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Ex-ministro da Defesa da Ucrânia pede eleições durante a guerra

Fedorov diz que sua missão de criar um 'Estado no celular' teve de ser pausada

G1 — Mundo · 2026-08-18T21:50:27.000Z

Fedorov diz que sua missão de criar um 'Estado no celular' teve de ser pausada

O ex-ministro da Defesa da Ucrânia, Mykhailo Fedorov, pediu nesta terça-feira (18) a realização de eleições presidenciais no país em meio a guerra contra a Rússia. A manifestação pode representar o maior desafio político interno ao presidente Volodymyr Zelensky desde o início da invasão russa, em 2022.

Em um vídeo publicado no YouTube, Fedorov afirmou que o país enfrenta uma "crise sistêmica de governança" e defendeu a criação de um mecanismo legal e seguro para retomar o processo democrático, apesar do conflito em curso. A legislação ucraniana proíbe a realização de eleições durante períodos de lei marcial.

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"A democracia não pode ser mantida como refém da Rússia. Precisamos encontrar um mecanismo legal, seguro e realista que permita à Ucrânia renovar plenamente seu processo democrático mesmo nas condições de uma guerra prolongada", disse.

A declaração marca a primeira vez que uma figura política de grande relevância no país defende publicamente eleições durante a guerra.

Aos 35 anos, Fedorov era considerado um dos principais aliados de Zelensky até sua demissão inesperada do Ministério da Defesa, em julho, apenas seis meses após assumir o cargo. Na época, ele havia prometido uma ampla agenda de reformas, o que o tornou extremamente popular.

Após deixar o governo, o ex-ministro passou a criticar publicamente o então comandante das Forças Armadas, Oleksandr Syrskyi, expondo divergências sobre a condução da guerra. As críticas desencadearam protestos em várias cidades do país, com manifestantes pedindo a saída de Syrskyi e a recondução de Fedorov ao cargo.

Embora Zelensky tenha afirmado que demitiu o ministro por sua incapacidade de trabalhar em conjunto com o comando militar, Syrskyi também acabou deixando o cargo posteriormente, após pressão pública.

Em seu discurso desta terça, Fedorov voltou a atacar o funcionamento do governo e afirmou que o sistema político resiste a mudanças.

"O velho sistema muitas vezes vive por suas próprias regras. Ele protege a si mesmo. Tem medo da mudança", declarou.

Sem citar nomes, ele também criticou a corrupção entre autoridades públicas e afirmou que o problema prejudica o esforço de guerra do país. Recentemente, Fedorov sugeriu que sua atuação para reformar os processos de compras do Ministério da Defesa, responsáveis por bilhões de dólares em contratos, contribuiu para sua saída do governo.

As declarações ocorreram poucas horas depois de Zelensky confirmar que havia indicado Yevhenii Khmara para assumir formalmente o Ministério da Defesa.

Apesar de não afirmar que pretende disputar uma eventual eleição presidencial, Fedorov tem sido apontado como um potencial adversário de Zelensky. Segundo uma pesquisa recente citada pela agência Reuters, o ex-ministro venceria o atual presidente em um eventual segundo turno.

Fedorov ganhou projeção nacional como ministro da Transformação Digital, cargo que ocupou por seis anos. Considerado um dos arquitetos da digitalização dos serviços públicos ucranianos, ele também foi um dos primeiros defensores do uso de drones em larga escala no conflito contra a Rússia.

Ao assumir a Defesa, em janeiro, prometeu modernizar a pasta com base em dados e tecnologia e defendeu uma estratégia para desgastar as forças russas por meio da inovação tecnológica.

"Nossa população já está pronta há muito tempo para um país diferente. Agora, o Estado precisa se tornar digno de seu povo", afirmou no pronunciamento.

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