o retrospecto positivo contra a Raposa sejam um bom presságio.
Royal atuou pelo Atlético-MG em 2018. Foram apenas 16 jogos, mas o bastante para enfrentar o Cruzeiro duas vezes: uma vitória e um empate. Mesmo retrospecto que tem pelo Flamengo. Os números, porém, não fazem o lateral se apegar a qualquer favoritismo. Para ele, cada clássico tem uma história.
— Lembro desse jogo, foi a minha estreia como titular no Galo. Foi uma pressão em cima da gente. Vínhamos de oscilação, eu entro de titular, faço um grande jogo e ganhamos de 1 a 0. (O Cruzeiro) É um adversário que eu já enfrentei quando jogava no Atlético-MG. Sabemos da dificuldade que eles tentam impor, mas vamos buscar a vitória.
Ir bem na Libertadores também pode representar um passo importante rumo a voos mais altos. Royal tem como objetivo voltar à Seleção o quanto antes. Na Copa do Mundo de 2030, ele terá 31 anos, idade que considera ideal para seguir em alto nível. Por isso, trabalha diariamente para voltar a vestir a camisa do Brasil e estar na disputa pelo próximo Mundial.
— A seleção brasileira é um sonho, eu venho pro Flamengo atrás dessa vaga. Tenho esse sonho, quero voltar a estar no radar e tenho potencial para isso. Com a ajuda dos meus companheiros, essa hora vai chegar.
Abdiquei de 70% das minhas férias para trabalhar e acredito que Deus vai devolver. Desde o começo do ano com Filipe, que estava me dando muita confiança. Jardim desenvolveu meu jogo de transição e tenho muito a evoluir ainda.
Royal também elogiou Varela, seu concorrente pela titularidade na lateral-direita. Ele comentou sobre as características do companheiro e como ambos podem ajudar Leonardo Jardim e o Flamengo no decorrer da temporada.
— É uma forma um pouco diferente de jogar, um jogo que eu venho mais de trás. Tem um ponta que fecha para dentro e eu vou por fora. Essa jogada de surpresa. Tive um treinador na Ponte Preta que dizia que eu sou um jogador de chegar, não de estar lá. Essa força é a minha principal característica, por isso estou me destacando bem.
— Costumo dizer que tem momentos complicados, mas tudo é um aprendizado. Tive um momento de oscilação quando cheguei. Tive lesão, não fiz pré-temporada, não estava 100% fisicamente. Entendi o momento, as cobranças. Mas eu sempre soube do meu potencial, do jogador que eu sempre fui, dos clubes que joguei. Peguei aquelas críticas e evoluí. Consegui dois títulos muito importantes, que eu sonhava. Queria ganhar a Libertadores e o Brasileirão e não para por aí. Tomara que esse ano seja da melhor maneira.
Agora, o Flamengo volta a atuar na quarta-feira, quando enfrenta o Cruzeiro, no Maracanã, pela Conmebol Libertadores. No Brasileirão, também enfrenta o Cruzeiro, mas no sábado, no Mineirão.
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