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Crianças a caminho da escola se arriscam atravessado ponte que ameaça desabar em MS
G1 — Brasil · 2026-08-18T18:12:11.000Z
Crianças a caminho da escola se arriscam atravessado ponte que ameaça desabar em MS
Os estudantes que moram em uma região isolada pela interdição da ponte sobre o Rio Aquidauana, entre as cidades de Dois Irmãos do Buriti e Terenos, se arriscam diariamente no trajeto até a escola.
Sem uma rota alternativa próxima, eles atravessam, a pé, uma criança por vez, a estrutura, que ameaça desabar a qualquer momento. Veja no vídeo acima.
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A ponte está interditada há seis meses, e o conserto não deve começar antes de outubro, conforme a Agesul (Agência Estadual de Empreendimentos de Mato Grosso do Sul).
Enquanto isso, a dona de casa Jucilene Pereira Benedito acompanha, aflita, as travessias do filho, de apenas 13 anos.
“Estão esperando acontecer uma tragédia, aí eles resolvem arrumar essa ponte”, desabafa Jucilene, enquanto filma o filho e os colegas atravessando a ponte.
Crianças atravessando ponte interditada.
Jucilene e a família moram em uma chácara a cerca de 5 quilômetros da ponte, na região do Condomínio Bacuri, na zona rural de Dois Irmãos do Buriti.
Além do filho dela, outras quatro crianças passam diariamente pela ponte interditada para conseguir chegar ao ponto de embarque do transporte escolar.
“E o ônibus não vai até a ponte. Depois de atravessarem, eles têm que andar mais 600 metros para cima, a pé, porque o ônibus não desce até a ponte”, conta.
Do ponto de ônibus até a escola, localizada no Assentamento 7 de Setembro, em Terenos, são mais 22 quilômetros de estrada vicinal. Mas os transtornos não se limitam ao comprometimento do acesso das crianças à escola, conta Jucilene.
“Estamos sem acesso a posto de saúde. No meu caso, por exemplo, estou sem tomar uma vacina de que preciso. Minha vizinha, ainda hoje, perguntou se eu não conseguia ninguém para buscar o remédio de pressão dela. Se eu preciso de ração para a galinha, para um porco, tenho que pedir para alguém trazer até a ponte, pagar alguém para atravessar o saco de ração, a pé, para o lado de cá, para alimentar os animais. Sem contar os fazendeiros”, relata.
Quem também lista os transtornos causados pela interdição da ponte é o guia de pesca Alex Chueriy, vice-presidente da Associação de Moradores do Recanto Nuara, que fica do outro lado da ponte, em Terenos.
“E não são só as crianças que precisam atravessar a ponte para estudar. Do lado de lá, no Bacuri, não tem mercado, não tem nada. Os comércios estão todos no Nuara. Então, para você ir ao mercado comprar um óleo ou comprar pão cedo, tem que passar pela ponte”, conta.
Alex explica que o trajeto alternativo para quem precisa deixar a região do Bacuri aumenta em cerca de três horas o tempo de viagem.
“Tem que dar a volta por Cipolândia, passar pela Ponte do Grego e voltar para Terenos”, comenta.
Ponte interditada sobre o Rio Aquidauana.
O que diz o poder público
Em nota, a Secretaria de Estado de Infraestrutura e Logística (Seilog) informou que o processo de contratação de uma empresa para realizar os reparos na ponte sobre o Rio Aquidauana, no Recanto Nuara, está em fase de licitação.
A expectativa é de que, após a contratação da empresa vencedora, os serviços sejam iniciados em meados de outubro de 2026, informou a secretaria. O prazo estimado para a execução das obras é de 90 dias, acrescentou a Seilog.
A reportagem também procurou a Prefeitura de Terenos, mas não obteve retorno até a publicação desta reportagem.
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