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Ronaldo Caiado durante apresentação de plano de governo para a área da Saúde
G1 — Política · 2026-08-18T17:37:06.000Z
Ronaldo Caiado durante apresentação de plano de governo para a área da Saúde
O ex-governador de Goiás Ronaldo Caiado, candidato à Presidência da República pelo PSD, apresentou nesta terça-feira (18), em São Paulo, seu plano de governo para a área da Saúde. A proposta tem como principais eixos o reforço da medicina preventiva, a reorganização das filas do SUS com prioridade para pacientes mais graves, a digitalização do sistema de saúde e a recuperação dos índices de vacinação.
O plano foi elaborado sob coordenação do ex-ministro da Saúde Luiz Henrique Mandetta, que integrou o governo Jair Bolsonaro e foi demitido em 2020 por divergências com o então presidente sobre o enfrentamento à pandemia. Entre as ações previstas estão o fortalecimento da atenção básica, implantação de um prontuário eletrônico nacional, uso de inteligência artificial na gestão e no diagnóstico de doenças e políticas voltadas ao envelhecimento da população.
Caiado afirmou que pretende levar para o plano nacional experiências implementadas durante sua gestão como governador em Goiás, destacando sua formação médica e relembrando a atuação durante a pandemia de covid-19, quando impôs medidas de isolamento social no início da crise sanitária. "Meu compromisso é com cuidar de vidas, salvar vidas. Essa é a minha formação e é o meu juramento", declarou.
Quaest, 1º turno: Lula, 38%; Flávio Bolsonaro, 31%; Renan Santos, 4%; Caiado, 4%; Augusto Cury, 2%; e Zema, 2%
Diagnóstico precoce e combate às mortes evitáveis
Durante a apresentação, o ex-governador de Goiás afirmou que hoje o sistema de saúde atua de forma predominantemente "reativa" e defendeu uma mudança no foco do tratamento para a prevenção e o diagnóstico precoce. "Hoje estamos brigando com a doença, ou seja, estamos recebendo paciente com a doença em fase avançada", disse.
"Estamos trabalhando no sentido de avançar no diagnóstico precoce, em vez de correr atrás de tratar a doença disseminada, com pouco prognóstico e altíssimo custo para o governo e para a verba da saúde", afirmou o candidato.
Um dos principais pilares do plano é baseado na regionalização da assistência para reduzir as chamadas mortes evitáveis. Segundo ele, em muitas regiões do país, pacientes morrem não pela gravidade inicial da doença, mas pela dificuldade de acesso a hospitais de média e alta complexidade.
Ronaldo Caiado durante apresentação de plano de governo para a área da Saúde
SUS, envelhecimento e mudança do perfil das doenças
Caiado fez elogios ao Sistema Único de Saúde (SUS), que definiu como uma das maiores conquistas da Constituição de 1988. Segundo ele, o principal desafio agora é adaptar a rede pública às mudanças demográficas do país.
O candidato ressaltou que o Brasil tem atualmente cerca de 32 milhões de pessoas com mais de 60 anos e que a tendência é de aumento da população idosa nas próximas décadas.
Nesse contexto, defendeu uma atualização das políticas públicas para atender doenças associadas ao envelhecimento, como cardiopatias, AVCs, transtornos mentais e doenças neurodegenerativas.
Caiado defendeu a ampliação da rede de saúde mental e a criação de políticas específicas para idosos diante do aumento da solidão e da demanda por instituições de acolhimento. "Hoje tem mais pedido de casa de atenção ao idoso do que de creche", disse o candidato.
Caderneta Digital do Sus ajuda os pais a controlarem as vacinas dos filhos
Prioridade na fila
Uma das principais propostas apresentadas por Caiado é a adoção de critérios clínicos para definir a prioridade de atendimento nas filas do SUS. "Hoje, a fila não olha para quem está pior", disse ele.
Segundo o candidato, o sistema não deve considerar apenas a ordem de entrada dos pacientes, mas também a gravidade dos casos. A proposta prevê o uso de prontuários eletrônicos e sistemas integrados para identificar pessoas que precisam de atendimento mais urgente.
Ele defendeu ainda que pacientes oncológicos tenham uma fila separada e que casos de infarto e AVC contem com unidades especializadas e protocolos específicos de atendimento.
Atendimento em unidade básica de saúde de Campinas (SP)
Atenção básica e prevenção
O candidato afirmou que pretende fortalecer a atenção básica e o papel das equipes de saúde da família, melhorando o acompanhamento contínuo da população e estimulando a realização de exames preventivos. Segundo ele, o objetivo é reduzir a incidência de doenças diagnosticadas apenas em estágios avançados.
"Tem aquele hábito comum: 'eu não vou ao médico, senão eu vou encontrar qualquer coisa'. Nós precisamos acabar com essa tese. No Brasil o cidadão tem que ser submetido aos seus exames periodicamente para não receber um diagnóstico que já é, infelizmente, impossível de ser tratado", disse.
Segundo o plano, médicos de unidades básicas poderão contar com suporte de especialistas por meio da telemedicina, compartilhando prontuários e discutindo casos clínicos à distância.
A medida busca reduzir encaminhamentos desnecessários e acelerar diagnósticos, principalmente em municípios afastados dos grandes centros.
Novas ferramentas da tecnologia e inteligência artificial na área da saúde
Prontuário digital e inteligência artificial
A digitalização do sistema aparece como outra proposta prioritária. Caiado citou a Índia como exemplo de integração digital na saúde e defendeu a criação de um prontuário eletrônico nacional, acessível ao paciente pelo celular e compartilhado por toda a rede pública.
Segundo ele, o objetivo é evitar perda de informações, repetição de exames e falhas de comunicação entre diferentes unidades de atendimento, conectando "de cada unidade básica de saúde ao maior hospital".
O plano também prevê o uso de inteligência artificial para análise de exames, gestão das filas, avaliação de indicadores e monitoramento de resultados.
Vacinação contra poliomielite em Petrolina (PE)
Vacinação e saúde da mulher
Ao longo da apresentação, Caiado destacou a queda da cobertura vacinal no país e afirmou que questionar a eficácia da imunização é "desconhecer aquilo que a ciência trouxe".
O candidato criticou a disseminação de informações falsas sobre vacinas e declarou que pretende atuar diretamente para recuperar os índices de vacinação registrados historicamente pelo Brasil. "A população não pode ter essa dúvida. Tem que acreditar em quem faz ciência, faz pesquisa, quem cuida de vidas e não pessoas da tese do achismo", declarou.
O plano também prevê ações voltadas à saúde da mulher, com foco no pré-natal, na prevenção do câncer de mama e do câncer de colo do útero.
Gestão e financiamento
Na área administrativa, Caiado propõe criar mecanismos nacionais de compliance na saúde e ampliar a fiscalização sobre o uso dos recursos públicos.
A proposta inclui condicionar parte dos incentivos financeiros ao cumprimento de metas de transparência, gestão de risco e redução de desperdícios.
O candidato também voltou a criticar os critérios atuais de distribuição de recursos federais e defendeu maior participação da União no custeio da saúde e critérios mais transparentes para a distribuição de recursos federais a estados e municípios.
Tecnologia e produção nacional
O candidato também defendeu a ampliação do uso de inteligência artificial para acelerar diagnósticos e reduzir tarefas burocráticas na rede pública de saúde.
Além disso, propôs fortalecer a produção nacional de medicamentos, insumos farmacêuticos e tecnologias médicas para reduzir a dependência do exterior.
Segundo ele, a pandemia demonstrou a dependência do Brasil em relação a fornecedores de outros países e a necessidade de fortalecer o complexo industrial da saúde.
Autismo, doenças raras e terapia genômica
Caiado também dedicou uma parte da apresentação às pessoas com autismo e às doenças raras, áreas que, segundo ele, precisam ganhar mais espaço nas políticas públicas de saúde. "O cuidado com o autismo tem que estar no plano de saúde", defendeu.
Entre as propostas apresentadas está a criação de um centro especializado em doenças raras em São Paulo. Caiado afirmou que o objetivo é transformar o Brasil em referência em pesquisa, diagnóstico e tratamento dessas condições, aproximando o país dos avanços mais recentes da medicina.
O candidato também defendeu investimentos em medicina genômica e terapia gênica. Segundo ele, o avanço dessas tecnologias poderá permitir a identificação precoce de predisposições genéticas e o desenvolvimento de tratamentos cada vez mais personalizados para doenças raras e outras condições de origem hereditária.