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Cientistas de MG criam jardim de Cannabis para uso em medicamentos e na indústria
G1 — Brasil · 2026-08-18T20:22:15.000Z
Cientistas de MG criam jardim de Cannabis para uso em medicamentos e na indústria
Foi inaugurado nesta terça-feira (18), na Universidade Federal de Viçosa (UFV), o primeiro Banco Ativo de Germoplasma (BAG) de Cannabis do Brasil em uma universidade pública.
Na prática, o local vai funcionar como uma espécie de 'biblioteca viva', destinada à conservação e ao cultivo de sementes e plantas de Cannabis provenientes de diferentes partes do mundo. O objetivo dos pesquisadores é reunir até 500 variedades da planta.
Em nota ao g1, a Diretoria da Sociedade Brasileira de Estudos da Cannabis (SBEC) confirmou que a iniciativa é formalmente pioneira no Brasil no que diz respeito à criação de um Banco Ativo de Germoplasma (BAG) institucional e regulamentado para a cultura da Cannabis sativa L.
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Com essas plantas armazenadas, a equipe poderá realizar cruzamentos científicos para criar novas variedades adaptadas ao solo e ao clima do país.
Segundo a universidade, o foco é usar a planta na fabricação de medicamentos, fibras para tecidos, materiais de construção e na recuperação de terras degradadas.
Banco de Germoplasma foi construído em uma área de quase um hectare, no Vale da Agronomia
O banco foi construído em uma área de quase 1 hectare no Vale da Agronomia e conta com três áreas de cultivo externo, com iluminação suplementar, e uma casa de vegetação (estufa) de 450 metros quadrados.
O acervo utilizará o Laboratório de Recursos Genéticos do Departamento de Agronomia e contará com uma estrutura própria para a extração de óleos das plantas.
Saiba como vai funcionar primeiro banco genético de cannabis da Universidade Federal de Viçosa
Ainda conforme a instituição, a estrutura atenderá a alunos de graduação e pós-graduação para pesquisas de estágio, mestrado e doutorado.
Caminho até a inauguração: liberação na Justiça foi em 2024
Apesar do potencial para a economia e a saúde, a Cannabis enfrenta desafios regulatórios no Brasil por causa de suas propriedades psicoativas.
O cultivo deve ser controlado pelo Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) e, devido aos efeitos terapêuticos e psicoativos, precisa da aprovação da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), que ainda não regulamentou a produção agrícola da planta e o consumo no país.
A criação do banco genético em Viçosa é resultado de um processo de articulação científica e jurídica. Em outubro de 2023, a UFV solicitou autorização à Anvisa para o cultivo de variedades da planta. Como não obteve resposta dentro do prazo, recorreu à Justiça.
Em novembro de 2024, a Justiça Federal concedeu uma liminar que autorizou a UFV a importar, transportar, cultivar e armazenar sementes e mudas de Cannabis.
Para conseguir a liberação, a universidade apresentou um plano rigoroso de biossegurança. Segundo o professor Derly José Henriques da Silva, que esteve à frente do projeto, o cercamento da área foi feito por alambrados com 16 câmeras estrategicamente posicionadas para registrar toda a movimentação.
O apoio financeiro veio de um convênio com a empresa Cannabreed Technology Brasil Ltda. As medidas reforçadas têm como objetivo evitar a entrada de pessoas não autorizadas e prevenir tentativas de furto do material genético.
As amostras de sementes também foram adquiridas em conformidade com regulamentações nacionais e internacionais, com origem em bancos de germoplasma certificados, cultivos de associações e pacientes com direito de cultivo garantido na Justiça, seguindo protocolos fitossanitários, leis de quarentena e normas de acesso a recursos genéticos.
O potencial da Cannabis
A Cannabis sativa se consolida como uma cultura de alto impacto comercial e ambiental, segundo o professor Derly Henriques, da Universidade Federal de Viçosa (UFV).
Com raízes profundas que auxiliam na proteção e recuperação de solos degradados, a planta se destaca pelo crescimento rápido, com floração em cerca de cinco meses, o que viabiliza o cultivo consorciado durante a entressafra de culturas como a soja.
A versatilidade da espécie permite o aproveitamento integral de suas estruturas:
Caule e folhas: Destinados à extração de cânhamo, matéria-prima para a indústria têxtil e de biofórmulas para a construção civil;
Sementes: Fontes de óleos e proteínas de alto valor nutritivo para os setores alimentício e farmacêutico;
Flores: Concentram os canabinoides psicoativos e medicinais, foco de interesse global para o desenvolvimento de novos medicamentos.
Para mapear e expandir esses usos, a UFV irá manter o Banco Ativo de Germoplasma de Cannabis sativa, que reúne 68 variedades da biodiversidade brasileira e projeta catalogar até 500 linhagens nacionais e internacionais.
Até agosto deste ano, o acervo sustenta 24 experimentos agronômicos.
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