ITATIBA1
Corinthians sofre quarta punição e chega a R$ 23 milhões em dívidas de transfer bans
ge — Futebol · 2026-07-22T21:13:54.000Z
Corinthians sofre quarta punição e chega a R$ 23 milhões em dívidas de transfer bans
O jogador Reginaldo Borim, hoje com 19 anos, iniciou um processo na Justiça do Trabalho contra o Corinthians pedindo indenizações de R$ 10,5 milhões pela desistência do clube em contratá-lo, em meio a uma polêmica pelo seu passado como goleiro.
+ Siga o canal ge Corinthians no WhatsApp
Em agosto de 2024, na gestão Augusto Melo, o Corinthians assinou contrato com o jovem, que só tinha jogado 33 minutos naquele ano e havia atuado como goleiro em 2023, para ser lateral-esquerdo no time sub-18. O clube desistiu da contratação devido à repercussão negativa do caso.
Os advogados sustentam na ação judicial que o desligamento ocorreu "sem notificação formal, processo interno, pagamento de qualquer verba rescisória e contraditório" e que Reginaldo deixou o Corinthians "sem contrato anotado, salários recebidos e nenhum documento rescisório".
Procurado, o Corinthians respondeu que não se manifesta sobre processos judiciais em andamento. Em nota, a defesa de Reginaldo declarou que a ação "visa regularizar a situação decorrente do rompimento abrupto e injusto do contrato" (leia a íntegra do posicionamento no fim do texto).
Mais notícias do Corinthians:
+ Corinthians recebe proposta do Las Palmas por Gui Negão
+ Novo gramado da Arena incomoda jogadores; veja bastidores
Os advogados de Reginaldo relatam na ação que, em razão da desistência, o jovem "desenvolveu quadro depressivo diretamente relacionado ao episódio, está em tratamento médico e psicológico e teve sua capacidade de retomar a carreira profissional comprometida".
Reginaldo Borim quando assinou contrato de três anos com o Corinthians
Segundo o processo, Reginaldo se mudou de Jaú, no interior de São Paulo, para o alojamento do Parque São Jorge, na capital paulista, assinou contrato com o clube e comemorou a transferência em publicação nas redes sociais, mas "assistiu ao desmoronamento de tudo isso, não por falha sua, não por decisão técnica fundamentada, mas pela pressão de uma torcida alimentada por uma informação errada inserida no BID por terceiro".
É que, quando houve a rescisão com o XV de Jaú, Reginaldo apareceu no Boletim Informativo Diário (BID), da CBF, com uma foto como goleiro, de período anterior à mudança de posição.
Conforme o pai disse ao ge naquela época, Reginaldo jogou por seis meses como goleiro, não gostou e retornou à linha, onde normalmente atuava.
Os advogados de Reginaldo anexaram ao processo as declarações do ex-diretor da base Claudinei Alves sobre a desistência da contratação, que ainda não havia sido formalizada no BID.
O dirigente disse ao ge que, apesar da boa avaliação de Reginaldo como lateral-esquerdo, estava sendo pressionado no Conselho Deliberativo e não iria "ficar sofrendo pressão no clube por causa de um atleta".
— Podemos estar acabando com a carreira de um garoto, tenho esse sentimento, mas estou mandando embora. Paciência — lamentou Claudinei.
— O próprio dirigente responsável pela decisão: admitiu consciência antecipada do dano; admitiu que a causa real da dispensa foi a pressão interna do Conselho do clube; e revelou indiferença deliberada ao resultado destruidor de sua própria decisão. Essa configuração caracteriza, na doutrina civilista, o dolo eventual: o agente prevê o resultado danoso, assume o risco e age assim mesmo. No direito do trabalho, afasta qualquer equiparação a exercício regular do poder rescisório e situa a conduta inequivocamente no campo do abuso de direito — argumentaram os advogados de Reginaldo na ação.
Também procurado pelo ge, Claudinei ainda não se manifestou até a publicação desta matéria. O texto será atualizado caso haja posicionamento do ex-diretor.
No processo, iniciado em junho deste ano e ainda sem decisão judicial, o jogador pede indenização de R$ 10 milhões, equivalentes à multa para rescisão contratual, pelo rompimento unilateral do contrato; indenização de R$ 500 mil por danos morais; indenização de R$ 70 mil pela rescisão antecipada do contrato; e R$ 16 mil de quatro meses de salários não pagos.
Reginaldo chegou a processar o XV de Jaú, mas perdeu ação.
Confira a íntegra da nota da defesa de Reginaldo:
O atleta Reginaldo Borim foi contrato pelo Corinthians em 2024, quando tinha 17 anos, e teve o contrato rompido sem nenhuma justificativa legal. Nesse sentido, a ação judicial visa regularizar a situação decorrente do rompimento abrupto e injusto do contrato. O atleta não recebeu nenhum pagamento e ainda passou por forte constrangimento em razão da repercussão negativa do seu desligamento. A nossa expectativa é que o Corinthians compareça na audiência designada para o dia 07/08 e a situação já seja resolvida por meio de um acordo. Estamos certos que o acordo é o melhor caminho para ambas as partes.
Dr. Kim Rafael Serena Antunes – Escritório Calazans & Serena Antunes
+ Leia mais notícias do Corinthians
🎧 Ouça o podcast ge Corinthians🎧
+ Assista: tudo sobre o Corinthians na Globo, sportv e ge