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Ex-padre acusado de estupro em paróquia no AC é inocentado por falta de provas
G1 — Brasil · 2026-08-18T21:59:06.000Z
Ex-padre acusado de estupro em paróquia no AC é inocentado por falta de provas
O ex-padre Fábio Amaro, que havia sido inocentado do crime de estupro em agosto do ano passado, teve a absolvição revertida e foi condenado a nove anos e seis meses de reclusão em nova decisão emitida nesta terça-feira (18).
A informação foi confirmada ao g1 pelo Tribunal de Justiça do Acre (TJ-AC). A reportagem entrou em contato com defesa do padre e, até a última atualização desta reportagem, não havia obtido resposta. Ele vai poder recorrer em liberdade e cabe recurso da decisão.
👉Os crimes julgados no caso ocorreram entre 2008 e 2009, quando Fábio Amaro era pároco em Rio Branco. Na época, o rapaz tinha cerca de 16 anos. Uma segunda denúncia também foi feita por uma jovem que tinha 18 anos e se confessava com o religioso. Contudo, Amaro respondeu criminalmente apenas pelo estupro contra o rapaz. O caso envolvendo a jovem foi considerado prescrito.
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Ao g1, o jovem que foi vítima do caso, que pediu para não ser identificado, afirmou que a condenação representa um reconhecimento da Justiça após anos de sofrimento pelo crime ao qual foi submetido enquanto na adolescência.
Ele voltou a criticar a postura da Diocese de Rio Branco às denúncias feitas por ele e que levaram à condenação do homem. O g1 entrou em contato com a instituição, que disse avaliar junto ao setor jurídico se vai se posicionar.
"Depois de tanta dor finalmente houve um reconhecimento pela Justiça de que aquilo que eu denunciava era sério. A própria igreja, em vez de acolher e escutar, tentou colocar em dúvida a minha palavra e proteger a instituição. Isso também fez parte da violência que precisei enfrentar", afirmou.
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No dia 30 de agosto do ano passado, o ex-padre foi inocentado por falta de provas. Contudo, o Ministério Público do Acre entrou com recurso e conseguiu que o caso fosse analisado mais uma vez.
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Dor e sofrimento
O jovem afirmou ainda que a condenação não representa uma vitória, mas um passo importante na busca por justiça.
"Existe uma sensação de justiça sendo feita. Mas não de vitória. Porque uma condenação não apaga o que aconteceu, nem devolve o tempo e a paz que foram tirados", declarou.
O jovem disse que pretende continuar lutando para que outras possíveis vítimas sejam ouvidas. "Essa decisão é um passo importante, mas a minha luta continua, pela verdade, e, principalmente, para que outras vítimas não precisem passar pelo mesmo caminho de silenciamento que passei", completou.
As acusações contra Fábio Amaro vieram a público em maio de 2023, quando a Polícia Civil do Acre informou que havia indiciado o então padre por suspeita de abuso sexual. Na época, as investigações apontaram que os crimes teriam ocorrido quando ele atuava como sacerdote em Rio Branco.
Após a repercussão do caso, o Ministério Público do Acre (M-AC) ofereceu denúncia contra o ex-padre pelo crime de estupro contra menor de 18 anos. A denúncia foi recebida pela 2ª Vara da Infância em novembro daquele ano e, em dezembro, ele virou réu.
Em agosto de 2025, a 2ª Vara da Infância de Rio Branco absolveu Amaro por falta de provas. A sentença considerou que as informações das testemunhas foram superficiais e não havia documentos que mostrem que a vítima sofreu algum efeito do crime, na época ou depois dos fatos.
Diocese exigiu renúncia
A Diocese de Rio Branco disse, na época das denúncias, que assim que teve conhecimento das denúncias contra o padre, pediu o afastamento dele. O bispo Dom Joaquín Pertiñez que era responsável pela Diocese à época, explicou que, ao saber dos casos, confrontou o padre, que confirmou os crimes, e então o suspeito foi avisado de que teria que renunciar ou seria excomungado.
Em depoimento, à época, o ex-padre negou conhecer as vítimas e alegou também desconhecer até o acordo que fez com o bispo Dom Joaquín Pertiñez. Ainda segundo o bispo, o padre decidiu pedir a renúncia e justificar que precisava mudar de estado por conta da morte do pai.
Sobre o caso não ter chegado na época à Polícia Civil, Dom Joaquim justificou que existe um protocolo do Vaticano que orienta as vítimas a escrever a denúncia de próprio punho em uma carta para que ele vá até à polícia. Conforme o religioso, as vítimas não quiseram seguir com o caso na época.
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